quinta-feira, 6 de setembro de 2007



VOCÊ FUMA? AME-SE


A ciência já comprovou inúmeras vezes ao mundo os gravíssimos males que o cigarro pode causar. Alertou e alerta com freqüência aos fumantes e familiares sobre as diversas modalidades de câncer, escondidas em cada tragada e os estragos danosos daí advindos. Mormente tem deixado bastante claro a respeito da morte horrenda, dolorosa e vagarosa para quem for subjugado por tumores cancerígenos causados pelo fumo. Quem fuma, tenho certeza quase absoluta, está devidamente ciente de que poderá, no futuro, talvez em breve ou, quem sabe, na próxima tragada, hospedar em seu organismo o mais cruel inimigo do homem, um câncer. Que pode alojar-se na boca, na garganta, no pulmão, no intestino, no estômago ou em qualquer parte do corpo, a partir de então iniciando a lenta agonia do seu hospedeiro até levá-lo à morte caso o problema não seja detectado e tratado por especialistas logo no começo. E vocês já podem imaginar, indubitavelmente, as dores cruciantes causadas pelo agravamento dessa terrível doença, que vão, de maneira macabra, comendo vivo o pobre coitado que é vítima de suas garras afiadas, brutais e selvagens.
Talvez você que, por um desses acasos da vida, esteja lendo este artigo sorria zombeteiro e diga para si mesmo ser bobagem falar de morrer quando, um dia, todos passaremos por esse estágio final. Pode ser que você seja do tipo que, tolamente, pensa: "quem não fuma morre, quem fuma morre também". O grande nó da questão, contudo, não é esse. O assunto é muito sério para ser tratado tão vulgarmente. Estamos falando, sobretudo, do durante o período de agonia e do sofrimento duradouro provocado pelo câncer em seu andamento a princípio imperceptível, depois palpável e insolúvel, tempo que pode, sem dúvida, durar meses ou anos. Até, finalmente, a morte aplicar o golpe de misericórdia. Mas esse intervalo é de muita, muita dor. Morrer fulminado por um câncer qualquer, tendo passado meses ou anos de angústia dolorosa, é totalmente diferente de quem morre já velhinho após uma vida saudável, ativa e feliz. Dá para, ao menos, ter uma pálida idéia e imaginar as dores lancinantes causadas por um câncer na boca? E na garganta, no estômago, no pulmão, no intestino? Certamente não para quem, mesmo fumando, ainda não alcançou esse mar da tormenta em sua vida. Porém, se continuar pitando o seu cigarrinho "inocente", saltar para o estágio de vários maços diários e se comprometer com o vício ao longo do tempo, com certeza a probabilidade de chegar lá se tornará bastante alta. Não importa se outros tipos de câncer atingem algumas pessoas por razões diversas como alimentação inadequada (muitas vezes devido à pobreza mesmo, visto que a grande maioria dos cidadãos brasileiros não tem condições de comprar os alimentos integrais), sol em demasia na praia durante os horários perigosos, etc. Fumar é uma escolha particular, absolutamente péssima por sinal. Assim como beber e, com os anos, tornar-se alcoólatra. Nesses casos, todavia, o próprio indivíduo quis e procurou esses males até viciar-se, diferente de quem se alimenta mal por uma questão de necessidade financeira ou passa horas e horas andando de um lado para o outro sob o sol nas praias para trabalhar e sobreviver, a exemplo dos vendedores ambulantes obrigados pelas circunstâncias a submeter-se a essa atividade.Quando vejo por aí jovens e adultos fumando com uma tranqüilidade de causar pena, fico atônito e sentindo um forte desejo de suplicar que joguem no lixo aquela brasa venenosa que penetra em seu organismo como dardos impiedosos. Quisera, então, perguntar-lhes se desconhecem o perigo daquela fumacinha intermitente cheia de nicotina mortífera que é jogada para seus pulmões como se fosse, a seus olhos, um doce olor de flores, quando, na verdade, não passa de morte em forma de doce vício. E fico pensando, assim meio desnorteado, essa proeza estonteante dos fumantes quando afirmam que fumar distrai e faz passar o tempo. Que tétrica distração é essa? Que tempo mal curtido, bem se vê! Mas sei que, infelizmente, muitos ainda morrerão devido ao cigarro, sejam fumantes ativos ou passivos, neste caso os filhos, colegas de profissão, amigos da farra, etc. E o cigarro continuará iludindo tanto a jovens quanto a pessoas maduras na sua intermitência maligna. Pena, muita pena. Afinal de contas, fumar é um verdadeiro atraso de vida.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

AMOR QUE RASGA E REMENDA

Esse tresloucado amor que me consome
E me faz cometer monumentais loucuras,
Que espera meu mutismo e o meu reclame,
Tudo a um só tempo, é poço de amarguras

