sábado, 8 de dezembro de 2007

MUNDO DOIDÃO - I

O que está acontecendo
Com a nossa humanidade?
O amor não tem mais vez
Estamos na obscuridade
É verdade o que estou vendo:
Um bando de homem querendo
Ganhar feminilidade?

Fosse só isso era bom
Cada um sabe o que faz
Não tenho nada com isso
O ser humano é capaz
De tirar água de pedra
E gritar pro diabo arreda!
Seja ele moça ou rapaz

E desmunhecar é opção
Vivemos a democracia
Eu só como abacate,
Você gosta de melancia,
Aquele pratica logro,
Esse não gosta do sogro
Já outros detestam a tia


Desse modo, que assim seja
Cada um faz o que anela
Basta saber seus limites
E não sorrir se banguela
Porque se o sonho é viver
Você pode até dizer
Que uma macaca é bela

O problema é que o homem
Virou de cabeça para baixo
Tem feito muita besteira
Dorme dentro de um tacho
Vem queimando a floresta
Só faz coisa que não presta
E é doido por esculhacho

Quase tudo é poluído

Pelo homem desastrado
Que mata os nossos rios
O cabra da peste safado
Cujo único objetivo
Todo mundo sabe disso
É ficar endinheirado

Existe tanta “marmotage”
Neste mundão espinhoso
Desde a mula-sem-cabeça
Até chupa-cabra medroso
Um gato de duas patas
Recusando o amor das gatas
E andando todo jeitoso

Cavalo subindo escadas
Beija-flor amando porca
Macaco chupando prego
Pingo d’agua que entorta
Um arco-íris velho e fajuto
Pintando o céu todo de luto
A vida encontrada morta

Cachorros latindo fino
Ratinhos falando inglês
Misturando toda língua
E traduzindo japonês
Nada disso é impossível
Com uma rapidez incrível
Um burro fala holandês

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

QUE É DO VERDE DE MOSSORÓ?

Não é uma boa idéia arborizar Mossoró e amenizar, pelo menos, um pouquinho que seja do triste calor extenuante a infernizar a população? Não tem alvitre significativo desejar minimizar a falta de sombra ao longo de diversas ruas mossoroenses, e para isso lançar no ar o tema de adoção de árvores por comerciantes, como é feito em Belo Horizonte? Lá os canteiros são verdes, limpos, e o arvoredo é dominante. Os pássaros de várias espécies voltaram à capital mineira com o replante da vegetação nativa, onde a preservação da natureza lembra os cuidados de um pai abnegado. Mas, cá? É brega o anelo de encher os canteiros e calçadas com árvores frutíferas tipo mangueiras, cajueiros e cajaraneiras? Dar o primeiro passo para o início de uma longa caminhada não é o costume? Então, por que a semente da arborização não foi abraçada e divulgada a bem do povo de Mossoró? Que é dos poderes públicos, cegos à necessidade de plantar centenas de árvores nos quadrantes do País de Mossoró? A política tornou-se prioridade maior que a vida? E a imprensa, tão engajada nas causas populares, onde estarão suas palavras em favor de uma melhor qualidade de vida no tocante à ecologia, aos cuidados com a natureza, à plantação de frondosas árvores numa cidade deveras carente de verde, cidade de clima tórrido, escaldante? "Voz do que clama no deserto" e não é ouvido. Todos ficaram indiferentes, e a idéia agoniza... Nas fotos abaixo registro a beleza verdejante de Belo Horizonte, Sabará e Ouro Preto (MG). Vamos nos deliciar com elas, já que não temos algo assim em Mossoró?


Centro de Belo Horizonte(foto: Gilbamar de Oliveira)

Centro de Belo Horizonte(Foto: Gilbamar de Oliveira)


Praça da liberdade em BH - MG(Foto: Gilbamar de Oliveira)

BH esbanja verde em suas ruas(foto:Gilbamar de Oliveira)


O sol se pondo em BH(foto:Gilbamar de Oliveira)

Em Sabará(MG) o verde também predomina(foto:Gilbamar de Oliveira)


Por do sol na saída de Ouro Preto(MG)(foto:Gilbamar de Oliveira)

Cinturão verde em Ouro Preto-MG(foto:Gilbamar de Oliveira)




quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

PELAS MÃOS DA TERNURA

Praça da liberdade - Belo Horizonte MG(foto de Gilbamar)


