domingo, 29 de março de 2009

CHEGA DE FLANELINHAS

O nosso País tem nas mãos um grave problema com premente necessidade de solução: refiro-me aos assim chamados flanelinhas, uma verdadeira onda de desempregados encostados pelas ruas, num movimento de acomodação e (des)cidadania que vem se alastrando de forma descontrolada e, creio, irreversível. São pessoas que, no meu modesto entender, praticando esse tipo de “atividade” indesejável, nada produzem para a sociedade, não querem trabalhar porque sentados em algum lugar do centro podem “ganhar” mais do que ganhariam se estivessem empregadas, por isso não pretendem outra vida. Por conseguinte, eles não dão qualquer passo para sua cidadania, certamente não estudam e, abanando suas flanelinhas para cada motorista que avistam, vão tomando posse de grandes extensões destinadas aos carros, tornando-as áreas privadas das quais se acham donos e delas não abrem mão. Lá, eles mandam e desmandam e ninguém faz nada, diz nada, impede nada. Acuados, os motoristas temem deixar seus transportes nas imediações ou, se o fazem, são obrigados a pagar por uma vaga a que têm direito porque pagam o IPVA e demais taxas e impostos para circular e estacionar em qualquer área permitida pela legislação de trânsito. Já os mencionados flanelinhas, sem patrão, sem horário, dono do próprio nariz, mas sem contribuir em nada para o progresso da Nação, vão se apropriado dos estacionamentos públicos sem qualquer problema, olhando com cara feia para quem ousa não deixar a gorjeta conforme suas regras. Alguns, mais atrevidos, cobram valores estipulados por eles mesmos. Embora toda regra tenha exceção e sabemos disso de cor e salteado, os flanelinhas são arrogantes, grosseiros e, muitas vezes, perigosos. Sim, perigosos porque se o dono do carro estacionado não “pagar” para deixar seu carro ali no espaço que já considera dele, o pretenso “dono do pedaço” pode arranhar o precioso e caríssimo bem, secar ou mesmo furar os pneus do carro. A coisa encontra-se de tal maneira já incontrolável que, segundo dizem, eles cometem violência entre si para não perder o ponto demarcado como seu. Alguns chegam mesmo a matar para conservar o espaço que eles consideram de propriedade particular, seu espaço de “trabalho”, tremendo absurdo a prejudicar quem tem o sagrado direito de estacionar onde lhe for permitido por lei nas ruas da cidade.

Há que ser feito alguma coisa para a proteção de quem circula de carro pelas ruas e deseja estacionar nas proximidades dos lugares para onde si dirige com as finalidades corriqueiras. Porque se quem quer que seja parar seu automóvel em qualquer dos diversos pontos diferentes do centro da cidade encontrará em cada um deles um flanelinha. E todos, sem exceção, “cobrarão” uma graninha para “olhar” o automóvel. E eles de imediato encaram o cidadão no carro com um certo ar de superioridade, de senhor da rua, quase sempre vomitando ameaça nas entrelinhas de suas gírias. É irritante, sem dúvida, e paira sobre nós o indefectível desconforto de não ter a quem apelar para que haja um fim nessa extorsão velada. Quando vai deixar de existir flanelinhas nos logradouros públicos? Quando poderemos estacionar livremente nossos carros nos locais permitidos por lei sem tremer diante de um desocupado com uma flanela na mão? Uso o termo desocupado porque não existe na Legislação Brasileira a profissão de flanelinha. E se existisse, quem seria o patrão? Seríamos obrigados a pagar mais esse imposto para aqueles ociosos sentados nas esquinas?. O pior é que muita gente acostumou mal tais pessoas. Sim, já vi motoristas procurando o flanelinha, aos gritos, para entregar-lhe a “gorjeta” ou o “pedágio” eu diria melhor, enquanto o cara está distante, de costas, fumando e rindo com os seus parceiros. O referido motorista não sossegou até que ele, quando quis, virou-se e, andando todo displicente e faceiro, sem pressa, foi receber o dinheiro. ABSURDO!

