terça-feira, 29 de julho de 2008

COMO PÃO E BEBO POESIA


Homens suam a cântaros para ganhar o pão
e se desdobram em dez para obter alegria;
se aquele almejam, suam e engravidam o chão
e no deleite desta sonham e se entregam à poesia

As aves nem trabalham mas sempre têm pão,
alguns homens, se o desejam, passam por agonia,
aram a terra, constroem pontes, pilotam avião,
escrevem livros, arrancam tocos, fazem poesia

No seu cotidiano as panificadoras produzem pão,
abençoada atividade imprescindível ao dia-a-dia;
os padeiros ganham o seu trabalhando para o patrão,
os boêmio se perdem na noite e se acham na poesia

Famintos, os mendigos sofrem a dor de não ter pão;
se houvesse igualdade isso jamais aconteceria:
eles teriam café, manteiga, carne e macarrão,
acesso à cultura, lar, diversão e à arte da poesia

Por séculos o homem tem se alimentado de pão,
obra bendida do Criador e senhor de toda sabedoria,
que, misericordioso, o entrega de mão em mão,
e, rico em saber e bondade, inspira também a poesia

Há quem, indiferente jogue no lixo côdeas de pão
sem pensar que com eles um ser humano sobreviveria;
negam comida ao órfão, enchem a vasilha do cão.
A esses não cumprimento nem mostro minha poesia

sábado, 26 de julho de 2008

MÃOS...MAIS



São gestos em mãos...são mãos em carícias...são carícias trocadas pelo tato sensível...são entrelaços fortuitos que transbordam ternura...são dedos compondo a sinfonia do amor...da amizade...da fraternidade...do desejo...é a vida impulsiva pedindo passagem...nos toques suaves...sutilmente...singelos...Ah doces arrepios brotando das unhasadentrando a derme com força fascinante...em astronômico vôo no rumo do frenesi...E nesse embate prazeroso de dedos e mãosque se abraçam ansiosos na busca do tudoe sempre no ardor de mais...mais...mais...mais...

VER A ALMA, NÃO A COR DA PELE

A inteligência humana não tem cor nem religião,



isso é o que deve ser levado em conta sempre:


ver a alma e o coração, não a pele.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

DIA DO ESCRITOR




Hoje eu fico de pé e bato palmas com entusiasmo para todos os escritores e poetas brasileiros. Que todos nós continuemos falando da ternura e dos sonhos, mas também defendendo a vida e estando na vanguarda dos acontecimentos que vêm à tona para melhorar a vida do ser humano. Usemos a palavra escrita unicamente com o melhor e mais nobre objetivo.
*Imagem da internet

SUSPIROS DE AMOR NO AR



Ardem suspiros de amor no ar,
densas ondas de visível ardor
ondulando no doce esboçar,
tantos corpos em ardente fragor

Solfejam arquejantes ao luar
sussurros de desmedido langor,
ardem suspiros de amor no ar
densas ondas de visível ardor

Cálido embate sem vencedor,
um súbito, breve esvoaçar,
fugaz momento, frenesi, amor,
a brisa silente se põe a escutar:
ardem suspiros de amor no ar

quinta-feira, 24 de julho de 2008

MEU VIZINHO, O POR-DO-SOL




O por-do-sol é meu frequente vizinho do entardecer. Da janela do meu apartamento, ali por volta das cinco horas e quinze minutos, avisto-o todo lânguido quando começa a espalhar suas cores pelo céu e enche o espaço com incomparável beleza natural, sem qualquer maquiagem. O azul celeste se torna, então, como num súbito passe de mágica, uma mistura de cores que o deixa multicolorido e belo. Fico extasiado sempre que presencio o espetáculo diariamente por ele proporcionado, mesmo já o tendo visto centena de vezes no mesmo lugar, embora de vários ângulos diferentes para não deixar de me encantar com todos os lados do fascinante quadro da natureza.
A visão que tenho é privilegiada, não me escapa nenhum detalhe de seus movimentos, e cá no meu coração os sentimentos se confundem, passando da alegria casual para a euforia repentina, da mera admiração confusa para um amor inexplicável a tanta beleza, e passo, por conseguinte, somente a maravilhar-me, a sentir-me em completa paz na qual descanso a mente e o corpo. Enquanto isso, no transe desse frenesi platônico, prossegue o espetáculo da natureza em seu esplendor. Como em movimentos sob-reptícios de bailarino, ou a guisa de um pincel invisível pincelando as nuvens com detalhes fascinantes, vai-se delineando no infinito aquela obra prima especial e rara de um inimitável mestre da pintura. A cena se exibe em câmara lenta com vistas a não escapar nenhum detalhe do raro encanto. É suficiente uma quase imperceptível contorção, basta aquele pequenino movimento do tempo ou dos próprios raios solares para o pôr-do-sol exibir-se todo orgulhoso e criativo.
Por vezes, o céu parece estar queimando quando o astro rei, esférico, bombástico, esplendoroso, mostrando intenso e vermelho brilho em amplo destaque, permite que os suaves contornos das ondas de calor dêem a impressão de existir incomensurável fogueira acesa no infinito. Mas isso em momento algum provoca temor, senão êxtase. O fogo, se realmente o fora, não dura o suficiente para queimar o espaço, mas tão-somente com o intuito de deslumbrar olhos e coração das insignificantes criaturas pequeninas cá da Terra tão carentes da terna doçura emanada de cenas que tais. Como eu e tantos outros cativos de sua beleza. Por instantes, em muitas tardes declinando no ocaso, sinto-me impelido a acenar um cumprimento ao pôr-do-sol e tantas vezes já o fiz embora tímido, tamanha é a emoção que me invade e envolve sempre. Mas ele, na indiferença de sua amplitude, esnoba-me todo lânguido e abusado. É ciente de sua magnitude e majestade, isso bem sei. E ante minha insignificância no universo de sua realeza como voltar-me a atenção? Milhões de encantados admiradores o apreciam e amam diariamente, o sol com o seu jogo de cores estonteantes está farto de tanto causar admiração e estupor e dos inúmeros olhares embevecidos ao entardecer.
Será mesmo assim? Talvez nem tanto. Pois se assim fora ele não ofereceria diariamente esses espetáculos de cativante esplendor que nos enchem os olhos de lágrimas perplexas se não desejasse platéia. O sol, ponderemos, é o pavão do céu.