terça-feira, 12 de outubro de 2010

DIA DAS CRIANÇAS

Há uma criança inocente se divertindo nas cordas do meu coração enquanto o adulto brinca de ser gente grande e sofre as consequencias disso. O menino que sonha e vive de seus devaneios lúdicos e o amadurecido e circunspecto senhor envolto no pragmatismo que o faz envelhecer e se tornar casmurro. A cada instante a inocência burla a rígida vigilância do que deixou de ser criança, levando este a contornar os obstáculos que o impedem de rir, chorar e se emocionar. Então, nessa rápida transformação transitória, por vezes somente um relance passageiro, seus olhos vislumbram o mundo sob um novo e maravilhoso aspecto, abrem-se novos horizontes à sua mente rejuvenescida por breve momento. Ele, então, sente que pode, sim, derramar lágrimas e desfazer-se em gostosas gargalhadas sem que isso injurie sua humanidade.

O homem é o garoto impiedosamente obrigado a assumir o desencanto de amadurecer. A batalha inglória entre ambos pela supremacia de um ou outro estado é percebida no semblante melancólico descortinado de quando em quando. Perceptível se torna o conflito no olhar perdido buscando horizontes inexistentes, no ar cansado e aflito que se deixa abater em meio à luta. O adulto vence e mata a criança existente em sua alma, deixando-se levar pela furiosa onda do tempo, dos cabelos prateados, da calvície, da pele flácida, da falta de massa muscular, de amor. Porque o amor infantil é sublime, mas sucumbe à idade que chega; o que brota nos maduros quase sempre tem um quê de egoísmo e oscila entre o ser e o ter. Sentimento de posse, ânsia de ser dono, anelo de possuir sob amarras e pressões. Perecem o menino sorridente ainda moribundo na mente ocupada por afazeres adultos e o senhor sorumbático atabalhoado entre inúmeras decisões que a vida e o tempo impõem.

É possível a alguém ser homem-criança e no mesmo esboço humano continuar monitorando as rédeas da responsabilidade que lhe chegaram às mãos independente de sua vontade? Sim, em termos. Dispor de horas para brincar com os filhos caso os tenha, dar-lhes a devida atenção quando pedirem, acompanhar a evolução escolar passo a passo, proporcionar-lhes uma educação baseada nos mais nobres princípios e deixar que o espírito de um instante lúdico e coloque no mesmo nível de entendimento e desprendimento infantis. Agir feito criança nem sempre é sinônimo de irresponsabilidade, quiçá o seja de bom senso quando o momento requer. Que permaneça no âmago de cada um pouco da criança que todos um dia fomos.

domingo, 10 de outubro de 2010

O VELHO E O MAR

A LUTA DA RAZÃO CONTRA O INSTINTO

Foi uma febre chata e incômoda que me proporcionou, na minha adolescência, a melhor das leituras daquele tempo inesquecível. Eu tinha conseguido emprestado de alguém, não lembro quem, essa excepcional obra de Ernest Hemingway e ainda não havia iniciado sua leitura quando, por alguma razão que não me vem à memória, fui acometido da febre em questão e me vi encolhido e trêmulo enquanto minha mãe preparava uma infusão bem quente para me curar por intermédio do famoso suadouro. O suadouro era um método caseiro bastante eficaz, resolvia o problema da febre e consistia de o doente isolar-se num quarto todo fechado, beber a infusão e se agasalhar por completo para suar em bicas. Quando estivesse todo molhado de suor estaria definitivamente curado. Então, paulatinamente, ainda sem abrir a porta do quarto, se livraria sem pressa do agasalho e da roupa ensopada e aguardaria o momento certo para sair do quarto sem perigo de um vento frio provocar-lhe choque térmico. E adeus febre!

Pois nesse dia fui para o suadouro após tomar o chá quente e levei para debaixo dos lençóis o exemplar emprestado de O Velho e o Mar. Logo após a leitura da primeira página esqueci tudo e viajei no inimaginável universo de Santiago, o velho pescador e principal personagem da história juntamente com um enorme merlin que ele consegue pescar. Uma batalha inglória se inicia entre o peixe descomunal e o pobre homem já desprovido da força e do vigor de outrora. E o livro vai desenrolando de forma brilhante essa luta espetacular do ser racional cheio de artimanhas contra a criatura irracional ao longo do dia, enquanto os tubarões ao redor do barco de Santiago, aproximando-se pelo odor de sangue do merlin espalhado na água, entram na briga desesperados disputando com ele seu magnífico trofeu, que se debate tentando, por sua vez, livrar-se do anzol em sua boca e das mordidas dos mais perigosos predadores do mar.

