terça-feira, 16 de outubro de 2007

MOTE: Bastou virar presidente
para ele se transformar

Quando Lula era do contra
Com sua barba escura
E tinha um partido fraco
Brigava contra a censura
Querendo o Brasil mudar
Mas não mais que de repente
Bastou virar presidente
Para ele se transformar

Quem não está lembrado
Daquele homem barbudo
Esbravejando no palanque
Desejando trocar tudo
Para o País melhorar?
Contudo, sutilmente,
Bastou virar presidente
Para ele se transformar

De metalúrgico que era
Homem de guerra e luta
Virou personalidade
E contra política fajuta
Clamava até se cansar
Porém, repentinamente,
Bastou virar presidente
Para ele se transformar

Alguém aí já esqueceu
Que, estando na oposição,
Ele lutava contra a CPMF
Que tanto afligia a Nação
Fazendo questão de realçar
Sua luta independente?
Bastou virar presidente
Para ele se transformar

Por que tanta ansiedade
Para aprovar tal imposto
Se tantos já sugam do povo
Até o sangue do seu rosto?
Mas é seu querer renovar
Esse ônus inclemente
Bastou virar presidente
Para ele se transformar


Gilbamar de Oliveira

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

P A S M E M!!


A senhora idosa entrou no ônibus, tateou na bolsa cor de vinho à procura de seu cartão de gratuidade, impedindo o fluxo normal das pessoas que buscavam o coletivo, demorou alguns segundos na busca e, finalmente, o encontrou para alegria de todos formando fila atrás dela. Andou descontraída até quatro filas de cadeiras antes do local onde eu estava, olhou para ambos os lados, espirrou e limpou o nariz com a costa da mão, retirou o óculos da bolsa, colocou-o no rosto, perscrutou novamente o ambiente e sentou. O transporte seguiu seu caminho naquela lentidão característica dos coletivos, apanhando e desovando passageiros nas paradas ao longo do seu percurso. E a velhinha lá no seu canto, sozinha, de vez em quando espirrando de maneira estrondosa e passando a mão nas narinas sem dar a menor importância se a estavam observando ou não. Não sei qual era o seu destino e nem entendi porque fiquei a observá-la em quase todo o trajeto. É que, não compreendo, ela me pareceu irresistivelmente ingênua e simples, franca e complexa, em suma uma figuraça só encontrada nos livros de escritores como Machado de Assis e Stendhal.
Em determinado momento, parando num dos inúmeros semáforos da cidade, avistei outro ônibus que chegava e fazia a parada obrigatório no sinal vermelho, ficando paralelo àquele onde nos encontrávamos. Quatro estudantes estavam sentados no coletivo ao lado do nosso, duas garotas e dois jovens, todos adolescentes. De repente, para meu espanto, notei que o garoto ao lado da janela próxima daquela onde estava a velha senhora pegou algo do bolso, fez como que um bola com as duas mãos e, certeiro, jogou a coisa na cabeça da malfadada senhora, que nesse exato momento deitava os olhos sobre um folder de algum supermercado. O lançamento foi impecável e o impacto, como não poderia deixar de ser, atordoou-a momentaneamente. Ela olhou na minha direção com expressão irada, soltando fumaça pelas ventas, pelos olhos e pelos ouvidos. O sinal continuava fechado, os ônibus, paralelos, o pivete ficou de costas para nós e ria a não poder mais acompanhado pelos colegas. Enquanto isso, a mulher me olhava com cara de poucos amigos pensando que tinha sido eu o autor da insultuosa façanha, pasmem! Imediatamente, então, indignado, apontei o verdadeiro culpado com a veemência necessária ao deslinde do problema:
_Foi aquele moleque do ônibus ao lado, minha senhora, foi esse pivete vestido de estudante quem jogou isso na senhora, esse que está de costas.
Ela virou-se para a janela, viu o perfil do rosto debochado do adolescente aberto num largo sorriso de afronta, tomou do mesmo objeto que ele jogara e, com pontaria certeira, arremessou-o de volta, atingindo-o em cheio na nuca. O danado do garoto quase caiu com a força da pancada.
Nesse instante o sinal abriu e os dois ônibus coletivos saíram no mesmo rumo. A mulher idosa agora ria toda feliz com a façanha vingativa. E num súbito momento, quando o danado do adolescente, passando a mão em torno do pescoço, virou-se carrancudo e infeliz porque não esperava reação à sua agressão gratuita, a mulher levantou o braço e estirou o dedo fura-bolo num expresso gesto obsceno.
Antes que o ônibus que estivera no sinal ao lado do nosso ganhasse distância, ultrapassando-nos, ainda pude ver a cara de espanto que o garoto fez ante a atitude da velha senhora. É evidente que nem todas as senhoras idosas, com cara de boas velhinhas, suportam mansamente ser agredidas de maneira imbecil por um adolescente e deixar tudo por isso mesmo, sem troco.
Gilbamar de Oliveira