O que aconteceu de tão terrível ao coração humano que já não se comove mais nem se sensibiliza com o aflorar das emoções? Por que uma flor em botão, nesses últimos tempos de indiferença e medo insano, raramente desperta em alguém aquele instante mágico de embevecimento e paz? Pergunto-me se não deveríamos lamentar ao invés de gargalhar diante de tanta injustiça entre os homens, se não é tempo de corar de vergonha quando tomamos conhecimento das fraudes e roubalheiras perpetradas por nossos representantes em Brasília, se não é o agora para bradar nossa indignação absoluta por causa disso e de inúmeros outros escândalos protagonizados pelos funcionários públicos mais bem pagos do mundo. Nós decerto não choramos o suficiente nem nos indignamos com a frequência necessária que transforma e desperta a consciência, como se tivéssemos perdido a capacidade de nos horrorizarmos com a sordidez. Tenho por mim que desconhecemos a força e o poder de nossa indignação e permitimos rumos adversos na nossa trajetória. Quem está a conduzir o timão de nossa sociedade, nos parece, como que desorientou-se, meteu os pés pelas mãos, afundou-se no pântano da incerteza e dos conluios à socapa. Grandes desconfortos em nossos pensamentos nos remetem para os primórdios do pânico, o caos, não tão ao longe, dá a impressão de nos aguardar bem alí na próxima esquina. O que houve, então, com a pureza do nosso coração? Não é inerente ao nosso caráter esquecer os olhares famintos dos miseráveis nem o pedinte idoso e enfermo obrigado a permanecer horas a fio sob a inclemência do sol na tentativa de, abaixo da linha da miséria, ao menos, buscar uma nesga de sobrevivência que só lhe trará dor e sofrimento. Sinto que fonte do amor envelheceu, despetalou, perdeu força e desaba rumo à inércia total. Há crianças abandonadas mendigando migalhas de pão ou cometendo pequenos furtos nas cidades grandes e adolescentes praticando assaltos e assassinando seus semelhantes, protegidos pela couraça "providencial" da menoridade. Os nossos velhinhos, então, sujeitos à caridade de alguns, vivem a aposentadoria da morte por causa da parca pensão que zomba de seus muitos anos dedicados ao País. Em que recanto escuro de nossa insensibilidade escondemos o bem querer e o lirismo? Resta um simulacro de esperança, contudo, e ela está nas mãos de uns poucos homens enternecidos, os poetas. Os poetas, da coerência de seus sonhos e devaneios, são dos poucos ainda guiados pelo cajado da ternura, e eles, sim, eles sabem onde encontrar o que ainda resta da pureza dos corações. Viajando em seus versos a lembrar maviosos gorgeios, de braços dados com a fascinação e a beleza, eles nos mostram ser possível fazer brotar a metamorfose do bem estar coletivo e nos trazem de volta a gostosa sensação de que viver pode-se tornar uma temporada mágica e divertida.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

No dia 22/10/07 postei um cordel com o título UM BURRO AÇOITANDO OUTRO. Na data de 29/10 o amigo Mairton, do site MUNDO CORDEL, fez o seguinte comentário a respeito:
"Gilbamar,

Ainda ontem estive lendo o do BURRO AÇOITANDO OUTRO. Muito bom!

Mairton"
Por razões certamente técnicas que desconheço, o comentário feito pelo mestre do cordel Mairton foi para meu endereço no G-mail, ao invés de ir para meu e-mail no IG, local para onde são direcionados os comentários no meu blog. Como dificilmente vejo o G-mail, ontem ainda na cidade de Belo Horizonte e já fazendo os últimos preparativos para viajar para Natal, por coincidência acessei o G-mail e deparei com as simpáticas palavras do amigo. Agradecido, expresso também meu pedido de desculpas por somente agora ter visto o seu comentário encorajador.
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- Ao entrar numa loja de variedades em BH vi escrito nas camisetas dos funcionários a seguinte frase imperativa: "É PROIBIDO PERDER VENDA". Como não gosto de ser coagido a nada, especialmente a efetuar uma compra que evidentemente não me agrade, e como também tenho pena do pobre trabalhador explorado que sofre opressão para vender nem que tenha de implorar ao cliente, saí imediatamente do local. Particularmente sou contra esse tipo de coisa. Se a tal frase tivesse sido dita aos empregados como encorajamento para que, com carisma e simpatia, convencessem os clientes, e eu não soubesse disso especialmente porque nenhuma frase opressora me afrontaria, até que nem. Mas assim, de maneira tão explícita, à guisa de afronta à inteligência dos fregueses, merece somente a indiferença.
- Tudo é muito caro em Belo Horizonte, com raras exceções. Como a gasolina, que lá custa apenas entre R$ 2,27 e R$ 2,34. No Shopping Cidade, localizado no centro, o uso dos banheiros pelos frequentadores é cobrado.
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T R O V I N H A S
Já vi tanta gente sofrer
por passar necessidade
que nunca mais quero ver
faltar pão à humanidade
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Eu gosto do seu decote
que me permite ver o céu
com duas luas e um bote
de um colorido painel
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Mostre-me alguém virtuoso
que nunca cometeu pecado,
que seja tão maravilhoso
e nunca fez nada errado!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