O ritmo da história é frenético, como num movimentado filme de ação constante, ficando quase impossível os olhos e ao coração do leitor acompanharem ao mesmo tempo as nuances e os contornos do espetáculo. Santiago precisa levar para terra firme o resultado de seu trabalho, aquele enorme peixe amarrado ao lado do seu barco porque dentro não cabia, de maneira a provar aos outros pescadores que zombaram dele, achando-o incapaz de conseguir pescar sequer um lambari, que, apesar de já velho e fraco em termos físicos, estava em reais condições de pescar tão bem quanto quando era jovem. No entanto, seu barco afastou-se demais da praia e ele precisava ao mesmo tempo remar naquela direção, aquietar o merlin enfurecido e brigar com os tubarões esfomeados.

O resultado? Melhor ler a obra para saber. Tanto pela maravilhosa história em si cujo interesse do leitor em ir até a última página com vistas a saber como tudo terminará leva-o pela ansiedade a não largar o livro, quanto pelo estilo primoroso de Ernest Hemingway, o escritor norte-americano que encantou o mundo com obras como Por quem os sinos dobram, O Sol também se levanta(esses a respeito das touradas, que o empolgaram sobremaneira), Adeus às armas, entre outras. Prêmio Nobel de literatura em 1954, esse grande autor literário despediu-se da vida de maneira trágica e inesperada, mas legou à posteridade as mais preciosas pérolas do seu saber, de sua inteligência e de sua criatividade.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

QUANDO PARAMOS DE SONHAR...

Parece que a noite
está brincando
com as estrelas
enquanto a lua observa.

Nem sempre quero
chorar quando a emoção
me atinge, mas os olhos
insistem em chover
para lavar minhas faces.

Amo independente de
ser amado, porque o amor
é planta que nasce solitária
no deserto de cada um.

Por vezes, as coisas simples
tem mais significado
do que as sofisticadas,
e falam intensamente à alma.

O silêncio me diz
profundidades que os sons
jamais pronunciarão.    

Então, todos os dias quero
ser como brisa que acaricia
rostos e afaga cabelos
numa manhã de sol escaldante.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

AMOR QUE SOBREVIVE

Não sobrevive o amor enferrujado
pelas tristes brisas da melancolia
porque deveras morto, desmotivado,
paixão na soberba dor da agonia

Se ao delírio da monotonia desce
a ternura que foge do inesperado,
é tarde que, ante a noite, empalidece
achas escuras de fogo apagado

Triste é o amor que não se deixa envolver
pela suave luz da imaginação,
fazendo o dia tornar-se anoitecer

As surpresas em alcova transformando
tangendo-se do monótono e da razão
surpreendendo como faz o oceano

sábado, 2 de outubro de 2010

UM LIVRO MÁGICO

O escritor espanhol Carlos Luis Zafón escreveu um romance de tirar o fôlego dos amantes da literatura. Para quem inicia a leitura do grandioso e fustigante relato pensando em encontrar apenas mais uma estória para passar o tempo numa fila de banco ou na sala de espera do aeroporto é uma verdadeira revelação e um grande impacto. Porque a partir da primeira página ninguém consegue mais parar de ler. Com a maestria de quem tem talento, dom, capacidade e o domínio da arte literária, Zafón vai desenvolvendo seu texto num crescendo, de maneira hábil, como a montar um delirante quebra-cabeças de milhares de pequeninas peças e quase sem deixar pistas do que vai acontecer no capítulo seguinte. 
 
É um livro denso, empolgante, daqueles que começamos a ler à noite, os olhos esbugalhados e atentos, a mente concentrada no desenrolar do contexto e só paramos na última página, o dia já claro. O personagem principal do romance chama-se Daniel, mas o realce da trama é dado principalmente ao livro e ao encanto que esse produto da inteligência humana produz em todos nós seus admiradores fanáticos. De tão mágico, misterioso, sobressaltante e, até mesmo, sobrenatural, A Sombra do Vento desperta aquela ânsia natural de chegar à conclusão da estória para compreender as razões e os porquês de todo o emaranhado de acontecimentos que por muito pouco não explodem diante de nossos olhos, tamanha a força do relato.
 