Dói, fere e machuca, é prazeroso contudo
Posto que concede as mais lídimas alegrias
Mescladas à melancolia mais que tudo
Amor gozoso, mas de incontáveis agonias

É amor que, embora amedronte, fascina,
Mesmo entristecendo e ferindo, sublima
Sentimento que conquanto rasgue, remenda

A entrecortar gemidos de gozo e sofrer
Enquanto ensina a simples lição de não ser
Para que o mais comum dos homens entenda

Gilbamar de Oliveira

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

CANTO DO MEU NORDESTE

Foto: baixaki.ig.com.br









Gilbamar de Oliveira


Meu céu é de um azul escandaloso, pespegado por bordados
De nuvens esparsas como pequeninos flocos de

Algodão displicentemente jogados por algum moleque doidão
Que ousou enfrentar os tiranos da falsidade do do sorriso feio

Meu sol é ousadamente intenso, forte, escaldante, furioso.
Há pássaros negros sobrevoando o espaço do meu Nordeste;
Tranqüilos, eles planam indiferentes ao calor...esperam...
Sabem que algum animal morrerá em pouco.. sempre sobram

Restos dos sobejos para eles.. calmamente aguardam a carniça
Porém, meu canto não é de dor, mas de suave sobriedade, de
Encantamento sem desencanto, de soberba alegria que se
Espraia em derredor e alcança cada ser humano melancólico,

Elevando-o ao alento, à indiferença, ao desgosto secular
De vidas sem a menor graça, desprovidas de futuro e vontade.
Meu chão não é somente de asfalto ou barro quentes, mas
Também de encantadoras praias ensolaradas disputadas por turistas

Que fogem da frieza sulina em busca do gostoso prazer cálido
Que ele, este chão alucinante, proporciona com as águas do
Atlântico. É terra seca pelo sol inclemente, contudo molhada
Pelas ondas sonolentas do oceano; tanto afoga quanto queima.

Meu povo assemelha-se à Fênix mitológica em suas nuanças
Pois chora e clama a fome e a dor da fome, sorri e gargalha
Por no íntimo ser o mais alegre, quiçá o mais solidário... morre
De sede, o meu povo, mas ressurge na alegria do seu folclore,

Do carnaval, dos seus forrós, lambadas e frevos. Morre
De fome, contudo divide seu pão com alguém ainda
Mais necessitado...ainda mais andrajoso. É o meu povo,
Que, conquanto triste devido as mazelas climáticas, exala a
Mais completa das alegrias... pranteia e ri a um só tempo.

Incongruência? Doçura de coração, eu diria melhor..
Minhas matas são como virgens, as mais belas e luxuriantes do
Planeta, fauna e flora interagindo no mais perfeito equilíbrio
Apesar das mãos dos homens e seus machados e serras, apesar

Dos inúmeros pesares e percalços... apesar de tantos “apesares”
E de um sem número de aflições, desgostos, desalentos...
Apesar ...é o meu povo, sim, o meu céu, o meu chão, as minhas matas.
Minhas praias inundadas de sol e lindas mulheres sensuais,



Alegria é tristeza, o meu canto é pranto, meu sorriso é esgar,
Meu tudo/nada, lágrimas descendo grossas e tépidas face abaixo,
Tendo nos olhos o mais encantador ar de riso, o típico/atípico,
Um povo valente, destemido...um chão que produz as mais variadas

E fartas frutas tropicais exportadas para os estrangeiros...o céu
Mais cheio de estrelas à noite, Ursas maiores e menores, pássaros
Que não são apenas escuros e de mau agouro, pois que voejam
Em nosso céu azul um sem número de alados sem pressa:

Joões de barro, pintassilgos, galos-de-campina, graúnas, canários,

E tantos e tantos e tantos...o meu espaço...o meu tudo, o meu todo meu.

O sol que castiga inclemente o chão já tão seco, tão sem água,

Mas também a lua que nasce linda com a noite que chega encantadora.

domingo, 2 de setembro de 2007

POR QUE?

Indago contendo o pranto
ante este mundo louco:
por que uns poucos têm tanto
e a maioria tem tão pouco?