TNT DE IDÉIAS

Idéias são, provavelmente, como inúmeras estrelas amontoadas entre nuvens e miragens. Elas estão lá, distantes, ocupanda cada uma o seu lugar no ordenamento do cosmos, inalcançáveis algumas durante um longo tempo até que alguém descubra o seu brilho e, tendo-a dominada em suas mãos, a exiba para conhecimento coletivo; fáceis de encontrar outras tantas daí se tornam comuns, simples, meras. Quando, repentinas como uma aparição, elas explodem e surgem maravilhosas, o mundo as recebe eufórico e delas faz uso deixando-as expostas, à vista, e já então tais idéias tomam o nome de seus desbravadores e se tornam propriedade humana. As idéias renovam a existência e dão um novo alento alegrando e trazendo o ardor de diferentes luzes, e o seu brilho enche o espaço, ocupa posiçõe, apaga a escuridão da ignorância. Porque o não conhecer é o mesmo que não ver, tal qual o ser sem saber, o estar vivo quase sem perceber. O mundo necessita, sempre, de idéias recém advindas, de novidades oriundas das tempestades cerebrais que trazem a lume um conjunto de benefícios para melhorar a qualidade de vida dos seres humanos. Sem isso, desprovido desse vislumbre e dos devaneios dos visionários é perceptível uma estagnação capaz de retardar a evolução do homem, o que faz com que tudo se assemelhe, destarte, a repetitivos momentos de mesmice, a tolos cotidianos niilistas. E o nada é somente escuridão, espelho do vazio, vereda tolhida por demasiados óbices, letras borradas, visão sobejamente turva. Por sua vez, o aquilo de sempre, o mesmo deprimente e suas vertentes habituais tornam o dia após dia meio que nulo e sem graça pois a revelação e a surpresa são inesperadas pérolas de mudança imprescindíveis e sempre bem vindas. Estar vivo é não apenas aguardar a passagem do tempo, mas se possível tentar moldá-lo, faze-lo trabalhar em nosso prol, procurar escolhas diferentes, pintar a lua de vermelho, cobrir o sol com a mão, pintar as nuvens com cores abstratas, torná-las multicolores, o sui-gêneris enfim. Daí o turbilhão das idéias ser o algo mais, aquele sub-reptício toque mágico capaz de conquistar e cativar, de acender fogueiras ao redor das geleiras, de sonhar voando porque asas surgiram do além-imaginado, de andar de bicicleta no espaço como se numa aeronave e tendo como motopropulsor apenas a força do pensamento. O horizonte é vasto, sem dúvida. Ter novas idéias é repensar a rotina, trabalhar a mente para que permaneça sempre jovem, é fazer do diferente e do estranho o igual e o interessante, é, sim, transformar um jovem drogado num cidadão útil à sociedade e levar os criminosos a se interessar por fazer o bem ao próximo, numa total metamoforse benéfica. Sejam então as idéias almejadas a todo instante, procuradas como se busca intensamente um tesouro por demais precioso. O objetivo é, conforme está explicíto, o discernimento do oculto, vasculhar o escondido. E que venham abundantes, em cascata para nos deixar a um só tempo atônitos e encantados, sorridentes, felizes, também ansiosos por muitas idéias todos os dias.


sábado, 1 de dezembro de 2007

ALGUMAS

* - Creio que o Brasil é o país que mais produz frutas no mundo, até mesmo por sua condiçao continental. Temos as melhores e mais suculentas frutas à escolha de qualquer paladar, porém, ao invés de tomar sucos saudáveis feitos da própria fruta, o brasileiro, em sua maioria, infelizmente, bebe refrigerantes. Arre!

* - O maior shop de Belo Horizonte é o BH Shopping. Apesar disso, se bem seja conceituado como o grande da capital, as praças de alimentação(são três) são tão pequenas que na hora das refeições as pessoas fazem fila à espera de um lugar onde sentar. Ou, então, se amontoam pelos cantos, ao lado das mesas onde os comensais se alimentam e aguardam, por vezes quase suplicando que os sortudos já sentados dêem preferência a elas quando terminarem. Eu passei por isso e achei muito estranho, esquisito demais. Palmas para os shopping de Natal e Mossoró, cujas praças de alimentação têm dimensões adequadas à população, mormente a da capital potiguar que tem a capacidade de acomodar todos que por lá aportam.

* - Estive na terra onde nasceu Aleijadinho, Ouro Preto, cidade considerada patrimônio da humanidade. É um lugar apenas para visitar, na minha opinião. Como era de esperar, tudo é antigo, das ruas às casas e igrejas, estas em grande quantidade com seus estilos arquitetônicos do começo da história do Brasil. Encravada sob serras verdejantes, com ladeiras íngremes e calçamento irregular, ruas estreitas, Ouro Preto dá a impressão de que voltamos à época da colonização e de que, bem ali na esquina, escontraríamos escravos carregando liteiras ou sendo surrados a chicote em praça pública. Visitar Ouro Preto é voltar ao passado literalmente, especialmente quando entramos nas vetustas igrejas e nos museus carregados de páginas do princípio brasileiro. Antes de chegar à cidade, saindo de Belo Horizonte, meus olhos se encheram de prazer ante a beleza das serras, montanhas e vales verdejantes, tudo indescritível, tudo me deixando boquiaberto. Na volta a Natal postarei fotos incríveis, se Deus quiser.

VAMOS ARBORIZAR MOSSORÓ!