O enredo é fascinante, espetacular, empolgante, belo muitas vezes, doentio também em determinados momentos, lírico por instantes, mas essencialmente misterioso, chega a doer na alma cada fragmento de suspense, cada detalhe minuciosamente narrado, então o desejo de saber logo o que vai ocorrer a seguir acelera as batidas do coração e aumenta a adrenalina. O romance é volumoso, mas não há nenhuma frase desnecessária em todo o decorrer de seu conteúdo. As palavras parecem ter sido lapidadas uma a uma para a confecção desse impressionante livro. Carlos Luis Zanón fez um gol de placa ao escrevê-lo. Confesso que o li em dois dias, somente fazendo intervalos quando imprescindíveis e para as atividades inadiáveis do cotidiano. O título, a meu ver, não diz muito nem se mostra muito atraente para quem o vê em alguma estante, todavia basta ler a primeira frase para apaixonar-se.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

QUANTO SOFRER!

Apagou-se o sorriso, bateu a tristeza
e já não havia mais ternura,
meiguice e enternecer diluíram-se
em meio à névoa do mutismo.
Mas as lágrimas não rompiam os olhos
como se retidas pelo medo de chorar,
então a tempestade desabou
impiedosa sobre o coração,
enquanto uma garra sombria
martelava suas batidas veementes,
sendo impossível segurar a dor.
Ah mágoa inopinada, quanto sofrer
impões em instantes inesperados,
quantas portas se fecham herméticas
ao suave sussurrar da alegria
deixando soberana a amargura.
Quisera amar sem vãos momentos
em que não se pode resistir
às tormentas e às furiosas ondas
que desabam sobre o amor
para quebrar-lhe todo o querer!
São tantas as pedras no caminho,
e removê-las custa uma vida inteira.
Como fere a garra do brusco ódio
que sufoca e corrói sentimentos.

domingo, 26 de setembro de 2010

"A CABANA" - Resenha

A Cabana
Autor: William P. Young
Editora: Sextante
236 págs.

Prepare a emoção para adentrar o deslumbrante universo do inimaginável, incompreensivo e inusitado. Mas também abra seu coração para receber jorros intensos de ternura e de palavras que calarão fundo em sua alma. E fique ciente de que o livro A Cabana excede toda e qualquer expectativa de criatividade e profundidade num assunto polêmico, difícil de ser tratado, mas ao mesmo tempo terno e instigante. A obra envereda de maneira a princípio singela, a seguir dolorosamente explosiva, depois intrigante, embarcando pelos caminhos da fascinação, do amor e da paz, ao descrever como o pecado, o perdão, o arrependimento e a salvação podem ter uma diferente e inesperada percepção sob o ponto de vista de Deus no Seu relacionamento com a humanidade. Há algo desse naipe na mensagem do escritor William P. Young, é perceptível.

O autor ousou ao extremo ao colocar frases surpreendentes nos lábios dos personagens por ele denominados de Papai, Jesus e Sarayu, porém, bruscamente o leitor descobre de imediato que esses três são apenas um, e este não é só um, mas três, embora continue um. E fica atônito. Essa perplexidade, contudo, não é negativa, pelo contrário. Parece que uma repentina luz, mais brilhante e intensa, brilha ante seus olhos e novas perspectivas se lhe mostram ao espírito. Anela-se, a partir de tal momento da leitura, beber mais e mais dessa inesgotável fonte sublime, envolver-se nesse manancial para dele obter o máximo, o infinito. Torna-se docemente impossível, então, desse ponto em diante, controlar o ritmo das pulsações aceleradas do coração. A rapidez dos diálogos, o imediatismo dos raciocínios entre as personagens e a dificuldade para compreender de pronto a lógica e a coerência do pensamento divino chega quase a desnortear. Porém, esses são os instantes mais fascinantes do livro.

Nada é banal em A Cabana, a trama é um encaixe perfeito apesar de sinuoso. Mack Allen vai passar um fim de semana acampado com os filhos num lugar onde a natureza esmerou-se em esbanjar beleza, mistério e grandeza. O passeio, que tinha tudo para ser divertido e feliz, termina numa macabra tragédia: sua filha caçula, Missy, é assassinada por um desconhecido matador de meninas. Parte das vestimentas da garota é encontrada cheia de sangue na Cabana, mas o seu corpo desaparece sem deixar nenhum vestígio. Sobrecarregado pela agonia da perda irreparável, uma grande tristeza desaba sobre o pai enlouquecido de dor e afeta o relacionamento familiar. Depois, quando a subsequencia dos anos ameniza parcialmente o horror das lembranças e da ausência de Missy, Mack recebe um bilhete assinado por "Papai" convidando-o a voltar à Cabana, onde estará esperando por ele para um encontro de fim de semana. O assombro enregela a alma de Mack. "Papai" era como a mulher dele, Nan, chamava Deus.

