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domingo, 20 de julho de 2008

TRISTES DEVANEIOS



Abro portas trancadas e beijo o vento

que me acaricia os cabelos revoltos,

então agarro-me desesperado ao seus

sussurros melodiosos e singro os mares

*

Vou em busca da alegria desmaiada,

do riso fácil, do alvorecer crivado

de balas perdidas nas ruas

e encontradas nos corpos de inocentes úteis

calados e indefesos diante das miras cegas

*

Que é do entardecer gerando pores-do-sol

salpicados de manchas por nuvens enciumadas?

Que é da vida pacata dos anjos voejando

por sobre nossas cabeças como aves do paraíso?

*

Há um oceano de lágrimas afogando meu coração,

percebo um pântano lodoso onde guincham bichos,

quero de volta, urgente, os sorrisos esquecidos,

desejo ardentemente uma explosão de gargalhadas!

sábado, 21 de junho de 2008

A ROSA FALA POR MIM


Bom, eu sou meio tímido, não sei falar muito,
mas expresso meu sentimento, um tanto sem jeito,
com esta rosa singela do meu coração florido
e asseguro encabulado e já contrafeito
que este é um lindo e singelo instante colorido
pelo menos para mim porque estou amando.
Acredite! A rosa em minha mão é para meu amor,
aquela que em mim subitamente despertou
um querer desenfreado que me vai queimando
com grande fogaréu de incontrolável fulgor.
Não tenho palavras e mesmo que tivesse
não conseguiria a não ser tartamudear
.... bem, a rosa fala por mim.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

SEM QUALQUER TEMOR




Doravante não me quedarei ante o espanto
E não revelarei os meus segredos,
Os tantos transpostos para o recôndito
E expostos outrora pelos inúmeros medos
*
Destarte, ousado, afirmo: não me calarei
Enquanto entre os homens houver injustiças
E, mesmo que me desencante com o que já sei,
Não permitirei que me amordacem as críticas
*
Serei como os bambus que, com o vento, se dobram
Mas não cedem ao temor e nem se quebram,
Por mais que urre o vendaval nas pradarias
Resistirei firme sem qualquer receio das sangrias
*
E embora me magoem profundo afiados facões,
Rasgando-me a carne e rompendo-me os tendões,
Resistirei com estoicismo e tenaz firmeza
Pois para mim a esperança é a única certeza

segunda-feira, 16 de junho de 2008

ENFEITANDO O CÉU




Aves, centenas delas, enfeitando o céu
buscando, deveras, a ternura perdida,
os amores de outrora, as virtudes, o bem
da não-violência, os dons da fraternidade
*
O espaço pára e se queda embevecido,
no ar a festa de asas planando a beleza
que se espalha aos nossos olhos felizes,
e a vida, atônita, se deixa ir com a natureza
*
Por que os homens matam a fantasia
em forma de aves que coloram a Terra?
Por que só eles querem desfrutar o viver
como se fossem os donos da ambição?
*
Voem, aves, encham os céus de alegria,
que os nossos corações se enterneçam
com a graciosidade de seus vôos rasantes
com tonalidades multicoloridas e belas

quarta-feira, 11 de junho de 2008

POR ONDE ANDAM MEUS SONHOS?

Por onde, afinal, espalhei meus castelos de areia?
Terão se esvaído em sonhos desconsolados?
As tramas do destino os algemou nalguma teia?
Quiçá os ventos os terão em poeira transformado?

Decerto a triste realidade, invejosa, os evaporou
como perecidas pétalas amorfas e despedaçadas
ou - será? -teceu armadilhas tantas que os fulminou
na trilha do tempo e nas pradarias desertificadas?

