sexta-feira, 26 de setembro de 2008

APENAS UM INSTANTE

Às vezes o coração deseja ardentemente a solidão por instantes
apenas e tão-somente para ficar consigo mesmo buscando su'alma,
sentindo suas batidas cadenciadas e sonhando com o silêncio e a paz
-
Em momentos assim ele anseia a placidez dos campos e a ternura
que parece florir das àrvores, dos pássaros e das águas brandas,
de modo a deixar que a candura da paisagem suavize as dores da vida
-
Mas são apenas súbitos interlúdios realmente passageiros, como o flash,
que se vão após obtidos seus benefícios só pelo coração perceptíveis
pois da outra metade do amor, tão premente, ele jamais pode prescindir.

BULGARIS NUM JARRO FRATURARAM MINHA TÍBIA



Eu e minha esposa amamos plantas ornamentais e temos uma boa quantidade delas, algumas com flores que se espalham pelos varais, parapeitos e demais espaços um tanto exíguos mas ainda disponíveis por entre os móveis do nosso apartamento. Elas preenchem de poesia os nossos corações e alegram nossas almas com seus sorrisos discretos e só perceptíveis pelos sensíveis à beleza da vida em todas as suas manifestações.



O perigoso jarro de cimento com um lindo pé de bulgari diariamente podado para não se distribuir além das possibilidades de seu hospedeiro inadvertidamente foi colocado num cantinho do corredor, local de constante ida e vinda de nós dois no cotidiano. Silencioso e discreto, ali no seu "pedaço" tranquilo, ele foi permanecendo no inadequado lugar enquanto os dias passavam e nos preocupávamos com outros afazeres, deixando-o sossegado e nos acostumando a desviar dele como se já fizesse parte da paisagem. Em momento nenhum pensamos em tirá-lo de lá, até mesmo para não continuar atrapalhando o vai-e-vém rotineiro. A azáfama adiava essa providência necessária. Por conseguinte, ali onde ele fora deixado podávamos o pé de bulgari e o regávamos, dando-lhe todo o tratamento adequado e seguindo a vida.Até acontecer o desastre.


Embora habituados àquele obstáculo inesperado no corredor e se bem inebriados com o perfume exalando dos bulgaris, uma luzinha lá no nosso cérebro ficava piscando o tempo todo anunciando que já passava da hora de tirar o tal perigoso jarro de cimento do caminho. Liberar o corredor com urgência deveria ser algo para ontem. Contudo a luz não nos impressionou muito, tanto que o monstrengo contendo a beleza da planta foi ficando e ficando...Na madrugada de quinta-feira passada, por volta de meia noite e meia, pensando em tomar um reconfortante banho morno antes de dormir, fui buscar a toalha que estava no varal da área de serviço. Na volta, não dei muita importância ao notar a lâmpada do corredor apagada.


E fui em frente, esquecido do jarro, do bulgari e do perigo. O impacto se deu de maneira tão forte e absolutamente intensa que caí, perdendo as forças e sentindo uma dor astronômica que me arrancou um grito de agonia e grossas lágrimas desceram face abaixo ...o líquido escorrendo na minha perna e a dor extrema me fizeram compreender que eu caíra na cilada armada pelo jarro de cimento e pagara muito caro o tropeço de tê-lo esquecido bem no meio do meu caminho. Depois não vi mais nada, um doce desmaio livrou-me do instante agônico. Despertei no pronto-socorro, os lindos olhos amorosos de minha esposa me fitando pressurosos e vermelhos de tanto chorar. Lancei um olhar de esguelha à perna acidentada ao recordar o acontecido e vi-a já engessada. "A tíbia", sussurrou ela, "você fraturou a tíbia".

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

ENTARDECERES


Em cada entardecer descortina-se a beleza do pôr-do-sol, nos fios coloridos dele fluindo uma mensagem de beleza, e essa beleza exuberante se espraia pelo infinito toda bela como uma rainha esplendorosa que se deixa ver pelos súditos e seu brilho atordoa enquanto encanta e apaixona

NEVOEIRO EM GRAMADO RS



No nosso penúltimo dia em Gramado um espesso nevoeiro cobriu a cidade e esse acontecimento nos deslumbrou sobremaneira. Já desfrutáramos outrora momentos semelhantes e de igual encanto em outras ocasiões, mas naquele dia a névoa era como um imenso floco de algodão denso enfaixando a cidade num sereno abraço de amor. Lembrava, também, de tão forte, a volúpia da violenta fumaça subindo das queimadas criminosas devastadoras de nossas florestas. Mas só por instantes, naquele interlúdio não tinha espaço para melancolia. Eu e Ana Estávamos extasiados e mais ainda ficamos, alegres feito crianças descobrindo o invulgar, sorrindo parecendo tocados pelo vírus da alegria contagiante que rapidamente se espalha em fragmentos poderosos. Nós nos abraçávamos incontidos, à guisa de impulsionados por algo inexplicável. Talvez para desabafar a felicidade sufocada no peito, quiçá no intuito de captar esse embevecer momentâneo e prendê-lo n'alma a sete chaves. Passeando e usufruindo as últimas horas na Serra Gaúcha, certamente queríamos fotografar com os olhos e gravar na retina cada toque místico a dali emanar, cada súbito relance de impecável beleza distinguida e inesquecível.

