REFLEXOS
Perscrutei o lindo céu azul
dos teus olhos e entrevi
contornos fragmentados
de estrelas cadentes.
Tua alma apagara,
teu céu continha flocos
de algodão borrados
de lágrimas. Então sorri para
teu recôndito e as flores
brotaram subitamente
vívidas em muitos
tons coloridos.
Abriste-me a porta do teu coração
e as dores escondidas
foram despejadas sobre mim
e já não havia primavera, tudo
se tornara ocasos aguardando
a noite escura.
Sussurrei doces palavras
de encantamento e trouxe
de volta o sorriso azul.
Já não deparei com emudecimentos,
o silêncio metamorfoseou-se em risos
melodiosos.
O pranto sem cor terminou,
a dor aquietou-se nos braços
do amor. A saudade adormeceu
cândida nas profundezas oceânicas
e se foi, cera derretendo num vulcão.
É consolador assistir à vitoria
do amor.
Gilbamar de Oliveira
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
GRINALDA DE TROVAS - A SECA
QUANDO HÁ SECA NO SERTÃO
MORRE O MILHO E O GADO
O SOL ESTURRICA O CHÃO
E FICA TUDO DESOLADO
Pobre, a terra esmorece
debilitada na sequidão,
e a vida desaparece
QUANDO HÁ SECA NO SERTÃO
O sol refulge queimando
o campo esturricado
e com a água acabando
MORRE O MILHO E O GADO
faminto, o boi desfalece
no alvorecer do sertão,
quando o dia amanhece
O SOL ESTURRICA O CHÃO
O campo é só tristeza,
é melancólico o roçado,
a planta perde a beleza
E FICA TUDO DESOLADO
Gilbamar de Oliveira
MORRE O MILHO E O GADO
O SOL ESTURRICA O CHÃO
E FICA TUDO DESOLADO
Pobre, a terra esmorece
debilitada na sequidão,
e a vida desaparece
QUANDO HÁ SECA NO SERTÃO
O sol refulge queimando
o campo esturricado
e com a água acabando
MORRE O MILHO E O GADO
faminto, o boi desfalece
no alvorecer do sertão,
quando o dia amanhece
O SOL ESTURRICA O CHÃO
O campo é só tristeza,
é melancólico o roçado,
a planta perde a beleza
E FICA TUDO DESOLADO
Gilbamar de Oliveira
terça-feira, 16 de outubro de 2007
MOTE: Bastou virar presidente
para ele se transformar
Quando Lula era do contra
Com sua barba escura
E tinha um partido fraco
Brigava contra a censura
Querendo o Brasil mudar
Mas não mais que de repente
Bastou virar presidente
Para ele se transformar
Quem não está lembrado
Daquele homem barbudo
Esbravejando no palanque
Desejando trocar tudo
Para o País melhorar?
Contudo, sutilmente,
Bastou virar presidente
Para ele se transformar
De metalúrgico que era
Homem de guerra e luta
Virou personalidade
E contra política fajuta
Clamava até se cansar
Porém, repentinamente,
Bastou virar presidente
Para ele se transformar
Alguém aí já esqueceu
Que, estando na oposição,
Ele lutava contra a CPMF
Que tanto afligia a Nação
Fazendo questão de realçar
Sua luta independente?
Bastou virar presidente
Para ele se transformar
Por que tanta ansiedade
Para aprovar tal imposto
Se tantos já sugam do povo
Até o sangue do seu rosto?
Mas é seu querer renovar
Esse ônus inclemente
Bastou virar presidente
Para ele se transformar
Gilbamar de Oliveira
para ele se transformar
Quando Lula era do contra
Com sua barba escura
E tinha um partido fraco
Brigava contra a censura
Querendo o Brasil mudar
Mas não mais que de repente
Bastou virar presidente
Para ele se transformar
Quem não está lembrado
Daquele homem barbudo
Esbravejando no palanque
Desejando trocar tudo
Para o País melhorar?
Contudo, sutilmente,
Bastou virar presidente
Para ele se transformar
De metalúrgico que era
Homem de guerra e luta
Virou personalidade
E contra política fajuta
Clamava até se cansar
Porém, repentinamente,
Bastou virar presidente
Para ele se transformar
Alguém aí já esqueceu
Que, estando na oposição,
Ele lutava contra a CPMF
Que tanto afligia a Nação
Fazendo questão de realçar
Sua luta independente?
Bastou virar presidente
Para ele se transformar
Por que tanta ansiedade
Para aprovar tal imposto
Se tantos já sugam do povo
Até o sangue do seu rosto?
