quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

OS 7 PECADOS CAPITAIS

A INVEJA

Veneno peçonhento,
a inveja é só maldição,
e esse defeito odiento
tem origem no coração




A IRA

Iramo-nos facilmente,
muitas vezes sem razão
e ficamos inclementes,
não ouvimos o coração




A LUXÚRIA

A lascívia é corriqueira,
já banalizaram o sexo,
amor é só brincadeira
virou sonho sem nexo




O ORGULHO

Essa vil erva daninha
a que chamamos orgulho
tira o homem da linha
e faz dele um entulho




A GULA

Enquanto uns passam fome
por falta de condição
tem gente que tanto come
que morre do coração




A AVAREZA

Alguns deixam de comer
para o dinheiro guardar
e tem fome até morrer
querendo economizar




A PREGUIÇA

Esse pecado é danoso
e quem o comete, coitado,
é nojento e preguiçoso,
um vagabundo safado

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

POETRIX
Desaparecem fontes e mananciais
O homem destrói a própria vida
A natureza geme seus dias finais


HAIKAI
Morrem as fontes pelo homem,
lá se vão os mananciais.
É o grito agônico da natureza


TROVA
As fontes estão morrendo
e também os mananciais,
é a natureza dizendo
que já não suporta mais



RONDEL
Por causa da ambição humana
como folhas as àrvores vão tombando
e no ritmo dessa destruição insana
fontes e mananciais estão acabando

À sua maneira lenta a natureza reclama
pois já não está mais suportando,
Por causa da ambição humana
como folhas as àrvores vão tombando

O clamor é um grito oriundo da vida,
das florestas, dos animais, dos rios;
para a natureza haverá uma saída?
Qual a razão de tantos desvarios?
Por causa da ambição humana!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O BEM-TE-VI APAIXONADO E OS OUTROS

Diária e invariavelmente um bem-te-vi apaixonado me acorda às 04:40h da madrugada com seus apelos românticos/dramáticos à amada, que, tímida, após escutar os insistentes e prolongados gritos do seu enamorado, emite ingênuos, castos e quase inaudíveis piados, parecendo encontrar-se longe dele, mas como que autorizando-o a fazer-lhe a corte. Ah!, ele então, todo sassarico, recomeça e recrudesce seus arroubos entusiasmados, certamente, a partir daí, feliz pelo êxito da sedução, e dá a evidente impressão de estar desfiando seu canto bem próximo ao meu ouvido porque seus trinados parecem bombas intermitentes de alta potência. Aos poucos, felizmente, o bicho diminui a zoadeira, a fêmea o acolhe e, felizes, vão os dois para algum motel escondido por entre os galhos das árvores na cidade. Até chegar a tal ponto, porém, longos minutos se esvaem enquanto a calma do alvorecer é quebrada dessa maneira estridente pelo passarinho paquerador. Do alto do edifício onde moro brota uma extrema vontade de abrir a janela e esbravejar contra esse bicho que incomoda aos outros por conta de sua paixão arrebatadora. Quem pode com os pássaros, no entanto? Deles são o espaço e as madrugadas, o amanhecer e as folhas que escondem seus ninhos. Vocês pensam que a provação óbviamente não apenas minha, mas de todos os habitantes do prédio, termina com os dois pombinhos voando apressados na direção do motel das aves? Nananinanão! E sabem por que? Exatamente às 05:30h, um vizinho liga seu velho buggy caindo aos pedaços e faz um barulho deveras ensurdecedor com o cansado motor de fusca que usa e torna a perturbar-me o indigitado sono. Escuto quando ele