O ângulo religioso de cada leitor de A Cabana tenderá a sofrer entorces e contusões, hematomas e reviravoltas, terminando em cicatrizes perenes após fechar a última página do livro. Por outro lado, um irresistível desejo de recomeçar a leitura se esboçará logo a seguir, levado pela recordação das enternecedoras frases sussurradas por Papai, Jesus e Sarayu e dirigidas a Mack ao longo das quase 220 páginas em que os três-um, o um-três, participa(m) da história, e saem de cena. Dúvidas e perguntas surgirão na consciência de quem folhear A cabana lendo capítulo por capítulo e se deleitando ou se deixando conduzir por sentimentos contraditórios dos quais não poderá fugir. Ninguém terminará o mesmo ao fim. Por mais que
tente.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O CÃO NA JANELA

 
Ao longo de nossa existência nos deparamos com momentos e paisagens de tamanho apelo emocional que se arraigam nas lembranças constantes que nos vem à mente e são capazes de permanecer inscritos na alma como algo indelével. Tais flagrantes se encontram no cotidiano e se esboçam num súbito, quase a ponto de nos surpreender como chuva fina inesperada.

O cãozinho na janela do terceiro andar do prédio em frente ao meu apartamento, expressando uma ternura melancólica tocante e estranhamente profunda, tomou realce como o padrão mais singelo desses instantes. Eu o vislumbrei meio que de maneira subreptícia num dia qualquer, à guisa de algo bem à frente dos nossos passos, mas de tão singelo e inaudito parecia se esconder da própria razão de viver em algum desvão invisível de cenas bucólicas às quais ficamos indiferentes e, sem que notemos, muitas vezes nos passam despercebidos no cotidiano. Mas todos os dias ele se postava no mesmo lugar, sem latir e sem mexer nenhuma das patinhas, imóvel tal qual uma estátua de mármore.

Ali estava ele durante toda a manhã e também quando a tarde declinava, em absoluto silêncio, provavelmente olhando o vazio porque as tantas vezes em que o vi e acenei para chamar sua atenção ficou em completa indiferença, a impressão é que não me via e talvez não enxergasse mais nada além das próprias impressões pontilhando seu diminuto cérebro, a cabecinha coberta de pelos brancos recostada na grade de proteção da janela, quieto e tranquilo como um menino comportado.  Não mexia um único músculo deixando-se ficar numa imutável posição enervante, a pouco de enlouquecer qualquer um pelas imediações que se propusesse a descobrir os motivos que o levavam a não sair desse letárgico estado.  A brisa suave lhe acariciava o focinho, a grade flexível em tantos instantes balançava à força de um vento mais forte, as pessoas caminhavam sob a sacada do prédio a chamar-lhe a atenção, as folhas das árvores se movimentavam nos galhos à sua frente, o tempo corria sem trégua, mas o cão seguia no inabalável mutismo, sem mudar de posição nem desviar a atenção de alguma coisa inusitada que somente ele avistava.

Todos os dias, sem viariar, o cão se mostra à janela sem emitir nenhum som ou fazer qualquer movimento, lembrando um quadro vivo nalguma vitrina pet para distrair possíveis interessados. Decerto triste, talvez lúgubre, quem sabe? Terá conhecimento de segredos inauditos que quisera ou gostaria de revelar mas não pode? Por que não se comunica nem mesmo com os convivas do apartamento que se faz sua prisão, seu claustro, seu esconderijo? Penso que esse cãozinho  deixará de viver repentinamente ali mesmo qualquer dia desses, deveras infartado ou certamente pelo abandono de si mesmo. O bichinho se entregou à amargura, penso. Perdeu o anelo de continuar vivo, é provável. Enquanto isso não acontece, fica à janela vagando os olhos pelo platonismo do vazio abissal.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

RESPEITEM A VELHICE

A vida inteira homens e mulheres se dedicam ao estudo entre a infância, a adolescência e a juventude ralando duramente para alcançar um futuro brilhante que os torne capazes de constituir família com dignidade. A seguir, chega a maturidade, conclui os inacabáveis anos de faculdade e depois o mestrado, pulam essa fogueira de chamas altas, assumem empregos de alto gabarito e galgam honrosas posições no trabalho. Criam seus filhos, acompanhando o estudo e a evolução de cada um, procurando deixar todos no melhor caminho que a educação possa conceder juntamente com o conhecimento, então vem a aposentadoria e os cabelos brancos. Os filhos, criados e educados, repisando a mesma caminhada deles, aos poucos vão sumindo na jornada humana procurando o próprio destino. O ciclo então se renova.

