segunda-feira, 30 de junho de 2008

CRÔNICA JUNINA


A fumaça das fogueiras ao pé das calçadas voluteia no espaço e penetra, atrevida, através de portas e janelas das casas e ousa invadir as frestas das cumeeiras, metendo-se também por entre os buracos das telhas quebradas, enchendo de toxinas a respiração humana. A lenha crepita vermelha cor de fogo quebrando-se em fagulhas que esvoaçam e carvões acesos que são levados pelo vento suave soprando nas ruas. As cadeiras estão ao pé das portas e os donos das casas se divertem conversando com vizinhos e amigos convidados para comer pamonha, canjica, milho verde assado na brasa e tomar pinga da braba enquanto a música junina rola solta e a moçada saracoteia nas quadrilhas improvisadas. Risos estouram a todo instante secundados por gostosas gargalhadas súbitas. A conversa é animada, descontraída, pontuada por animadas piadas de salão, e talagadas de cachaça são despejadas garganta adentro. Pensamentos indizíveis na sobriedade são externados quando o calor vulcânico da aguardente esquenta os neurônios da turba, por essa razão às vezes brigas violentas e mortais ocorrem provocando trajédias. Namoros começam e terminam nessa época tão propícia ao romance quanto a uma desilusão; os enamorados se beijam, os desiludidos trocam dispensáveis manifestações que a nada levam. A molecada joga traques e buscapés à volta dos incautos, que gritam e fogem estabanados quando o barulho pipoca e assusta, sob o escárnio daqueles. Rimbombam fogos com estardalhaços pelos ceus, balões proibidos sobem ao espaço levando grande perigo à vida humana, às plantações, ao patrimônio público e privado e aos aeroportos. Crianças brincam entusiasmadas, os olhos lacrimejantes, expostas aos possíveis acidentes mutilantes tão frequentes nas festas juninas. É quase ensurdecedor o barulho de músicas típicas pelos quadrantes e meridianos. Moças ansiosas para arranjar um casamento fazem promessas, pulam fogueiras, escondem-se nalguma superstição esperançosas por descobrir o futuro marido nos troncos das bananeiras, nas bacias cheias d'agua, nas borras de café. E a noite segue entorpecida pela fugaz alegria de um instante sazonal. Nas noites de fogueira, embriagados pelo enlevo de romantismo que cerca os festejos, casais de namorados se entregam irresponsavelmente, ele na busca do prazer sem peias, ela imaginando ser amada ardentemente, e o resultado, tempos depois, quase sempre, é a decepção de uma gravidez indesejada e de filhos sem pais e não queridos. O fogo do fogo queima a alma, o coração e o bom senso e geralmente é a mulher quem sofre as consequências. Porque o sabidão dá as costas e se vai deixando resultados que duram outras tantas festas juninas.

sábado, 28 de junho de 2008

MENINOS CARENTES


Somos como essa flor
bem frágeis e pequeninos,
tão carentes de amor
e tão ingênuos meninos

APENAS UM SONHO

Quem dera a vida fosse um mar de rosas

com sombra, água fresca e muita bonança,

nossas horas fossem tão maravilhosas

quanto aqueles momentos de festança

*

Não seriam necessárias as prisões

nem polícia andando com as armas,

seríamos guiados pelos corações

desconheceríamos todos os carmas

*

Quem dera se todos vivéssemos em paz,

o mundo sem pingos de sangue nos jornais

e para todos tivéssemos alimentos

*

talvez vivéssemos bonita quimera

realçando a humanidade sincera

bem distante dos conflitos e dos tormentos

sexta-feira, 27 de junho de 2008

NOSSOS SONHOS



Os sonhos alegram o meu viver
como coloridas nuvens sob o céu,
dando intensidade a meu querer
apagando deste ser o negro véu


As ilusões vêm como o entardecer
e não cabem no coração do incréu,
os sonhos alegram o meu viver
como coloridas nuvens sob o céu

Seria meu viver o mar de tédio
se nunca me permitissem sonhar
e a tristeza não teria remédio
sem quimeras para acalentar;
os sonhos alegram o meu viver

A NOBREZA DA VIDA

A vida é vela acesa
que logo o vento leva,
mas é a sua nobreza
que o Criador releva

A EXPRESSÃO DO CORPO

O corpo é uma expressão
que sussurra, não fala;
só o escuta o coração,
tão atento que cala.