Então essa coisa de aparecer flanelinha nas grandes cidades foi crescendo e se disseminando estupidamente pelo País até o ponto em que atualmente se encontra. E agora? Por que não fazemos como a Prefeitura de Gramado, no RS, que, segundo alguém me disse, não permitiu de jeito nenhum a proliferação de flanelinhas em suas ruas? Gramado talvez seja a única cidade brasileira sem essa praga social. O restante do Brasil, contudo, está sendo obrigado a conviver com esses malandros, que não querem estudar, nem trabalhar, nem produzir algo decente para a Nação, preferindo a vagabundagem paga em virtude do medo que nos atormenta. Deixo meu protesto diante do silêncio das autoridades responsáveis pelo problema. E grito: ABAIXO OS FLANELINHAS!!

sexta-feira, 27 de março de 2009

A FELICIDADE

Ao longo de toda minha vida andei tentando cultivar a semente da tenra plantinha chamada felicidade com o máximo cuidado. Fui arando os espaços por onde caminhei, distribuindo sorrisos, engolindo em seco - algumas vezes também ficava aquilo preso na garganta dias e dias até, finalmente, descer goela abaixo quando a compreensão aliviava a mágoa no coração - os pescoções e sapos maiores do que minha capacidade de assimilar suportava. Precisei, como é de lei não escrita no relacionamento humano, renunciar tanto, baixar a cabeça incontáveis vezes, derramar lágrimas sobre o travesseiro enquanto refletia sobre fatos e atos, buscando entender o sentido de estar vivo quando inúmeros já tinham recebido o bilhete de ida sem retorno.

Fui percebendo, no passar do tempo, que para subsistir e ser completa a felicidade necessita de pequenas coisas do cotidiano, de detalhes simples, por vezes insignificantes, que fazem a grande diferença na contabilidade final e complexa desse estágio da existência tão anelado por todos nós. Todavia surpreendi-me ao descobrir o quanto a presença dos meus semelhantes é parte sin ne qua non dessa tal felicidade. Sem a presença imprescindível dos muitos próximos, em especial dos mais próximos como amigos, familiares, parentes e, claro, os amores, impossível seu desenvolvimento completo e sadio. Porque a felicidade, compreendi e me alegrei com essa assertiva, não vem sozinha e repentina como algo avulso ou uma folha seca trazida pelo vento. Para acontecer e tornar-se real, palpável e desfrutável a felicidade, da maneira como nós seres humanos a enxergamos, há que ter por base sólida, o esteio indispensável para firmar-se e permanecer, as demais criaturas dividindo conosco as benesses de seus gloriosos frutos.

De que maneira, então, é possível encontrar o caminho mais plausível para alcançá-la? Como isso é possível? Onde descobrir os contornos desse misteriosos e abstrato estado de vida tão ansiosamente procurado por todos os homens e mulheres?. O apoio e incentivo dos pais na infância, a amizade na adolescência, os braços amorosos da namorada, a constituição da própria família, o trabalho digno respaldado por salário adequado com vistas a um viver honroso e com qualidade, a leitura constante de bons livros e demais incentivos culturais que despertam o intelecto, enfim, todos os fragmentos de prazeres e alegrias brotando dia após dia fazem o painel de algo maravilhoso a que chamamos de felicidade.

Tropeços ocorreram porque são inevitáveis e inerentes a essa linda jornada onde nos colocaram nossos pais. Rosas e espinhos ocupam o mesmo espaço enquanto seguimos adiante. Temos consciência que a felicidade é construída aqui e ali, em momentos inesquecíveis bordados de risos contagiantes, com pedaços de alegria depois de escamoteadas as tristezas, olvidadas as desilusões. Penso que a felicidade me tem visitado vez por outra em seus frequentes retalhos e visíveis contornos, acreditando ser ela vivida de instantes, de pequenas pepitas de ouro que vamos encontrando no caminho escolhido por cada um de nós. Esse fabuloso êxtase a que denominamos de felicidade jamais será conseguido em sua totalidade por qualquer um de nós, porque ela se caracteriza nos lampejos momentâneos que nos dão prazer e a doce sensação de ser feliz. Lampejos esses inconstantes, inesperados e nem sempre à mão.

quinta-feira, 26 de março de 2009

CANGACEIRO SANTO??

Foto da net

Quando o cangaceiro conhecido por Jararaca, que foi preso na cidade de Mossoró no dia 14/06/1927, após ter sido ferido duas vezes no decorrer da batalha travada entre bandidos invasores e os cidadãos defensores da localidade(aos interessados em conhecer todo o fato informo que o meu livro O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ - Trovas pode ser adquirido através do site www.biblioteca24x7.com.br), foi enterrado ainda vivo numa cova rasa aberta à entrada do cemitério, o clamor do povo foi quase geral. Por razões diversas, aí incluídos compaixão e temor. Alguns respirando aliviados pelo desaparecimento de uma verdadeira fera humana cujas atrocidades eram bem conhecida de muitos; outros deplorando a forma como ele foi sepultado conforme corria a notícia à solta logo ao amanhecer do dia de sua morte.