Temo que minhas pobres quimeras caíram por terra
e, fragmentadas, fizeram do castelo simples borrão
a ponto de se tornar, somente, uma mancha eterna
solapadas à fúria das entranhas do meu coração

Certo, os sonhos se desencantaram, morreram,
mas o que me impede de tornar a sonhar novamente?
pois meus profundos desejos jamais arrefeceram
e do amor, é claro, ainda conservo a pura semente.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

SEM QUALQUER TEMOR

Doravante não me quedarei ante o espanto
E não revelarei os meus segredos,
Os tantos transpostos para o recôndito
E expostos outrora pelos inúmeros medos

Destarte, ousado, afirmo: não me calarei
Enquanto entre os homens houver injustiças
E, mesmo que me desencante com o que já sei,
Não permitirei que me amordacem as críticas

Serei como os bambus que, com o vento, se dobram
Mas não cedem ao temor e nem se quebram,
Por mais que urre o vendaval nas pradarias
Resistirei firme sem qualquer receio das sangrias

E embora me magoem profundo afiados facões,
Rasgando-me a carne e rompendo-me os tendões,
Resistirei com estoicismo e tenaz firmeza
Pois para mim a esperança é a única certeza

----------------------------------------------------


CHORA APENAS TEUS DESEJOS

Equivocas-te ao chorar por mim
Pára esse pranto, não mereço tuas
lágrimas não passo de vaso ruim
Que não quebra mesmo em chamas

Que não se abala com tuas queixas
E desvia o olhar, indiferente;
Se, a voz embargada, me acusas
Conciliadora - só te ouve e nada sente

Que teu marejar seja corolário de
Teus anelos,nunca tola saudade
De quem te amar nunca soube
Procura alguém que te ame de verdade

Chora, mas chora apenas teus desejos
Não por mim nem por meus beijos
Guarda tuas lágrimas, me esquece
Abafa esse sentimento, arrefece

terça-feira, 4 de março de 2008

A SUAVE BRISA - Poesia rondel

A suave brisa afaga, apaixonada,
os lindos cabelos da bela Maria
e, terna, atônita, meio encantada
espalha-se sobre o verde da pradaria

Flutuando um tanto assim, baratinada,
decerto solitária, buscando companhia,
a suave brisa afaga, apaixonada,
os lindos cabelos da bela Maria

E vai seguindo, perplexa, o seu caminho
revolvendo as madeixas das mulheres,
numa triste jornada do eu-sozinho
desfolhando pétalas de bem-me-queres
A suave brisa afaga, apaixonada...


_________________________________

Recebi o e-mail abaixo transcrito do amigo historiador Kidelmyr. Assunto deveras relevante, é importante que seja conhecido por todos a fim de que estejamos atentos às tentativas de proliferação de vírus enviados por meliantes e irresponsáveis:


"LEIA AGORA MESMO E PASSE PARA
TODO MUNDO QUE VOCÊ CONHECE


Alguém está mandando por aí um
e-mail com uns sapatinhos
vermelhos dançando: é uma música
bem alegre.


No e-mail são oferecidas mais de
mil músicas. Não baixe nada. É o
vírus Kleneu66!!!


Se você abrir o arquivo, em DUAS
HORAS seu HD estará limpo e
completamente destruído.


MUITO CUIDADO !!! Não faça download
deste arquivo em nenhuma
circunstância.


Este vírus entrou em circulação
ontem e segundo a UOL , NÃO há
anti-vírus disponível ainda
contra Kleneu66.


Por favor, passe essa mensagem
para todas as pessoas de sua
lista de e-mails."


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

POETRIX
Desaparecem fontes e mananciais
O homem destrói a própria vida
A natureza geme seus dias finais


HAIKAI
Morrem as fontes pelo homem,
lá se vão os mananciais.
É o grito agônico da natureza


TROVA
As fontes estão morrendo
e também os mananciais,
é a natureza dizendo
que já não suporta mais



RONDEL
Por causa da ambição humana
como folhas as àrvores vão tombando
e no ritmo dessa destruição insana
fontes e mananciais estão acabando

À sua maneira lenta a natureza reclama
pois já não está mais suportando,
Por causa da ambição humana
como folhas as àrvores vão tombando

O clamor é um grito oriundo da vida,
das florestas, dos animais, dos rios;
para a natureza haverá uma saída?
Qual a razão de tantos desvarios?
Por causa da ambição humana!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

COMO EXPLICAR ESSE AMOR?

Como explicar o amor terno que sinto,
é possível descrever a beleza abstrata?
Se quero dele falar, impossível, eu minto,
é ternura e sonho, é o prazer em cascata


Na solidão da noite que pressinto
ou sonhando na madrugada alta,
como explicar o amor terno que sinto,
é possível descrever a beleza abstrata?