abre a garagem alugada no condomínio, liga a sucata ambulante e provoca o maior estrondo do novo dia embrião; depois, desliga a máquina enferrujada, fecha o portão, volta para o protótipo de monstrengo e torna a ligá-lo provocando novo troar, agora ouvido por todos da rua. E se manda, permanecendo no ar por tempo demais aquele som roufenho de tosse braba até desaparecer adiante. E eu fico lá, me remoendo de raiva. Já pensei em descer antes que ele saia e, educadamente portando um porrete estúpido cheio de pontas de prego, dizer-lhe poucas e boas e ameaçá-lo brandindo a arma, mas minha política de boa vizinhança e o desejo incontrolável de continuar deitado prevalecem.
Tá pensando que acabou e agora posso, finalmente, tentar, ao menos, cochilar em paz até a hora de levantar para ir trabalhar? Nada disso novamente, porque em pouco, e por fim, completando os amanheceres intranquilos e agitados que vão de segunda a sexta-feira no caso dos humanos, e a semana inteira no tocante ao bem-te-vi cheio de amor para dar, por volta das 06:45h uma kombi escolar sorrateira, dirigida por um indivíduo já maduro, as cãs aparecendo por cima de sua cabeça com entradas de calvície, surge repentina da esquina, o mocoronga do motorista buzinando feito um condenado em altíssimo som desde o dobrar da esquina até chegar - adivinhem onde! - exatamente no prédio onde resido; em estando defronte ao edifício, ele parece analisar a situação após três segundos sem pressionar a buzina e recomeça de forma mais vigorosa o buzinaço, levando o barulho arrasador do térreo ao último andar, penetrando pelas frestas das janelas e pelos buracos das fechaduras dos quartos e ferindo os ouvidos de todos os moradores do condomínio. Ao menos com este, certo dia, há tempos, conversei para reclamar do problema. Na oportunidade, perguntei qual a possibilidade de ele evitar a barulheira matutina, já que assustava todos da redondeza naquele horário inconveniente, se gostaria de ser abruptamente despertado por seus estardalhaço no começo da manhã, e ele, então, tartamudeou, pediu desculpas pelo exagero, etc e tal, essas coisas, meio constrangido. Expliquei a desnecessidade de tanta buzinada pois que a aluna usuária dos seus serviços poderia simplesmente esperar por ele no horário marcado e pronto, ninguém teria de suportar a ruidosa e malfada estripulia de sua kombi. Ele até que foi gentil em ouvir-me e prometeu deixar de agir como um ganhador da loteria ansioso para informar a todos a sua sorte através de gritos e macaquices.
Mas, qual o quê? Durou só alguns dias a trégua. Logo ele voltou, poucos dias depois, a repetir o barulho da buzina do mesmo jeito, apesar de, após alguns dias, deixar-me esperançoso de ver-me livre do seu buzinaço diário, pelo menos. Bem, o infortúnio permanece. Como não foi possível livrar-me em definitivo da odisséia matinal, procuro, agora, rir dos fatos incongruentes que não posso mudar. De modo que percebi ser a agrura cotidiana um bom e interessante tema para escrever esta crônica sobre amenidades. À guisa de desabafo, se não fora por outra razão mais plausível. Ou um motivo nada saudável, porém engraçado, para sorrir das coisas esquisitas presentes no dia-a-dia de qualquer um de todos nós. Alguém mais passa por esse tipo de aborrecimento por esse Brasil afora?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

