O site Cordel On Line propôs dois motes para os internautas, sendo um deles: "TÁ CHEGANDO A ELEIÇÃO E EU NÃO SEI EM QUEM VOTAR". Decidi arriscar e fiz os seguintes versos com esse mote:
Mote: Tá chegando a eleição
e eu não sei em quem votar
Vejo tanta maracutaia
na política brasileira
e tudo é noticiado
na imprensa estrangeira
O pior é que muito em breve
eles vão se candidatar
e nós ficamos sem opção,
tá chegando a eleição
e eu não sei em quem votar
É um tal de mensalão
Mutreta e fisiologismo
E o nosso dinheiro some
Como num malabarismo
Quando isso vai acabar?
Assim clama a Nação
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar
Difícil escolher direito
Os nossos representantes
A política está cheia
Dessas aves rapinantes
São todos da mesma estirpe
Nem adianta pensar
Qualquer tipo de ação
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar
Eu penso e volto a pensar
Com o meu título de eleitor
Quem merece o meu voto
Mas não é fácil seu doutor
São todos do mesmo saco
Os políticos que estão lá
Sempre enganando o povão
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar
É missão das mais inglórias
Para o infeliz eleitor
Escolher seus deputados
Sem dá voto de favor
Eu não quero mais errar
Vou fazer uma oração
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar
Quando começo a lembrar
Que vou ter que escolher
Quem vai nos representar
Chego mesmo a esmorecer
É um dilema de lascar
Nessa grande confusão
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar
Onde achar um político
Bom, honesto e verdadeiro
Que trabalhe pelo povo
Não apenas por dinheiro
Alguém que vá labutar
Mudando a situação?
Ta chegando a eleição
E eu não sei em quem votar
Como eleitor consciente
Preciso apenas refletir
E escolher um candidato
Que nunca vá me mentir
Tenho que me preparar
E seguir somente a razão
Ta chegando a eleição
E eu não sem em quem votar
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
C R Ô N I C A
POETAS
Gilbamar de Oliveira
Gilbamar de Oliveira
Somente poucos e bem poucos mesmo olham os lírios do campo e como eles vicejam maravilhosos neste mundo turbulento. Entre os homens, apenas os poetas se concedem o prazer dessa contemplação, posto que sensíveis e coadjuvantes dos devaneios. São eles os únicos a se enternecer com uma pétala arrancada de alguma flor e jogada ao desprezo do barro. E chorar. Porque os poetas choram e riem como qualquer criança faz espontaneamente. Contudo, o poeta não é apenas um ser humano encantado com tudo, até mesmo com a melancolia de onde ele faz brotar os mais lindos poemas, por vezes. É um anjo de luz, um ser encantado condutor de sentimentos, um semeador da fantasia mais cândida. O poeta é um sopro de embevecimento para a humanidade, é aquele consolo enternecedor que transforma a aspereza da vida em fragmentos de veludo. Como uma gota de colírio n’alma. Ele se encontra muito além das mazelas cotidiana dos homens porquanto tem os pés nos devaneios e moradia nas nuvens. E obteve da natureza a dádiva de ouvir e sentir muito além dos mortais comuns. Tanto que Bilac, como em êxtase, escutava as estrelas.
A mente do poeta é um poço sem fundo de sonhos. Quando muitos choram desolados, ele pode até mesmo sorrir por compreender a dor, por amá-la como sua companhia constante. O sofrer não é via de mão dupla para ele, que caminha sobre a amargura da mesma forma como deixa passadas sobre a alegria passageira; adormece abraçado às madrugadas como igualmente se enamora da noite; deixa-se empolgar com o gorgeio dos pássaros ou guia-se pelo brilho vivo dos olhos femininos, como pára ante a rosa em destaque no jardim e permanece com os olhos fitos nela como se temporariamente estivesse petrificado, embora esteja somente quedo pelo indizível prazer de contemplá-la e sentir-lhe o perfume. Mas é certo que o poeta sofre – e clama só, na solidão do seu eu desencantado por instante - e entra, a um só tempo, em maravilhoso transe e inigualável alquimia com a realidade. Ele tanto pode surpreender-se todo feliz ante o desabrochar da flor quanto gritar impropérios contra a impunidade e a injustiça. O bardo não tem meias palavras, não é apenas bom entendedor, mas aquele que penetra no âmago das questões e se aprofunda. Vai fundo em seus ensejos e viaja no universo do tudo sem ao menos dar um passo... é levado pela velocidade de seus versos e transportado pelas asas da imaginação profícua. Nunca subestime esse lavrador dos sonhos e artista das letras. Até as pedras saem apressadas das veredas para dar passagem aos poetas, deixando espaço para eles alcançarem o colimado. Ao