As palavras são tão pobres e pequenas,
inúteis para a expressão desse amor,
tornam-se como meras, tolas, amenas
e não conseguem exprimir seu ardor.
Como explicar o amor terno que sinto?



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T R O V A S





O SOL

Queimando como fogueira
para esquentar o universo
o sol é como uma lareira
acesa pelos meus versos




MEU EU - I

O pingo dágua me teme,
eu grito e o gato corre,
se falo a galinha geme,
se pisco o canário morre



MEU EU - II

Risco peixeira no chão,
esquento rabo de onça
e desmascaro mãe de barão
se ela tem cara de sonsa



MEU EU - III

Desenhei o nascer do dia,
já o Mar morto eu matei,
antes de saber eu sabia
que nada soube nem sei

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

MIX

FUGAZ AMOR - Eclipse

Abraçam-se o sol e a lua eclipsados
espalhando doces irradiações no Universo
mas o instante terno dos acoplados
logo, débil, morre nos traços deste verso


Trova - O Tempo

O tempo marcou meu rosto
com traços e cicatrizes;
alguns mostram desgosto
como linhas de varizes



POEMETO - Nego a Solidão

Deveras! Pela tristeza de seu negrume,
as lágrimas que faz gerar,
a intensidade de sua titânica amargura,
a ingente dor subsequente
e o seu deprimente poder
de proporcionar agonia.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

SÃO INSTANTES

Silêncio rasgado por débeis sussurros,
rítmicos movimentos suaves e envolventes,
súbito, altos gemidos, quase urros
corpos que se fundem e colam, aderentes

Respiração em pressa, sôfrega e afogueada,
mãos que se procuram com ansiedade,
enlace completo como naves acopladas
instante em que se abala toda saudade

Lábios entreabertos à procura de beijos
que matam, sufocam e causam prazer
e fazem do momento essa arte do desejo
a prolongar-se quase infinito, até morrer

Depois da explosão, o ápice, as contorções,
os dois estão, enfim, felizes, realizados
no pensamento, alegria, o bem das emoções
e ficam ali, juntos, rindo, ambos amoldados

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

BALA PERDIDA

A pomba da paz foi mortalmente
atingida
por uma bala
perdida.
Está moribunda
E em lenta agonia
Padece.
Mas tantas crianças brasileiras

brincam inocentes
em derredor dos AR 15
e apontam o dedo
como armas
fictícias hoje...
reais e mortíferas
daqui a pouco, amanhã.
Agora, no presente, lúdicas,
depois, no porvir, cruéis e
bárbaras, animalescas,

primitivas.
Há um grito sufocado
dentro do meu peito
a clamar pela vitória,
enfim, do amor.

Quando? Será?
Porque muitos pais
presentearão seus filhos
com armas de brinquedo
neste Natal...
Certamente ainda teremos
muitas balas perdidas
voando no lugar das borboletas
e dos beija-flores.


Gilbamar de Oliveira

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

CANSEI DAS ILUSÕES



Cansei de correr atrás das ilusões,
De tentar surpreender a felicidade
Com mãos eivadas de senões
A tatear no escuro buscando a claridade
Basta de atoleimadas decisões
Num mundo repleto de falsidade
Onde enganos, temores e alucinações
Povoam corações, arruínam dignidades

Farto, sim, desencantado das desilusões
Necessito desgarrar-me das abstrações,
Do desconcreto, e mesmo dos devaneios
Liberto-me em defintivo das indecisões,
Do indefectível julgo das aflições
Do estresse, do medo, de velhos anseios


Gilbamar de Oliveira

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

CANTO DO MEU NORDESTE

Foto: baixaki.ig.com.br









Gilbamar de Oliveira


Meu céu é de um azul escandaloso, pespegado por bordados
De nuvens esparsas como pequeninos flocos de

Algodão displicentemente jogados por algum moleque doidão
Que ousou enfrentar os tiranos da falsidade do do sorriso feio

Meu sol é ousadamente intenso, forte, escaldante, furioso.
Há pássaros negros sobrevoando o espaço do meu Nordeste;
Tranqüilos, eles planam indiferentes ao calor...esperam...
Sabem que algum animal morrerá em pouco.. sempre sobram