A ansiedade e a emoção aceleravam as batidas felizes do coração e nos deixávamos seguir, assim, espontâneamente de mãos dadas, quase sem rumo, dois perdidos numa tarde de nevoeiro ímpar se encontrando sob frio intenso, a visão um tanto turvada pela densidade daquele fenômeno maravilhoso e impossível no Nordeste. Mas o riso constante e evidente no rosto corado pela emoção.Conseguíamos enxergar apenas uns reles metros à nossa frente, e nessa desmesurada e atraente incógnita é que estava, também, outro entre os tantos encantos proporcionados pelo altruísmo da natureza e seu bafejo branco-acinzentado cobrindo tudo. Proporcionando tal indizível espetáculo, ela mexia com nossa sensibilidade e nos tocava a alma de maneira serenamente delicada.


E tudo aquilo pareceu-me metafísico, meio que imiscuindo-se pelo sobrenatural. Numa alegoria, vamos agora ser bem ser criativos, inconcebível dir-se-ia que anjos brincavam de jogar fragmentos de neve uns nos outros e eles se iam dissipando em suave névoa caindo sobre nós, deixando gotículas imperceptíveis e umedecentes sobre os cabelos.Andávamos cautelosos por entre os densos blocos indolentes de névoa etérea e fumaçante vendo as pessoas sorrindo aparentemente sem razão nenhuma, mas eu percebia que era o estado de espírito do tempo o responsável pelo bom humor estampado em cada face. O gostoso clima parecia abrir os corações e libertar as almas da prisão corpórea. Por breve instante observei três senhores já idosos proseando sorridentes num banco da praça, todos gesticulando com os braços, as pernas cruzadas, os olhos brilhando, como se partícipes de outra dimensão. Fui surpreendido pela terna serenidade de cada um deles.

Na sequência de fotos para registrar e tornar perene tão precioso momento fizemos poses, abraçamos o nevoeiro que nos escapava por entre os dedos, corríamos embalados e sapecas à guisa de travessos garotos fugindo dos carros como se eles fossem monstros de imensos olhos amarelos e fomos abordados por outros turistas para fotografá-los e por eles sermos também retratados, parceria que resultou em inesquecíveis retratos a serem conservados para a posteridade.A tarde desse dia, no entanto, dava a impressão de não desejar prosseguir,como se o tempo subitamente tivesse congelado por causa do frio trazido pelo ímpeto do nevoeiro. Talvez a magia emanando em derredor ante tamanha demonstração de poder da natureza deixasse transparecer no ar gelado e orvalhante um lindo toque de fantasia a envolver-nos. Ou devaneios, por certo. Uma mescla inconsequente de tudo isso decerto, pois os mistérios ainda são tantos quando somos dominados por essa aura de emoção acalentadora que por inúmeras vezes nos leva a embrenhar-nos em quimeras fantásticas, a tresvarios até. Porque as emoções nos controlam bem sabemos e por elas nos deixamos levar, poeira arrancada do chão ao sabor da ventania.


Jantamos no La Caceria, restaurante da Avenida Borges de Medeiros especializado em caças nobres, nos deleitando com um delicioso e sublime faisão regado ao vinho. Quando voltamos para o hotel já a noite, nervosa e agarrada ao novoeiro, ia altaneira enveredando pelas horas e nos engolia abrupta nas suas sombras e luzes e nos presenteava com uma temperatura beirando os - brr! - dois graus. E despencando paulatinamente. Devidamente paramentadas, as pessoas circunstantes, agora cabisbaixas, rondavam pelos fundues e restaurantes em busca de aconchego e tepidez porque, sendo criança, a noite ainda tinha muito a oferecer.

MORRO DO CARECA


O Morro do Careca, uma das vistas mais lindas de Natal (RN), localizado na praia de Ponta Negra, enfeita a página principal do meu blog. Turistas do mundo inteiro conhecem essa paisagem e por lá já deixaram suas pegadas. Os folders de turismo do nosso Estado estampam essa imagem para os quatro cantos do planeta e atraem milhares de visitantes que vêm ver de perto o seu encanto. O clic é de minha autoria e aconteceu num quase entardecer. Coloco-a novamente neste post para que seja ainda mais apreciada.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

TALENTO


Achei tão criativo e singelo esse scrap visto no orkut que resolvi postá-lo no meu blog, dando parabéns a Elaine Lan sua talentosa criadora. Não é realmente de uma beleza terna?