vê-lo em silêncio, os olhos cerrados por momentos ou fitos demoradamente nalgum ponto circunstante não se surpreenda, ele está gerando a poesia, sublime ato de criação tão próprio dele. É bem ali, no mais recôndito de seu coração, que o poeta vagueia quase displicente como um menino irrequieto que brinca com o faz de contas. Mas se as lágrimas surgem repentinas molhando suas faces e desaguando em seus lábios contorcidos, não se angustie, deixe-o em paz: ele está feliz e contaminado pelo cheiro das flores pejadas de beijos trocados com os beija-flores em transe. Conquanto em lágrimas, se o observar atentamente perceberá que ele está em êxtase, que dá-se por feliz por estar em comunhão com a exuberância da vida e dela fazer parte como uma expressão que também viceja e pulsa no complexo universo da existência. Está, desse modo, como que vagando dentro de si mesmo talvez buscando o imponderável, provavelmente desejando o impossível para o comum dos mortais insensíveis mas não para ele, que é sonhador. Decerto anseia mergulhar no luar e deixar-se envolver pela amplitude do seu brilho, quiçá opte por aquecer a paixão no esplendor do sol ou iluminar seus versos com a poética das estrelas, ou então verseja para o recôndito da própria alma. Assim, feito uma criança sapeca. Porque o poeta é assim mesmo, um inesperado, um pássaro sem asa que voa além-mar, uma notável surpresa a todo instante.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
A CADELA E O PADRE - Final
Afinal de contas, é certo,
O santo dos passarinhos
São Francisco de Assis
Falava com os bichinhos
Chamava a lua de irmã
E o sol era seu irmãozinho
Então que ela fique por lá
Deitada no seu banquinho
Enquanto a missa é rezada
- Bem fechado o seu focinho –
À espera que o padre termine
E não saia da igreja sozinho
E assim a cadela Letícia
Que foi notícia e manchete
Vai continuar assistindo
Em sua pose de vedete
O ritual da santa missa
Toda orgulhosa e coquete
Eis um pequeno resumo
Desse sui-generis caso
Tão esquisito e confuso
Um fulminante arraso
Que faz cabelo arrepiar
E besta afogar-se no vaso
Era o que eu tinha a narrar
A respeito desse fato
Pois achei interessante
Eu mostro o pau e a cobra mato
Quem fala assim não é gago
É homem deveras no ato
O santo dos passarinhos
São Francisco de Assis
Falava com os bichinhos
Chamava a lua de irmã
E o sol era seu irmãozinho
Então que ela fique por lá
Deitada no seu banquinho
Enquanto a missa é rezada
- Bem fechado o seu focinho –
À espera que o padre termine
E não saia da igreja sozinho
E assim a cadela Letícia
Que foi notícia e manchete
Vai continuar assistindo
Em sua pose de vedete
O ritual da santa missa
Toda orgulhosa e coquete
Eis um pequeno resumo
Desse sui-generis caso
Tão esquisito e confuso
Um fulminante arraso
Que faz cabelo arrepiar
E besta afogar-se no vaso
Era o que eu tinha a narrar
A respeito desse fato
Pois achei interessante
Eu mostro o pau e a cobra mato
Quem fala assim não é gago
É homem deveras no ato
terça-feira, 2 de outubro de 2007
A CADELA E O PADRE - PARTE V
Foi nesse lugarzinho mesmo
- Não me refiro a dimensão -
Onde o “causo” houve de fato
Como uma grande confusão
E prossegue acontecendo
Com a cadela de estimação
E o capelão Ilson Frossard
Da igreja mencionada,
O que ele fala a respeito
Dessa estória inusitada?
Diz que a bicha é sombra dele,
Brincando sobre a danada
Claro que o amor humano
Pelos animais é muito bom
Vai ativando a existência
E dando à vida um novo tom
Tipo aquele sentimento
Que nada tem de marrom
Quero deixar bem registrado
Que o interesse da cadela
Não é na missa, é só no padre
O homem que cuidou dela
E se é da igreja que ele gosta
Isso também é bom pra ela
Ah! É importante exaltar
Que o animal de que falo
Dentro da igreja não late
E a missa não sofre abalo
Tendo até gente que gosta
Mesmo na missa do galo
De modo que a cadela
Virou notícia nacional
O País inteiro hoje sabe
Que até mesmo um animal
Assiste à missa diária
Sem entender seu ritual
Não inventei este relato,
Basta você pesquisar
Lá na Folha de São Paulo
Que a notícia vai achar
Está tudo registrado
Não tem como se enganar
Assim, quando for pesquisar
Escreva Letícia e procure
Na internet tem de tudo
Não faça promessa nem jure
Vai encontrar sem problema
“Inda” que a ânsia perdure
Quando a notícia for ler
Não fique tão intrigado
Vá com calma e compreenda
Que está tudo dominado
A vida tem dessas coisas
Tem até cachorro veado
Tem, sim, não fique surpreso,
Vi isso na televisão
É estranho e surpreendente
Esse é mesmo um mundo cão
Tem homem virando mulher
E um monte de mulher machão!