Envelhecidos, muitos deles nunca tiveram tempo para se cuidar tanto com alimentação saudável e balenceada quanto indo à academia para se movimentar, então adoecem, aparece o mal de Alzheimer, surgem as enfermidades do coração, muitos se transformam em obesos ou sucubem à diabetes e se prostram nas cadeiras de balanço, nos sofás, nas camas. Esquecidos. De nada lhes valerão as honrarias, os sorrisos mentirosos, os abraços de urso e tamanduá, as adulações tendenciosas, os elogios da boca pra fora. Nesse estágio do viver humano pelo qual todos nós passaremos, embora não sobre para muitos as dores desses dilemas doentis porque há os que se preparam para não sofrê-las fazendo atividades físicas, não fumando nem bebendo e se alimentando bem, no sentido de saudável, quando poderiam usufruir da benéfica carga de experiência proporcionado pelos anos de aprendizagem e dos bens garantidores de uma velhice digna, soçobram e imergem ao fundo do poço esperando a última hora.

Para piorar ainda mais essa condição, como a última e mais infamante humilhação a sofrer, esses homens e mulheres idosos e doentes são entregues a cuidadores impiedosos, covardes e insensíveis, que os maltratam da forma mais hedionda, jogam-nos na cama como se fossem trapos, batem-lhes no rosto, nos braços, nas costas, na cabeça e os forçam a ingerir alimentos, remédios e líquidos da forma mais brutal e selvagem possível. Sem dó nem piedade. Os pobres indefesos, criaturas inocentes e debilitados pelas doenças, mormente o Mal de Alzheimer, quase sempre já não falam ou balbuciam, quiçá nem mais derramem lágrimas pois já a fonte secou, transformados à condição infantil, como recém-nascidos, atravessam essa via crucis calados, obrigados a um resto de existência sem o menor respeito, o mais ínfimo carinho, a mais remota dignidade.

Lembremos de envelhecer com saúde, de não nos desgastarmos desvairados na juventude bebendo feito esponjas e fumando como locomotivas estúpidas. E não nos esqueçamos que a velhice nos espera amanhã, num futuro próximo. Assim, sinal de senso comum e reverência a nossos pais e avós, tratemo-los o melhor possível dando-lhes condições de viver a terceira idade da maneira mais respeitável e feliz. Em não podendo cuidar nós mesmos deles, que estejamos atentos aos cuidadores de idosos acompanhando-lhes os passos, vigiando, mostrando interesse a fim de que tratem nossos velhos com bondade, gentileza, carinho e atenção. O Mal de Alzheimer, a diabetes, os problemas do coração como pressão alta, entre outros, podem atingir qualquer um de nós. E pode ser esse o futuro que nos espera. Portanto, veja a si próprio nos velhos de hoje e respeite seus cabelos brancos.

                                                Gilbamar de Oliveira Bezerra

Amigos, minha crônica acima foi laureada com A PENA DE OURO pela Academia Literária de Poetas, Escritores e Cronistas. Vejam abaixo:
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A Academia Literária de Poetas, Escritores e Cronistas tem o prazer de destacar a obra literária "RESPEITEM A VELHICE" com pena de ouro.
Receba meus sinceros aplausos, carinho e admiração.

Sheila Assis.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

OS CAFÉS DE BUENOS AIRES

                                               
Sou fascinado pelo ar descontraído, calmo e romântico que emana dos cafés de Buenos Aires quando a tardezinha começa a perder espaço para a noite e muita gente se aconchega em seus espaços gostosos para saborear um saboroso café com alfajores e media lunas ou outras tantas gostosuras típicas da Argentina, enquanto bate papo e esquece o tempo. O aconchego das cafeterias suplanta o ar gelado que o vento conduz  por suas ruas e imensas e largas avenidas enregelando até os ossos dos transeuntes tanto no inverno quanto no outono e na primavera. Pelo sorriso e a animação de seus frequentadores, que ali se sentem como se estivessem em outra esfera do universo humano, longe do frio e do corre-corre, fica perceptível essa cultura tão própria de parisienses e italianos, entre outros, trazida até eles pelos europeus que lá aportaram  deixaram a profundidade de sua marca.

As cafeterias de Buenos Aires se mostram assim como estabelecimentos onde não se mede o prazer de um cafezinho por seu aroma, textura ou pela qualidade do blend servido, mas  através de um prisma mais de magia, sedução e fascínio. Porque tomar café nesses inúmeros locais espalhados em pontos estratégicvos pela cidade, em especial em alguns cuja fama ultrapassou as fronteiras internacionais, como o Café Torttoni, o La Biela e El Gato Negro, o Hard Rock Café, entre tantos outros, é um momento de quase reflexão filosófica, é imergir num suave cadeiloscópio, deixar-se levar sem rumo pelos pensamentos e esquecer o cotidiano. Então, o ato que parece simples ao mais comum dos mortais, para os argentinos se transforma num ritual de proporções estonteantes.

