sexta-feira, 31 de agosto de 2007

SALVE 31 DE AGOSTO!!!!


Hoje é um dia muito especial para mim, único, próprio, sui gêneris. Nem sei como ele começou depois desses anos todos. É que as lembranças vão ficando para trás igual a uma charrete quebrada e, sói acontecer isso, vamos deixando nos velhos arquivos as recordações empoeiradas, as fotos desbotadas, e o tempo segue seu curso lentamente e quase esquecendo visões e sonhos. Então o passado parece se esvair à guisa da chuva caindo em solo crestado pela inclemência solar e desaparece numa rapidez estonteante. As coisas e os fatos se acumulam em nossa mente e nos fazem misturar tudo, os sonhos e as ilusões evaporaram, desapareceram, se foram. Resta, assim, o futuro. Porque o hoje acontece tão rapidamente, de modo tão corriqueiro e sutil que não percebemos os pequenos detalhes, as circunstâncias. Nossos olhos vêem o turbilhão em pleno êxtase todavia somente uns traços são conservados na memória. Talvez como uma onda, o viver vai e volta, vai e volta, vai e volta...eternamente. Nós vamos, nossos filhos voltam, estes vão e nossos netos voltam, formando um ciclo interminável, incansável. Nesse diapasão meio difuso, qual a razão coerente desse breve texto? Ah, dêem importância não! É que hoje é o meu aniversário, sabem...é, o tempo é mesmo sádico, ninguém escapa dele. Bem, pelo menos para mim: SALVE O DIA 31 DE AGOSTO!!!!!!!!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

POESIA

SER HOMEM
Gilbamar de Oliveira

Ser homem não é apenas exibir um olhar carrancudo
não é trincar os dentes num rosto frio e taciturno
mostrando os punhos cerrados e desafiando tudo
para que não descubram a criança sob o ar casmurro

Também não é conter sentimentos num ar de seriedade
nem se achar valentão e espantar todo mundo
quando, no recôndito d’alma, deseja chorar de saudade
porque tristemente perdeu o seu amor mais profundo

Não é só tórax musculoso e bíceps de aço, o homem,
ou jeito de machão que não tem medo de ninguém
nem o exibicionismo pueril do malhado abdome -
não se mede o homem pelos músculos que ele tem

Ser homem é só e simplesmente fazer-se humano,
é ter sensibilidade para não esconder a emoção
e mesmo em qualquer instante, ainda que insano,
escutar abertamente a voz que vem do coração

É saber pedir perdão com humildade, o ser homem,
reconhecer que errou porque a falha é bem gente
e entender que no ir e vir do tempo os erros somem
no perdoar, ser perdoado e sentir o que o outro sente

Foto: Gilbamar de Oliveira

* Autobusca
Gilbamar de Oliveira

Quanto mais me busco
no mais recôndito de mim,
só consigo vislumbrar,
malgrado todo esforço,
ainda que eu seja assim,
contornos de linhas tortas.

É que nasci com a testa
voltada para o sol, os olhos
semicerrados, a boca
entreaberta, e os traços
de minhas mãos não
passavam de linhas mortas

Nem sei se sou poeta,
se brado o canto de
amor, se ando a esmo
e sem meta, se intento
desfazer o nó dessa
amarga e imensa dor

Decerto me fiz trovador
cantando vãs ilusões
e vi no brilho dos olhos
de muitos não só o
pavor, mas a extensão
desses enormes senões


Obs.: o poema acima ganhou menção honrosa no Concurso de Poesias da Fundação José Augusto, em 2006.

MENÇÃO HONROSA

O Conto A TERNURA DO AMOR, com o qual concorri no Concurso de Contos do SEEB, ganhou menção honrosa, em 28/8/07.

*TSUNAMIS

Gilbamar de Oliveira

Talvez o oceano dance
a valsa com suas tsunamis
e varra, súbito, os pretensos
donos da terra para debaixo
do tapete do esquecimento,
para as sombras, para as águas.
A morte captura homens
molhados.
Morrer no mar não é doce,
é salgado.


*Obs.: o poema acima ganhou menção honrosa no Concurso de Poesias da Fundação José Augusto, em 2006.

ALGUMAS TROVAS DE MINHA AUTORIA

Teus olhos são duas brasas

Esvoaça teu cabelo
ao leve toque do vento,
em mim se quebra o gelo
no fogo do pensamento

Meu corpo reage ao teu
no impulso do desejo
e no auge do sonho meu
eu acordo e não te vejo

Pouco sonho acordado
Porque tão dura é a vida,
Certo, sou exagerado
Mas não vejo outra saída

Tento ser inteligente
Mas não consigo entender
Como é que tanta gente
Leva esta vida sem ler

Quisera falar com ardor
mas não tenho como dizer
o tamanho do grande amor
que eu sinto por você

Hoje estou inspirado
ganhei beijos do meu amor
e me sinto tão amado
que no frio tenho calor

Retiro a pétala da flor
como se despisse devagar
o corpo quente do meu amor
para com ela namorar

Pense bem no que deseja,
reflita sempre e recorde
que a mesma boca que beija
também esbraveja e morde

O coração se entristece
quando sofre uma ilusão
e o corpo todo padece
quando finda uma paixão