Mas é seu querer renovar
Esse ônus inclemente
Bastou virar presidente
Para ele se transformar
Gilbamar de Oliveira
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
P A S M E M!!
A senhora idosa entrou no ônibus, tateou na bolsa cor de vinho à procura de seu cartão de gratuidade, impedindo o fluxo normal das pessoas que buscavam o coletivo, demorou alguns segundos na busca e, finalmente, o encontrou para alegria de todos formando fila atrás dela. Andou descontraída até quatro filas de cadeiras antes do local onde eu estava, olhou para ambos os lados, espirrou e limpou o nariz com a costa da mão, retirou o óculos da bolsa, colocou-o no rosto, perscrutou novamente o ambiente e sentou. O transporte seguiu seu caminho naquela lentidão característica dos coletivos, apanhando e desovando passageiros nas paradas ao longo do seu percurso. E a velhinha lá no seu canto, sozinha, de vez em quando espirrando de maneira estrondosa e passando a mão nas narinas sem dar a menor importância se a estavam observando ou não. Não sei qual era o seu destino e nem entendi porque fiquei a observá-la em quase todo o trajeto. É que, não compreendo, ela me pareceu irresistivelmente ingênua e simples, franca e complexa, em suma uma figuraça só encontrada nos livros de escritores como Machado de Assis e Stendhal.
Em determinado momento, parando num dos inúmeros semáforos da cidade, avistei outro ônibus que chegava e fazia a parada obrigatório no sinal vermelho, ficando paralelo àquele onde nos encontrávamos. Quatro estudantes estavam sentados no coletivo ao lado do nosso, duas garotas e dois jovens, todos adolescentes. De repente, para meu espanto, notei que o garoto ao lado da janela próxima daquela onde estava a velha senhora pegou algo do bolso, fez como que um bola com as duas mãos e, certeiro, jogou a coisa na cabeça da malfadada senhora, que nesse exato momento deitava os olhos sobre um folder de algum supermercado. O lançamento foi impecável e o impacto, como não poderia deixar de ser, atordoou-a momentaneamente. Ela olhou na minha direção com expressão irada, soltando fumaça pelas ventas, pelos olhos e pelos ouvidos. O sinal continuava fechado, os ônibus, paralelos, o pivete ficou de costas para nós e ria a não poder mais acompanhado pelos colegas. Enquanto isso, a mulher me olhava com cara de poucos amigos pensando que tinha sido eu o autor da insultuosa façanha, pasmem! Imediatamente, então, indignado, apontei o verdadeiro culpado com a veemência necessária ao deslinde do problema:
_Foi aquele moleque do ônibus ao lado, minha senhora, foi esse pivete vestido de estudante quem jogou isso na senhora, esse que está de costas.
Ela virou-se para a janela, viu o perfil do rosto debochado do adolescente aberto num largo sorriso de afronta, tomou do mesmo objeto que ele jogara e, com pontaria certeira, arremessou-o de volta, atingindo-o em cheio na nuca. O danado do garoto quase caiu com a força da pancada.
Nesse instante o sinal abriu e os dois ônibus coletivos saíram no mesmo rumo. A mulher idosa agora ria toda feliz com a façanha vingativa. E num súbito momento, quando o danado do adolescente, passando a mão em torno do pescoço, virou-se carrancudo e infeliz porque não esperava reação à sua agressão gratuita, a mulher levantou o braço e estirou o dedo fura-bolo num expresso gesto obsceno.
Antes que o ônibus que estivera no sinal ao lado do nosso ganhasse distância, ultrapassando-nos, ainda pude ver a cara de espanto que o garoto fez ante a atitude da velha senhora. É evidente que nem todas as senhoras idosas, com cara de boas velhinhas, suportam mansamente ser agredidas de maneira imbecil por um adolescente e deixar tudo por isso mesmo, sem troco.
Gilbamar de Oliveira
domingo, 14 de outubro de 2007
POEMA
Foto do autor
OCASO
Sou meramente um sol que, ao entardecer,
foge da noite e se põe colorindo as nuvens
usando os raios como pincel.
Então me transformo em luar
Recolho meus raios ao ocaso do Ocidente
e, num toque sutil de magia, deixo metade
do Planeta Terra às escuras momentâneamente.
Até me vestir de luar
Vou enchendo de cores o horizonte quando faço arte
na tarde que morre e pincelo o espaço com tons negros
deixando meus raios ser estrelas. Mas apenas estrelas
não iluminam a vida. Por isso me faço luar
Assim, meio sol e meio lua ao cair da noite,
como aquele desperto no Oriente, como esta
brinco nas águas dos mares e apago a escuridão
surgindo à guisa de luar.
Gilbamar de Oliveira
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