Mas deixemos isso pra lá
Nada tem com o meu relato
Falo sobre a cadela Letícia
Uma cachorra, não um gato,
A quem é permitido assistir
Um religioso ato
Como o padre está debaixo
De maior autoridade
Era normal que contassem
Ao Arcebispo da cidade
Para que ele e seus pares
Comentassem a novidade
Os superiores do padre,
Quando o fato comentaram,
Até citaram São Francisco
E os dois casos compararam
Pois são ambos semelhantes
Por isso mesmo relevaram
Pelo meu entendimento
A arquidiocese deu aval
Para o padre rezar missa
Tendo ao lado o animal
Pois pelo que ela falou
Isso não faz qualquer mal
Nesse mérito eu não entro
Não sou cara intrometido
Apenas escrevo de leve
A respeito do ocorrido
Afinal, não é problema meu,
Não quero ser atrevido
...amanhã a última parte
- Não me refiro a dimensão -
Onde o “causo” houve de fato
Como uma grande confusão
E prossegue acontecendo
Com a cadela de estimação
E o capelão Ilson Frossard
Da igreja mencionada,
O que ele fala a respeito
Dessa estória inusitada?
Diz que a bicha é sombra dele,
Brincando sobre a danada
Claro que o amor humano
Pelos animais é muito bom
Vai ativando a existência
E dando à vida um novo tom
Tipo aquele sentimento
Que nada tem de marrom
Quero deixar bem registrado
Que o interesse da cadela
Não é na missa, é só no padre
O homem que cuidou dela
E se é da igreja que ele gosta
Isso também é bom pra ela
Ah! É importante exaltar
Que o animal de que falo
Dentro da igreja não late
E a missa não sofre abalo
Tendo até gente que gosta
Mesmo na missa do galo
De modo que a cadela
Virou notícia nacional
O País inteiro hoje sabe
Que até mesmo um animal
Assiste à missa diária
Sem entender seu ritual
Não inventei este relato,
Basta você pesquisar
Lá na Folha de São Paulo
Que a notícia vai achar
Está tudo registrado
Não tem como se enganar
Assim, quando for pesquisar
Escreva Letícia e procure
Na internet tem de tudo
Não faça promessa nem jure
Vai encontrar sem problema
“Inda” que a ânsia perdure
Quando a notícia for ler
Não fique tão intrigado
Vá com calma e compreenda
Que está tudo dominado
A vida tem dessas coisas
Tem até cachorro veado
Tem, sim, não fique surpreso,
Vi isso na televisão
É estranho e surpreendente
Esse é mesmo um mundo cão
Tem homem virando mulher
E um monte de mulher machão!
Mas deixemos isso pra lá
Nada tem com o meu relato
Falo sobre a cadela Letícia
Uma cachorra, não um gato,
A quem é permitido assistir
Um religioso ato
Como o padre está debaixo
De maior autoridade
Era normal que contassem
Ao Arcebispo da cidade
Para que ele e seus pares
Comentassem a novidade
Os superiores do padre,
Quando o fato comentaram,
Até citaram São Francisco
E os dois casos compararam
Pois são ambos semelhantes
Por isso mesmo relevaram
Pelo meu entendimento
A arquidiocese deu aval
Para o padre rezar missa
Tendo ao lado o animal
Pois pelo que ela falou
Isso não faz qualquer mal
Nesse mérito eu não entro
Não sou cara intrometido
Apenas escrevo de leve
A respeito do ocorrido
Afinal, não é problema meu,
Não quero ser atrevido
...amanhã a última parte
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
A CADELA E O PADRE - IV
Como tem coisas no mundo
Confusas e interessantes
Pense num fato estranho
Mas pense muito e bastante
E é só desfolhar qualquer jornal
Que eu mostro num instante
Quem haveria de imaginar
Que de fato existisse
Em nosso imenso Brasil
Tamanha esquisitice?
E, olhe, é porque eu não minto
Imagine se eu mentisse!
Dá inclusive pra pensar
Que é tudo imaginação.
Pois onde se ouviu dizer
Que na igreja entrasse cão
Embora esse de que falo
Seja bicho de estimação?
Só que o fato é verdadeiro
Prego batido, comprovado,
Não tem como desmentir
Está todo documentado
E se você desconfiar
Eu mostro o certificado
Sabe onde isso aconteceu?
Na Igreja da Cruz Torta
Lá no Alto de Pinheiros
Numa rua meio morta
Zona Oeste de São Paulo
Onde o vento fere e corta
Confusas e interessantes
Pense num fato estranho
Mas pense muito e bastante
E é só desfolhar qualquer jornal
Que eu mostro num instante
Quem haveria de imaginar
Que de fato existisse
Em nosso imenso Brasil
Tamanha esquisitice?
E, olhe, é porque eu não minto
Imagine se eu mentisse!
Dá inclusive pra pensar
Que é tudo imaginação.
Pois onde se ouviu dizer
Que na igreja entrasse cão
Embora esse de que falo
Seja bicho de estimação?
Só que o fato é verdadeiro
Prego batido, comprovado,
Não tem como desmentir
Está todo documentado
E se você desconfiar
Eu mostro o certificado
Sabe onde isso aconteceu?
Na Igreja da Cruz Torta
Lá no Alto de Pinheiros
Numa rua meio morta
Zona Oeste de São Paulo
Onde o vento fere e corta
Assinar:
Postagens (Atom)