COMO EXPLICAR ESSE AMOR?

Como explicar o amor terno que sinto,
é possível descrever a beleza abstrata?
Se quero dele falar, impossível, eu minto,
é ternura e sonho, é o prazer em cascata


Na solidão da noite que pressinto
ou sonhando na madrugada alta,
como explicar o amor terno que sinto,
é possível descrever a beleza abstrata?


As palavras são tão pobres e pequenas,
inúteis para a expressão desse amor,
tornam-se como meras, tolas, amenas
e não conseguem exprimir seu ardor.
Como explicar o amor terno que sinto?



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T R O V A S





O SOL

Queimando como fogueira
para esquentar o universo
o sol é como uma lareira
acesa pelos meus versos




MEU EU - I

O pingo dágua me teme,
eu grito e o gato corre,
se falo a galinha geme,
se pisco o canário morre



MEU EU - II

Risco peixeira no chão,
esquento rabo de onça
e desmascaro mãe de barão
se ela tem cara de sonsa



MEU EU - III

Desenhei o nascer do dia,
já o Mar morto eu matei,
antes de saber eu sabia
que nada soube nem sei

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

DRAMÁTICO APELO DE UM RIO

"Este é um veemente e desesperado apelo às pessoas conscientes da importância dos rios na vida da comunidade. Eu sou o Rio Mossoró e estou morrendo. Na verdade, vivo os últimos momentos de agonia e estertor, como um pobre doente abandonado por todos. Os inúmeros esgotos clandestinos me sufocam com dejetos e outras podridões. Da cor azul-vida passei ao ao lodo-fétido, do frescor ao arquejo. O lixo jogado indiscriminadamente em meu leito, de origens as mais variadas, acumula-se como um tumor cancerígeno irreversível, provocando reações químicas das mais poluidoras e pútridas, secundado que é - socorro! - pelo amontoado de óleo combustível, graxas e outros poluentes deixados pelos muitos veículos lavados em minha águas por pessoas insensatas.
Embora esteja realmente à morte, penso que ainda há tempo para tentar recuperar-me. Não me deixem desaparecer por completo, não permitam que eu vire um lamaçal insuportável. Desculpem se não sou modesto, mas se morro com certeza vou fazer muita falta - só Deus sabe quanta!
Portanto, cidadãos de bom senso, lutem por minha vida, a vida do Rio Mossoró, que já possuiu águas cristalinas e abrigou, outrora, a existência de peixes de várias espécies. Depende de vocês. Pensem nisso e lembrem-se de como a cidade tem necessidade de mim. Levantem a voz altaneira conta os sujismundos que me emporcalham, façam de mim um rio sadio e bonito enquanto há tempo para isso. Depressa!!!, amanhã poderá ser tarde demais...
Rio Mossoró"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

PSIU, SILÊNCIO!

Desfruto, por vezes, aqueles necessários instantes de silêncio tão importantes em determinados intervalos de nossa vida. Mormente quando estou lendo e principalmente nesses preciosos instante, preciso do silêncio absoluto. E fico assim absorto no som imperceptível aos ouvidos humanos, inaudível dizendo melhor, mas que é proporcionado, por incrível que pareça, pelo silêncio, meio como um mero e sub-reptício ruído diferente do barulho causado pelo cotidiano, mais lembrando um farfalhar de folhas sob a brisa intermitente. E o mundo vai girando enquanto isso, as coisas vão acontecendo por aí, a vida insiste em ressurgir e prossegue, a morte se torna explícita, as pessoas sorriem em abraços e beijos, alguns choram e tudo segue na mais inusitada calmaria nesse interlúdio silencioso infinitesimal em meu recôndito. Mesmo que tudo exploda em cicios intermináveis alhures. Ler em silêncio é, para mim, o melhor meio de estar em sintonia com as idéias do autor. O ideal portanto, é óbvio. Há quem prefira ouvir música ou aproveitar o corre-corre da rotina para abrir um livro e penetrar no seu universo, porém a meu ver nada melhor que a tranqüilidade para usufruir de boa leitura. Porque a ausência de barulho é um cúmplice especial para tornar o desfrute ainda mais saboroso e profundo, especialmente se denso o compêndio. Impende haver concentração para que o entendimento da mensagem do livro seja completamente absorvido e digerido. É muito difícil, impossível realmente, prestar igual atenção aos ruídos e ao conteúdo escrito. Seria como servir a dois senhores ao mesmo tempo e a ninguém é dado possuir essa capacidade sem incorrer em falhas evidentes. Na infância, todos nos sentimos confortáveis e seguros quando vamos dormir ouvindo as vozes de nossos pais pela casa, é algo natural e compreensível. Traz aquela sensação de alívio por sabermos que eles estão cuidando de todos os detalhes para nos garantir um sono saudável e reparador. Já em nossa fase adulta, no entanto, quando no leito, a melhor companhia para adormecer é o silêncio. Qualquer parco ruído, o mínimo que seja como o constante pingar da torneira mal fechada nos impede a concentração adequada para o doce embalo de dormir. Enquanto não nos levantamos, impacientes, para interromper a causa da perturbação não logramos conciliar o repouso noturno. Isso é comprovadamente notório. A propósito disso, vejam o caso, por exemplo, dos hospitais e bibliotecas, onde o império é do silêncio por imposição legal. Nesses locais não se deve gritar nem fazer algazarras, a ordem é permanecer na quietude plena. Lá podemos apenas falar em voz baixa, em sussurros eu diria, para não agitar os enfermos internados nem atrapalhar os leitores ocasionais. E nos condomínios? Tratando-se de um aglomerado de pessoas diferentes num só espaço, onde cada cabeça é palco de culturas e atitudes adversas, normal e imprescindível existir controle para impedir disparidades e incongruências tais como música alta e festas depois das dez horas da noite nos apartamentos durante a semana. A Lei do silêncio é essencial ao sossego e à paz nesses lugares onde se amontoam indivíduos desiguais. Não fora assim e o caos reinaria, sendo impossível a convivência pacífica entre os condôminos. Depreende-se, por conseguinte, que o silêncio na dose certa faz parte visceral da existência humana desde que nos locais e momentos certos garantindo, assim, o equilíbrio para termos melhor qualidade de vida.