sábado, 1 de setembro de 2007

UM ABISMO COLOSSAL

Foto de Ana Kaddja



UM ABISMO COLOSSAL
Gilbamar de Oliveira

A grandiosidade do mar desponta como uma dimensão hipnótica e aterradora aos pequeninos e insignificantes olhos humanos. Sua imensidão astronômica chega a ser, podemos afirmar, arrogante, extravagante ousaríamos dizer.
Extraordinariamente gigantesco e assustador, aquele expressivo universo d'água esconde em suas entranhas abissais mistérios que, de tão insondáveis e absurdos, talvez o homem jamais chegue a conhecer ao longo de sua existência. Ninguém jamais conseguirá saber, por concreto, como ele é por inteiro, todos os seus meandros, a profundidade de seus abismos colossais, a característica dos inúmeros seres que o preenchem, por mais que o estudemos com denodo e nos dediquemos a profundas pesquisas para sondá-lo. Sombrio como tudo que é desconhecido e imponente, com seu intimidante cenário hostil, habitado por criaturas das mais variadas espécies, o mar guarda em suas entranhas muitas estórias de vida, lutas e morte que o tempo, aos poucos, vai embaçando com a crosta do esquecimento e o marulhar de suas ondas, que, fluindo e refluindo, abafam e confundem.
O mar é território onde o homem pisa sob cautela, cuidadoso, tomado pela ansiedade e pelo medo. Alguns o temem de modo angustiante e chegam a estremecer ante seus movimentos impetuosos capazes de varrer do mapa até mesmo os mais atrevidos transatlânticos, provocando mortes e melancolia como de fato aconteceu com o histórico Titanic, entre tantos outros malfadados registros marítimos. Na verdade, há um quê de terrível na vastidão do mar, e isso, por vezes, provoca aquele pavor que se espalha na corrente sangüínea humana e vai destruindo toda a capacidade de reflexão que alguém possa ter.
E vai deixando inerte qualquer um que tente compreende-lo o mínimo que seja, em todos os ângulos. Porque ele é hermético, obscuro e impenetrável.
Vislumbrá-lo é, a um tempo, desnorteante e maravilhoso; o desejo é mergulhar e se deixar conduzir pela inebriância de seu vai-e-vem milenar, ao tempo em que brota no coração o ímpeto de sair de perto daquele oceano apavorante e correr desabalado no sentido contrário, ficar bem longe dele, a salvo de suas ameaçadoras armadilhas, o mais distante possível de sua falsa tranqüilidade. O mar pode, decerto, ser doce para a poesia e acalanto para utópicos entusiasmados, mas é um adversário poderoso e mortal, muitas vezes um inimigo perigosamente traiçoeiro.
Tenho pelo mar e o vigor de sua força descomunal o mesmo respeito que a formiga devota ao elefante. Prefiro não ficar sob suas patas, reservo-me o direito de apenas contemplá-lo ao longe, admirando sua, vamos dizer assim, beleza perigosa. Não o enfrento, principalmente não o desafio e somente entro em seu espaço fenomenal pé-ante-pé, buscando firmeza onde piso, não me deixando empolgar por sua falsa meiguice ou por sua calmaria aparente e sem me permitir ser atraído pela ilusão de sua ternura enganosa. Pois, ao tempo em que ele é todo ternura repentinamente se transforma em fúria descontrolada, então já será tarde demais para os incautos.
No entanto o mar, convenhamos, é um imenso celeiro a nos trazer tantos benefícios. Inconstante embora, mal-humorado tantas vezes, mas gigantesca despensa a nos proporcionar, em quantidade e abundância, alimentos ricos, necessários e essenciais à nossa vida, assim é o mar. Além disso, suas águas são como estradas molhadas a levar e trazer riquezas, cultura, conhecimentos, lazer e diversão. Através do oceano vieram os descobridores e transformaram a geografia política e social dos países. Eles fizeram a história navegando por continentes e levando sua influência aos quatro cantos da Terra.
Malgrado multifacetado, com suas disparidades, incongruências e diversidade temática, e ainda que atemorize e pulse com os seres em seu universo e seja, a um tempo, inspiração para os poetas e fonte de dor e morte, o mar é a incomensurável vereda do mistério. E a vida passa por ele
"...Como nenhuma das autoridades relatadas teve a coragem de vir a público e anunciar que O CADERNO que abriga o maravilhoso poeta Caio César Muniz e sua RECITANDA, o inesquecível, incomparável e saudoso jornalista conterrâneo Dorian Jorge Freire com seus textos inéditos, a História mossoroense sempre viva nas palavras lindas de Geraldo Maia, as variedade na moda com Patrícia Silva, a tecnologia de Argolante Lopes, os belos artigos de Gilbamar de Oliveira e ESTE chato que ora lhes dirige a palavra, MUDOU DE NOME." Texto do Capitão Caverna no Caderno UNIVERSO, suplemento do jornal O Mossoroense, em 01/04/07.

"06 – O escritor Gilbamar de Oliveira, ex-funcionário do Banco do Brasil de Mossoró e colaborador do jornal O Mossoroense, administra um primoroso blog de poesias e crônicas. Boa pedida para o fim-de-semana." Tio Colorau http://erasmojur.blog.uol.com.br/ - 31/8/07


Obrigado aos amigos que se referem aos meus despretensiosos textos com tanta gentileza.