domingo, 26 de outubro de 2008

NÓS



Já não me pertenço, você me transformou,

de tal forma e com tanta intensidade

que não ouso mais chamar isso de amor

mas algo que transcende a realidade

.

Nessa visão, não me vejo, só você há,

meu eu mesclou-se ao seu, um nos tornamos,

bela e sublime certeza a me embalar;

na floresta do desejo somos ramos
.


Que mais dizer sobre paixão tão humana

pois sobremodo substancial, é insana,

ultrapassando o limite do possível?

.

Palavras são somente as fantasias

que o amor metamorfoseia em magias,

e qualquer definição é mais do que risível

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

É BOM SER FELIZ!



Encaro a vida com esse otimismo invencível
dos sorridentes que vislumbram felicidade
em todos os pesares...só choro de alegria
e nunca sorrio de tristeza.
.
Ser feliz é apenas viver enfrentando a dor
em todas as suas manifestações sem jamais
deixar-se vencer pelas intempéries, sem
se abater ainda que sofra.
.
A lamúria talvez seja um sinal de cansaço da alma,
mas o sorriso é a espada mais afiada do coração
a enfrentar a torpeza decorrente de circunstâncias
muitas vezes inesperadas.
.
Eu brinco com a seriedade e vejo, tantas vezes,
circunspecção por trás de muitos sorrisos
de pedra metidos a zombeteiros...as máscaras
são tão translúcidas...caem...caem...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

É PARA VOCÊ!


Perceberam que as mãos unidas formam um coração?
Foi em um jardim de emoções que descobri essa verdade
.
Ah!, e vi que não há força que vença o poder da amizade,
em especial quando perfumada por odores de flores.
.
Vê, essa linda rosa é destinada aos olhos dos que me lêem
e aos corações que se deleitam com o amor e a poesia.

domingo, 19 de outubro de 2008

USO A IMAGINAÇÃO



Se como os pássaros não posso voar
vou fantasiando na imaginação,
pois se tal sonho não posso acalentar
recorro à poesia, essa doce paixão
.
Nela eu vôo flutuando no ar

como se fluido de linda canção,
se como os pássaros não posso voar
vou fantasiando na imaginação
.
Pelo espaço fico a navegar
aconchegado nessa ilusão,
sendo homem vôo não posso alçar,
asas são minha imaginação
se como os pássaros não posso voar

