Saímos todos contentes
nossa viagem prometia
eu, meu tio, minha prima
também conosco a titia
naquele fim-de-semana
passar um São João bacana
na fazenda de Zé Maria
*
Como eu estava feliz
com essa oportunidade
e nem conseguia segurar
minha grande ansiedade
tanto iria me divertir
que nem pensava em dormir
naquela festividade
*
É que gosto das fogueiras,
também de ver subindo balão,
do barulho dos folguedos
tudo p'ra louvar São João
e quando todos estão dançando
isso vai acelerando
as batidas do coração
*
Planejei com minha prima
e tudo ficou combinado
nós veríamos quadrilhas
comendo milho assado
jogando chumbinho no chão
estrelinhas acesas na mão
com os meus tios do lado
*
Eles vieram me buscar
quando a tarde começava
mas eu já estava pronta
e o sol ainda nem raiava
então logo que os vi
estabanada eu corri
enquanto mamãe ralhava
*
A tarde se mostrava linda
meus tios iam conversando
o carro seguia na estrada
eu e minha prima cantando
era tão emocionante
como eu ia radiante
só coisas boa pensando
*
Ah como não sabemos nada
na nossa vida imprecisa
tantos planos fazemos
quase nenhum se realiza,
uma das grandes verdades:
muita da nossa vontade
só nos desejos desliza
*
Viajávamos tão felizes
nos braços da alegria,
impossível lembrar tristezas
principalmente nesse dia,
mas viver é uma surpresa
e nunca teremos certeza
de como tudo seria
*
Só queríamos diversão
num fim-de-semana feliz,
esse lado bom da vida
todo mundo sempre quiss
em notar que imprevistos,
embora nunca benquistos,
vão na rota que o destino diz
*
Tudo aconteceu tão depressa
que nem sei como explicar
subitamente a estrada
deu a impressao de acabar,
virou uma nuvem escura
então naquela altura
vi tudo antes de desmaiar
*
Totalmente enlouquecido,
um monstro descontrolado,
desceu o carro um barranco,
eu dei um grito alarmado
em pedras e árvores batendo
nosso carro foi descendo
e parecia tudo acabado
*
Foram ficando na queda
do carro alguns fragmentos
destroços que se espalhavam
feito gotas de tormento,
a vida ficou em pedaços,
gritos, dor, estardalhaços,
tudo findava num momento
*
Depois, silêncio e poeira,
caos, folhas e galhos no chão,
a tragédia toda consumada
iam-se tantos sonhos, a ilusão,
linha de vida e morte cruzada
vidas feridas, fim da jornada,
para tanta dor haveria razão?
*
Não sei quanto tempo voou
após o horror que passamos
sendo difícil precisaro período
que ficamos,feridos, desacordados,
no esmo abandonados
pelo tombo que levamos
*
Fumaça, ferragens, dores,
esse terror multiplicado,
teatro de sofrimento
num cenário estragado
não preciso nem dizer
que sentindo o corpo doer
meu braço estava quebrado
*
Não vejo necessidade
de cada detalhe falar
seria muito chocante
então a todos vou poupar
prefiro cobrir tristezas
escondendo as incertezas
basta o principal narrar