Restos dos sobejos para eles.. calmamente aguardam a carniça
Porém, meu canto não é de dor, mas de suave sobriedade, de
Encantamento sem desencanto, de soberba alegria que se
Espraia em derredor e alcança cada ser humano melancólico,

Elevando-o ao alento, à indiferença, ao desgosto secular
De vidas sem a menor graça, desprovidas de futuro e vontade.
Meu chão não é somente de asfalto ou barro quentes, mas
Também de encantadoras praias ensolaradas disputadas por turistas

Que fogem da frieza sulina em busca do gostoso prazer cálido
Que ele, este chão alucinante, proporciona com as águas do
Atlântico. É terra seca pelo sol inclemente, contudo molhada
Pelas ondas sonolentas do oceano; tanto afoga quanto queima.

Meu povo assemelha-se à Fênix mitológica em suas nuanças
Pois chora e clama a fome e a dor da fome, sorri e gargalha
Por no íntimo ser o mais alegre, quiçá o mais solidário... morre
De sede, o meu povo, mas ressurge na alegria do seu folclore,

Do carnaval, dos seus forrós, lambadas e frevos. Morre
De fome, contudo divide seu pão com alguém ainda
Mais necessitado...ainda mais andrajoso. É o meu povo,
Que, conquanto triste devido as mazelas climáticas, exala a
Mais completa das alegrias... pranteia e ri a um só tempo.

Incongruência? Doçura de coração, eu diria melhor..
Minhas matas são como virgens, as mais belas e luxuriantes do
Planeta, fauna e flora interagindo no mais perfeito equilíbrio
Apesar das mãos dos homens e seus machados e serras, apesar

Dos inúmeros pesares e percalços... apesar de tantos “apesares”
E de um sem número de aflições, desgostos, desalentos...
Apesar ...é o meu povo, sim, o meu céu, o meu chão, as minhas matas.
Minhas praias inundadas de sol e lindas mulheres sensuais,



Alegria é tristeza, o meu canto é pranto, meu sorriso é esgar,
Meu tudo/nada, lágrimas descendo grossas e tépidas face abaixo,
Tendo nos olhos o mais encantador ar de riso, o típico/atípico,
Um povo valente, destemido...um chão que produz as mais variadas

E fartas frutas tropicais exportadas para os estrangeiros...o céu
Mais cheio de estrelas à noite, Ursas maiores e menores, pássaros
Que não são apenas escuros e de mau agouro, pois que voejam
Em nosso céu azul um sem número de alados sem pressa:

Joões de barro, pintassilgos, galos-de-campina, graúnas, canários,

E tantos e tantos e tantos...o meu espaço...o meu tudo, o meu todo meu.

O sol que castiga inclemente o chão já tão seco, tão sem água,

Mas também a lua que nasce linda com a noite que chega encantadora.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

POESIA

SER HOMEM
Gilbamar de Oliveira

Ser homem não é apenas exibir um olhar carrancudo
não é trincar os dentes num rosto frio e taciturno
mostrando os punhos cerrados e desafiando tudo
para que não descubram a criança sob o ar casmurro

Também não é conter sentimentos num ar de seriedade
nem se achar valentão e espantar todo mundo
quando, no recôndito d’alma, deseja chorar de saudade
porque tristemente perdeu o seu amor mais profundo

Não é só tórax musculoso e bíceps de aço, o homem,
ou jeito de machão que não tem medo de ninguém
nem o exibicionismo pueril do malhado abdome -
não se mede o homem pelos músculos que ele tem

Ser homem é só e simplesmente fazer-se humano,
é ter sensibilidade para não esconder a emoção
e mesmo em qualquer instante, ainda que insano,
escutar abertamente a voz que vem do coração

É saber pedir perdão com humildade, o ser homem,
reconhecer que errou porque a falha é bem gente
e entender que no ir e vir do tempo os erros somem
no perdoar, ser perdoado e sentir o que o outro sente

*TSUNAMIS

Gilbamar de Oliveira

Talvez o oceano dance
a valsa com suas tsunamis
e varra, súbito, os pretensos
donos da terra para debaixo
do tapete do esquecimento,
para as sombras, para as águas.
A morte captura homens
molhados.
Morrer no mar não é doce,
é salgado.


*Obs.: o poema acima ganhou menção honrosa no Concurso de Poesias da Fundação José Augusto, em 2006.