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

BANQUETE LITERÁRIO

Fui menino sonhador a pensar continuamente sobre o futuro que viria. Igual a outras crianças, eu também gostava de brincar com o pião, jogava bola, apreciava contar as mentirosas estória de Trancoso juntamente com os demais meninos da rua, no entanto mais que tudo isso eu, sobretudo, lia e lia muito, em especial – quem se lembra? – aquelas revistas de capa-e-espada que contavam mirabolantes estórias de reinos, princesas lindas e hábeis cavalheiros a defendê-las com suas espadas afiadas, flamejantes e implacáveis.
Por horas em me entretinha folheando qualquer texto que me caísse às mãos, não recusando nem mesmo as bulas quando nada mais havia para ler. Se um exemplar da revista O Cruzeiro, para meu deleite, aparecia à minha frente, ávido eu apreciava cada página e deixava a imaginação voar livremente pelo universo dos sonhos com a sabedoria dos articulistas, mormente Davi Nasser e Raquel de Queiroz, esta sempre na última página com seus textos vigorosos. O amigo da onça, famosa criação da época, lavra do pernambucano Péricles Maranhão, também era um dos meus preferidos pela sagacidade de suas tiradas mordazes. Eu descobria o novo e o insólito e ia armazenando nos arquivos da memória aquele benfazejo amontoado de cultura diversificada.
As revistinhas em quadrinhos do Zorro, Roy Rogers, Tarzan, Jim das Selvas, Fantasma, Pato Donald e tantas outras fizeram o usufruto de meus instantes solitários. Sentado no velho e já bastante gasto sofá de três lugares de minha mãe, os olhos tesos, sem piscar pela atenta observação das letras formando palavras e capítulos, eu esquecia as horas e, quase sempre, nem lembrava de brincar ou de me alimentar até ouvir as admoestações de mamãe a respeito “da perda de tempo só lendo e lendo sem querer fazer outra coisa, esse menino...”Na adolescência, seguindo esse ritmo acelerado de intensa busca pelo prazer encontrado nos livros, meu coração já pulsando descontrolado pelas garotas bonitas do bairro por quem eu ia me apaixonando, dedicava com avidez a maior parte do meu tempo à leitura, desta feita ampliando os horizontes do conhecimento com compêndios de autores mais voltados a um universo textual de melhor qualidade. De Machado de Assis li os romances A mão e a Luva, Dom Casmurro, Esaú e Jacó, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Iaiá Garcia, além de algumas poesias de rara beleza, a exemplo de Crisálidas e Falenas; José de Alencar me deslumbrou com Iracema, a virgem dos lábios de mel, O Guarani, A pata da Gazela, Cinco Minutos, Diva e outros romances. Viajei através do Romantismo e do Barroco, passeei pela beleza dos escritores portugueses e mergulhei, enfim, no mundo universal dos grandes clássicos, com passagens por outras searas como os grandes poetas brasileiros, russos e ingleses.
Assustei-me com A Divina Comédia, de Dante, fiquei perplexo com os absurdos, a meu ver, percebidos em O Príncipe, de Maquiavel; estremeci ao ler Fausto e Werther, de Goethe; quase chorei com o brilhantismo das cenas descritas no livro A Mãe, de Máximo Gorky; e então, certo dia alguém me emprestou um dos livros mais densos e emocionantes que os meus olhos jamais viram: Os Irmãos Karamázov, de Fiodor Mikháilovitch Dostoievski, de quem também li e reli, deslumbrado, Crime e Castigo. Foram grandes obras verdadeiramente inesquecíveis que marcaram minha alma.
De certa feita, adoentado e febril, deitado numa rede e devidamente enrolado num lençol grosso para suar depois de um chá de limão com alho(como era costume naquele tempo), contrabandeei para sob as cobertas um exemplar de O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, devorando-o inteirinho de uma só “deitada”, e desse momento em diante não sosseguei mais enquanto não li Por quem os Sinos Dobram e Adeus às Armas, do velho escritor que deu fim à própria vida enfiando o cano de uma espingarda na boca e disparando, num gesto tresloucado e incompreensível. De Fernando Sabino, o primeiro livro foi O Homem Nu, os demais vieram em cascata, da mesma forma com Carlos Drummond, Guimarães Rosa( Grande Sertão, veredas, o destaque maior!), depois Gabriel Garcia Márquez( Cem anos de Solidão é insuperável e inteligente; O amor nos tempos do cólera, igualmente), Graciliano Ramos(Vidas Secas, que maravilha exemplar de literatura primorosa; Angústia; Memórias do Cárcere, entre outros, todos belíssimos).
Eu lia tudo quase em desespero, parecendo alguém famélico que enxergava um banquete diante de si e se lambuzava todo com a farra da comilança. Então, um dia, meio que de súbito, caiu-me às mãos o livro Crítica da Razão Pura, de Imanuel Kant. Embora não conseguindo alcançar por inteiro o conteúdo da famosa obra, algo ficou para desembaralhar os fragmentos de minhas idéias e resultar nalgum empirismo meio torto de meus despretensiosos textos. Sem dúvida, os livros, companheiros fiéis e constantes de minha vida até hoje, têm trazido à realidade do meu cotidiano indizíveis prazeres que somente o espírito sente e conserva para sempre.

IMPERFEIÇÃO HUMANA



Tudo bem, reconheço,
não sou perfeito
mas quem o é neste mundo incoerente?
Existe um ser humano sem defeito?
Não conheço nenhum homem inocente
.
Pedras quase todos preferem atirar
e fazem isso na maior tranqüilidade,
tecer críticas é melhor do que amar
os corações ocultam a iniqüidade
.
Somos hipócritas quando acusamos
há sujeira no dedo que apontamos
nossos corações camuflam o pecado
.
Em sendo assim, é lícito julgar alguém?
Realmente, ninguém é melhor do que ninguém
Todos temos o estigma do errado