                                                            
                                       Eu, meio desfocado, na frente do Hard Rock Café(Foto de Ana Kaddja)
 
Mas os portenhos, todos eles, independentemente da classe social, não precisam esperar o cair da tarde ou o princípio da noite para sentar-se à mesa de qualquer uma das centenas de cafeterias pululando em todos os perímetros urbanos da bela capital argentina para tomar sua bebida quente e apreciar o vai e vem das pessoas, ou apenas para cultuar o ato como se fosse de lei a atitude. Na verdade, por lá, ninguém necessita de motivos ou de um horário diferenciado para esse intuito. A qualquer momento do dia ou da noite é possível encontrar um bom número de viciados no deleite das cafeterias completamente distraído sorvendo a bebida naquele local antigo já de sua preferência ou na primeira delas que lhe cair aos olhos em seu caminho para o trabalho ou a passeio. Gente bem vestida, senhores e senhoras idosos, trabalhadores, o povo em geral, enfim o argentino. Pois café em Buenos Aires é preferência nacional, como o vinho, a carne e as papas fritas. Ah, e o cigarro, claro - infelizmente!
                                      O salão interno do Hard Rock Café(Foto: Gilbamar de Oliveira) 
 
Não resta a menor sombra de dúvida que uma viagem à capital Argentina não se torna completa se o turista não conhecer e degustar as delícias de alguns cafés pelas esquinas da cidade. Caso queira algo mais sofisticado e cheio de requinte como talheres e bules de prata, além de pratos assinados pelo famoso chef do hotel, num salão luxuoso e encantador onde as pessoas se sentem como se estivessem participando de um fleumático chá inglês, impossível prescindir de usufruir o já tradicional e famoso Té da Tarde no Alvear Palace, na Recoleta, ou no Faena, em Puerto Madero, pois ambos oferecem momentos inesquecíveis ao servirem seus requintes e mimos. Melhor não dar atenção ao valor a ser despendido por esse luxo, o instante vale cada centavo. Os chás e o bufet, à escolha dos clientes, são de dar água na boca, verdadeiros momentos gourmets a serem conservados tanto na memória quanto nas fotos para guardar os flagrantes alegres e deliciosos que decerto todos vivenciarão.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

QUANDO A POESIA ME ABRAÇA

Sou, por assim dizer, um resto de sorriso,
fragmentos de saudades, ilha em mar revolto,
desenhista de sonhos, colecionador de flores,
vendedor de noites enluaradas, o grito da dor

Envolvo-me em nuvens quando a poesia me abraça,
fotografo beija-flores em pleno voo de êxtase,
deixo-me levar por belos entardeceres,
então a magia poética alimenta minha'alma

Quando fecho a noite e abro a madrugada
transporto-me para dimensões silenciosas
e enveredo por fantasias que vi nas estrelas
quando meu coração fascinou-se por elas

Ao acender o sol no limiar da aurora, sorrio,
enquanto passo a esponja e apago a lua
ligando o ventilador da brisa matinal
para afagar as folhas antes que caiam

Sou eu quem agita as belas palmeiras
para abanar os pássaros ao calor do dia,
sussurro o primeiro gorjeio convidando sabiás
para participar da sinfonia com as graúnas

Vida é combinação de quimera com anseios
e nesse sonho da multidão em devaneio
também estou planando nas asas da alegria
decerto uma bolha que o tempo explodirá

DO MEU CORAÇÃO - I

terça-feira, 7 de setembro de 2010

HOJE EU ABRAÇO O LUAR

Hoje vou sair por aí a contar estrelas
tal qual um romântico apaixonado,
abraçarei o luar e me darei por feliz
como a criança que só deseja brincar

Olvidarei os conselhos e direi não ao medo,
não hesitarei em dar a mão ao insólito
porque nele verei novas perspectivas
que um viver temeroso não descobre

Andarei descalço sobre a relva verde
à procura de atávicos momentos
de muitos outroras já diluídos e esquecidos
nas brumas do tempo impiedoso

Que venham novas amizades no caminho
e novas luzes brilhantes sejam acesas
para iluminar as pegadas humanas
de modo que jamais se percam na jornada

Hoje só anseio ser um louco que ouve estrelas
e fala poemas às plantas nos jardins floridos,
bastam-me apenas os sonhos acalentados
e os carinhos de minha musa inspiradora

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

VIVER É SER FELIZ

                                                                         VIVER É SER FELIZ
                                                         
Esse é meu mais novo livro de crônicas pela www.bookess.com.br. Parar adquirí-lo basta acessar esse site,  procurar por autores e escrever Gilbamar. Além desse, outros livros meus(dois e sonetos, um de trovas e um de cordel) também estão à venda.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A GRANDE LIÇÃO

Era uma vez um gatinho inquieto e buliçoso chamado Lulu, que não dava importância aos estudos, não apreciava o trabalho e desejava tão-somente viver intensamente.