Contam que naquela madrugada, levado por policiais ao cemitério pensando que estava seguindo para um presídio em Natal consoante lhe haviam dito quando saíram, Jararaca, as mãos amarradas, finalmente percebeu a real intenção deles ao avistar a cova aberta. Naquele preciso instante, é óbvio, ele compreendeu que seria assassinado e enterrado na calada da noite. Afoito, provavelmente querendo demonstrar sua coragem ante a iminência de morrer, pediu que lhe soltassem pelo menos uma das mãos para cair lutando como um homem valente . A resposta foi uma forte coronhada desferida em sua nuca por um dos soldados da polícia(há quem afirme que ele foi "sangrado" na jugular por esse policial), e Jararaca caiu se debatendo na vala. Imediatamente, embora ele respirasse, trataram de cobrí-lo com a areia utilizada para fechar a cova.

Essa morte horrenda despertou superstição e medo na mente simplória de grande parte da população mossoroense, espalhando-se o espanto e o temor para as cidades próximas. Ao ponto de, em pouco tempo, sabedores da maneira macabra como Jararaca tinha sido enterrado, começaram alguns a acender velas no túmulo do cangaceiro e fazer rezas ajoelhados e contritos, sempre no dia de finados, depois em qualquer época do ano, pois velas são vistas acesas de vez em quando na calçada em que foi transformada a sepultura do cangaceiro.

A princípio eram poucos os assim chamados "fiéis" presentes e compungidos à entrada do cemitério, despertando surpresa nos que passavam nas proximidades e enxergavam a estranheza daquele ato. Depois, contudo, passando de boca em boca estórias de supostos milagres atribuídos a ele, o número de adeptos foi gradativamente aumentando, criando, desse modo, o mito de que Jararaca virara "santo" depois de ser enterrado ainda vivo e tornara-se capaz de fazer "milagres" e "curas". E como basta isso para aguçar o desejo de acreditar no sobrenatural e seguir as correntes à frente dessas crendices, o relato de seus crimes e a maneira cruel com que assassinava suas vítimas quando fazia parte do bando do famigerado cangaceiro Virgolino Lampião imediatamente foram esquecidos.

Para grande parte do povão ingênuo, José Leite de Santana, vulgo Jararaca, pernambucano de nascimento, bandido afoito e valente, destemido, violento, sagaz, um verdadeiro bárbaro, por ter sofrido o terrível suplício de ser coberto pela areia do cemitério quando seu coração pulsava com vigor(pois essa fora a versão contada pela história tempos depois do acontecido, malgrado a existência de diversas versões a respeito, predominando porém a de que realmente o cobriram de areia quando ainda respirava ) ganhara o condão de ser elevado à categoria de "santo".

Até hoje, nesses tempos da comunicação ultra-rápida pela internet, em plena era do conhecimento e já em andamento o século vinte e um muitos são os que, crendo na "santidade" do cangaceiro Jararaca, fazem romaria para visitar o túmulo dele na parte externa do cemitério de Mossoró, onde seus restos mortais estão depositados, com o precípuo intuito de acender velas, rezar muito e, com certeza, fazer pedidos de toda espécie, mormente para curar enfermidades, arranjar emprego e pelas causas impossíveis conforme a opinião de cada um.

Com que facilidade, bem vemos, as pessoas se deixam guiar por crendices e superstições e esquecem que, no falar de Deus através de Sua santa palavra, o único mediador entre Ele e os homens é o Senhor Jesus Cristo. Ninguém mais, ninguém mesmo!

terça-feira, 24 de março de 2009

JÁ NÃO SINTO SAUDADE


Não há muito do que ter saudade
as nossas palmeiras devastamos
e restou só a triste realidade:
todos os sabiás já matamos

Feito estúpidos, desmatamos,
jogamos esgotos em nossos rios
florestas inteiras derrubamos
pela ambição foram-se os brios

Das várzeas, onde estão as flores?
Ficaram escuras as estrelas
até do céu borramos as cores
foram-se as matas brasileiras

Só resta lembrar o que já não temos
o silêncio substituiu o gorjear
as aves que nas gaiolas prendemos,
melancólicas, não querem cantar

Límpido outrora o oceano
é agora cemitério de peixes
dizimados por brutos insanos
usando dinamite aos feixes

Homens fazem tudo prá destruir
emporcalham os seus mananciais
viver não é mais razão para sorrir
recordações boas não tenho mais

Da terra que deixei vou esquecer
já não há o exalar dos matagais
o mutismo saúda o amanhecer
matamos aves, plantas, animais

Em pouco, não haverá amanhã
nossos netos de sede morrerão
somos infantis como Peter Pan
nossos sonhos, breve, acabarão

sábado, 21 de março de 2009

SALVEM NOSSO PLANETA!