domingo, 14 de outubro de 2007

Assim como o amor, os livros deveriam estar sempre no coração de homens e mulheres.
A Feira do Livro de Mossoró 2007, que começará dia 23 indo até 28 de outubro, é uma prova de amor à inteligência. Vamos todos participar e ler, ler muito.



POEMA



Foto do autor

OCASO

Sou meramente um sol que, ao entardecer,
foge da noite e se põe colorindo as nuvens
usando os raios como pincel.
Então me transformo em luar

Recolho meus raios ao ocaso do Ocidente
e, num toque sutil de magia, deixo metade
do Planeta Terra às escuras momentâneamente.
Até me vestir de luar

Vou enchendo de cores o horizonte quando faço arte
na tarde que morre e pincelo o espaço com tons negros
deixando meus raios ser estrelas. Mas apenas estrelas
não iluminam a vida. Por isso me faço luar

Assim, meio sol e meio lua ao cair da noite,
como aquele desperto no Oriente, como esta
brinco nas águas dos mares e apago a escuridão
surgindo à guisa de luar.

Gilbamar de Oliveira

sábado, 13 de outubro de 2007

S O N E T O

CAMINHOS POÉTICOS

Em jardins proibidos colho raras flores
Arrebento correntes, desfaço males
Destruo a maldade e o ódio, colho amores
Dissuado a vingança, percorro vales

Pesco tubarões famintos em alto mar
Sem medo, vou ao fundo do oceano
Desfaço nó cego sem pestanejar
Sou um homem antediluviano

De olhos vendados venço o dinossauro
Com uma mão só amarro o Minotauro
Mesmo triste, é intensa a minha alegria

À luz do luar ouço o Tema de Lara
Vou descalço e só ao deserto do Saara
Nos mágicos caminhos da poesia

Gilbamar de Oliveira

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

DIA DA CRIANÇA

Todos nós gostaríamos de voltar a ser criança, de começar a viver novamente. A infância é o período mais encantador da vida humana, quando as descobertas se iniciam e o universo infantil vai se ampliando paulatinamente. Tudo que é bonito no mundo embevece meninos e meninas, eles voltam sua atenção para as descobertas, para as novidades e vão formando a personalidade que carregarão a existência inteira. Penso no futuro de nossos filhos e netos por isso dói constatar a horrenda possibilidade de legar a eles uma Terra sombria, furiosa e capaz de destruí-los por nossa própria culpa. Os adultos queimam e destroem florestas, matam rios e animais e vão exaurindo as possibilidades de porvir para nossas crianças tão cheias de sonhos e esperança. Clamo aos muitos homens ainda decentes e amorosos de nossa geração para, juntos, empreender uma séria batalha contra os destruidores de nosso Planeta.
Para homenagear as crianças fiz essas trovas, a título também de reflexão:

Cuidem bastante de mim
Sou semente do futuro
Tratem bem esse jardim
Não me deixem em apuro

Em cada lar nasce flor
Que brota da aliança
Feita de muito amor
Sob a luz da esperança

Queimando nossas matas
E extinguindo animais
Marcaremos logo a data
Dos nossos dias finais

Que mundo deixaremos
Para nossos filhos e netos:
Um de que nos orgulhemos
Ou só restos e dejetos?

Precisamos preservar
O Planeta que habitamos
Se não, que iremos legar
Àqueles a quem amamos?


Não quero ganhar brinquedo
Nesse dia da criança
Desejo perder o medo

De não ter mais esperança

Gilbamar de Oliveira