    Lulu, que era aventureiro e desejava conhecer o mundo além fronteiras de seu lar, morava com os pais e um irmão de nome Veludo numa grande fazenda da família. Enquanto Veludo, que era trabalhador e ajudava ao pai nas atividades diárias, acordava todos os dias e saía para fazer suas tarefas Lulu ficava imaginando como seria a vida em outros lugares distantes dali.

    Certo dia, não suportando mais a força dos sonhos pressionando sua vontade foi à presença do pai e disse:
_ Não quero mais ficar aqui, vou sair em busca de aventuras e novos conhecimentos. A parte da herança a que tenho direito gostaria de receber agora para realizar meus anseios.

    Os pais dele se entristeceram com essa inesperada decisão e Veludo protestou furioso diante do impensado gesto do irmão. Mas de nada adiantaram as tristezas e os protestos. Lulu estava realmente decidido a ir embora.

    Como as súplicas maternas e os conselhos do pai entravam por um ouvido e saíam pelo outro de Lulu no mesmo instante, e apesar de Veludo chamar a atenção dele para a tolice que estava prestes a cometer, tudo em vão, o gatinho atrevido recebeu o dinheiro a que tinha direito. Arrumou a mala com seus pertences pessoais, despediu-se rapidamente de todos e partiu em busca dos sonhos.

    Lulu ainda ouvia à distância os gritos irados de Veludo e guardava na lembrança a angústia e as lágrimas de seus pais quando saiu de casa depois de receber a parte da herança que lhe cabia nos bens da família. Mas a alegria de ter conseguido o que pretendia  para realizar suas aspirações logo o fez esquecer tudo isso.
 
    Aspirando enfim o ar da liberdade para fazer o que bem quisesse, sentindo-se dono de si mesmo e aliviado da pressão que, acreditava, a própria vida em família exercia sobre ele, sorriu para a estrada desconhecida à frente. À sua disposição estava todo o dinheiro do mundo para ser feliz, pensava.

    Mesmo sem ter qualquer noção de responsabilidade e das coisas que nunca vira, Lulu sempre encontrava quem o ajudasse em suas dificuldades iniciais. Afinal de contas, o dinheiro que levava consigo falava todas as línguas e compreendia todos os gestos.

    Hospedou-se nos melhores hotéis das cidades por onde passou, conheceu muita gente diferente disposta a fazer amizade com ele - pois aonde chegava costumava patrocinar festas. Conheceu o jogo, onde perdeu dinheiro, passou noites acordado em diversões nada aconselháveis e esbanjou seus recursos pouco a pouco.

    Muito tempo depois, em certo amanhecer num quarto de hotel de luxo, descobriu que todo aquele monte de dinheiro recebido de seu pai tinha acabado. Não havia como pagar as despesas do hotel em que se encontrava. Achando que seria perdoado das dívidas, contou ao gerente sua situação. Enraivecido ao tomar conhecimento do calote dado pelo gato abusado, o gerente, um enorme gatão de extensos bigodes brancos, o levou para sua fazendo e o obrigou a trabalhar o tempo que fosse necessário para saldar o débito. Não sairia de lá enquanto isso não acontecesse, e  ficou morando na pocilga da propriedade. Dormia com os porcos e se alimentava dos restos rejeitados pelos animais

    A brusca mudança abalou o coração de Lulu. Recordando tudo que fizera ao sair de casa, os gastos desnecessários, o desperdício com inutilidades, desenfreado em suas atitudes impensadas, arrependeu-se da grande tolice cometida. Agora, sozinho, desamparado, sem nenhum centavo no bolso e trabalhando o dia inteiro para saldar a dívida com o hotel chorava sem ter qualquer perspectiva de amanhã. Quando, num futuro qualquer, terminasse sua obrigação ali na fazenda do gerente do hotel não saberia o que fazer, não teria para onde ir, morreria de fome.

    Passaram-se os dias, as semanas, os meses e alguns anos, e Lulu estava irreconhecível: magro, raquítico, doente, faminto. A comida dos porcos matava-o pouco a pouco. Todas as noites ele recordava como os empregados da fazenda de seu pai eram bem tratados, recebiam um salário digno e comiam alimentos limpos e saudáveis. Se pudesse voltar atrás e desfazer a bobagem cometida! Se pudesse ao menos ser empregado de sua família! Não precisaria de mais nada. Quando terminasse de pagar até o último centavo do que devia, voltaria, pediria perdão e suplicaria por um emprego. Aprendera a lição.