Morei dez anos na lua
por São Jorge procurando
mas não encontrei nem rastro,
ele estava viajando,
então pedi às estrelas
que gostaria de vê-las
luzes no céu desenhando
.
Elas apenas sorriram
olhando-me deslumbradas,
em silêncio cochichavam
mas um pouco acanhadas,
sem qualquer razão sumiram
e penso que elas saíram
comigo desconfiadas
.
Ainda quis visitar o sol
e busquei sondar o ambiente
mas depois de analisar
vi que estava meio quente,
não fui, não gosto de calor
seja em que lugar for
pois me faz ficar doente
.
Dei um pulinho a Saturno
pus nos dedos seus anéis
- pense num lugar tranquilo
sem mandões, sem coronéis! -
Passei na pastelaria
indicada por Maria
comendo cinquenta pastéis
.
Bem, fiquei empanturrado
com tal baita comilança
precisei de caminhada
prá digerir a pastelança
lá no meio do caminho
encontrei um passarinho
e me senti feito criança
.
Vocês me perguntariam
por que tanta aventura,
não é melhor ficar na Terra
invés de tanta procura?
Eu respondo de coração
fugi foi da poluição
que me causava tontura
.
E não só isso, camarada,
vê o que lá andam fazendo:
derrubam nossas florestas,
na água que estão bebendo
jogam lixo, quem diria!,
botam tanta porcaria
em tudo que vão comendo
.
Veja, prá varrer a calçada
os tolos abrem a torneira
desperdiçam tanta água
parecendo brincadeira,
assim agem sem pensar
que o líquido acabará
um dia, nessa besteira
.
Contaminam alimentos
com a trans, essa gordura,
apodrecem nossos rios,
está o clima na fervura
por causa dessa camada
de ozônio, camarada,
virou tudo loucura!
.
Não, prá Terra não volto mais
fico mesmo no espaço
não quero pegar câncer
com nitrato no pedaço
esse planeta acabou
pois o homem o desgraçou
pouco a pouco, passo a passo
.
Vou prá Marte, talvez Vênus,
outra galáxia qualquer
viver numa nuvem dessas
em algum local que tiver
uma vida sem tristeza
que me dê essa moleza
e ninguém pegue no meu pé
.
Quero paz de espírito
não topar com violência
um lugar não poluído
preservada a existência
que tenha respeito à vida
seja pouco conhecida
também área desprovida
de pobreza e de carência
.
Montarei qualquer cometa
pelo espaço voando
na beleza desse sonho
sigo bem devaneando
enquanto nessa multidão
fazendo da Terra lixão
os homens vão se matando
.
Não vou assistir calado
a natureza devastada
os animais sendo mortos
a água contaminada
o viver tornado inferno
e o que outrora era terno
virou vida desgraçada
.
Cá do meu endoidecer
eis-me apenas sonhador
prefiro o mundo ilusão
que terra de sofredor
melhor puros mananciais
e dividir com os animais
floresta, água, amor

quinta-feira, 19 de março de 2009

LIÇÕES

Cada ser humano carrega a própria cruz que construiu:
insuportável , se a idealizou com desgosto;
leve, se sorrindo edificou cada peça do seu calvário.
Porque nós fazemos nosso sofrimento ao longo da vida

A fonte de onde buscamos água deve ser limpa e pura,
os amigos que escolhemos são como essa fonte;
se ela estiver poluída e enlamaçada, quanto prejuízo!
Caso seja cristalina e límpida, lavamos bem nossa alma.

Nosso planeta não é mina inesgotável, mas vida delicada;
como um bebê que precisa de cuidados, ele pode perecer.
Também devemos lembrar que ele não é apenas nosso,
pertence igualmente às gerações que um dia virão.

Cuidemos da vida humana diariamente, ela é débil, frágil;
devastar nossas florestas é o mesmo que ferir a humanidade
e de maneira tal que, mortalmente atingida, verá seu fim;
somos tão egoístas assim? Tratemos a vida com apreço!

Os mananciais de água potável são preciosos diamantes
de incomparável valor, mas hoje os tratamos como lixo;
a continuar assim, em breve morreremos por um copo dágua,
voltando a ser bárbaros que se matam como animais ferozes

Um gesto de ternura vale por mil gritos grosseiros,
sorrir enobrece homens e mulheres; os sorrisos conquistam.
Caretas desfiguram os corações de forma horrenda,
enquanto um olhar compreensivo é lenitivo para a alma.

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Aos estimados amigos de Lisboa e Porto, em Portugal, informo que eu e minha esposa viajaremos para esses lugares maravilhosos no próximo dia 03/04, se Deus quiser. Provavelmente levarei alguns exemplares do meu novo livro e poderemos nos encontrar em qualquer local aprazível para conversar sobre o mesmo e sobre nossos blogs. Viajaremos com um grupo de natalenses e teremos somente um dia inteiro livre em Lisboa e também um dia livre em Porto. Meu e-mail: gilbamarbezerra@ig.com.br .