    Finalmente, já quase esvaído totalmente de suas forças Lulu se libertou daquela escravidão e retomou o caminho para a casa que não era mais dele. Maltrapilho, cansado, comendo raízes e frutos encontrados no caminho, depois de alguns dias chegou à porteira da fazenda de seus pais. Sem coragem de entrar, cabisbaixo, arrependido Lulu murmurou numa voz fraca:
_Pai, perdoa-me, fiz o que era mal perante sua autoridade e amor. Aceita-me de volta apenas como seu empregado.
Veludo o avistou e virou as costas, a mãe desabou em lágrimas e o pai, aflito mas feliz e sorridente, gritou para os empregados:
_Depressa, tragam a melhor roupa e as sandálias mais confortáveis, Lulu voltou!
E correu para abraçar o filho que retornava depois de tanto tempo. Veludo surpreendeu-se com a inesperada atitude amorosa do pai ao receber o filho rebelde depois de tudo que ele aprontou. Gritou afobado ao pai correndo de braços abertos:
_Por que essa alegria toda com um filho rebelde que voltou somente por ter gastado toda a herança recebida antes do tempo? Para mim que estou sempre com você e mamãe trabalhando do nascer ao por do sol nunca fizeram festa nem me deram presentes!
E o pai, da altura de sua sabedoria, olhou para Veludo e falou:
_Você está sempre conosco e já é motivo de festa e alegria diária, mas seu irmão estava perdido e foi encontrado. Não é esse um grande motivo para festejar?
Veludo baixou a cabeça e chorou. Lulu foi calorosamente abraçado pelo pai enquanto sua mãe também se dirigia a ele correndo de braços abertos.

Gilbamar de Oliveira Bezerra

sábado, 14 de agosto de 2010

POR QUE ESTAMOS AQUI?

É fato notório haver sentido para todas as coisas, seres e existências. Nada vem à luz por uma simples coincidência do acaso, e  os acontecimentos do nosso dia a dia não tem origem desprovida de razão. Estar vivo em meio a multidão tem dinâmica própria e se traduz em algo verdeiramente relavante. Por esse ângulo filosófico, de maneira nenhuma abstrato porque plausível pelo que se encontra aos nossos olhos, a vida humana, como nos parece óbvio, também não se trata de mero capricho nascido de uma inusitada explosão em tempos remotos.

    Cada homem ou mulher de todas as gerações veio e virá para este mundo complexo em virtude de algum objetivo a ser concretizado em algum tempo de seus anos. No momento exato, quase sempre inesperado, essa determinação que está muito acima da vontade humana e da qual não se pode fugir, esse anelo pré-concebido e a princípio escondido no recôndito da alma e num espaço desconhecido do coração se tornará palpavel mesmo que não consigamos compreender e não queiramos. Porque não depende em absoluto de nós, agimos como marionetes em mãos poderosas. Entendamos estar ou não preparados para realizá-lo, ele se fará presente e eclodirá de forma independente e precisa.  Homens e mulheres de todas as eras são vetores essenciais à consecução do desejo de um poder superior - Deus - , nesse diapasão nos faremos invariavelmente condutores de indizíveis possibilidades, incontroláveis sonhos e sensacionais desejos. Jamais teremos condições de controlá-los, malgrado tentemos.

    Muitas vezes nos indagamos: por que estamos aqui? Trata-se somente de um mero passeio transitório a tão lindo planeta em busca da felicidade? Certamente não. Ser feliz não parece algo perene quando lembramos que haverá um ultimo dia, um segundo apenas e ponto final. Então, serão unicamente os inesquecíveis instantes de soberba alegria a ambicionada felicidade? O problema é que pensamos ser aqui a vida eterna em determinados intervalos de nosso viver, passando a agir e nos comportar como se assim fosse. E não é. Não importa se você acredita ou não na existência da eternidade, pois o livre arbítrio para escolher é peremptório, crer ou não é decisão unilateral. Contudo, isso não importa pois ela está lá, por enquanto ainda longe de nossos olhos, é certo, mas absoluta, firme e inabalável à nossa espera. Porque a luz que agora nos faz enxergar o aspecto material não é a da mesma fonte que nos fará ver o espiritual, o invisível, quando chegar a hora para tanto.

    Por conseguinte, almejemos ser luz para iluminar os caminhos de quem conosco faz o mesmo trajeto; aprendamos a sorrir mesmo nas situações por demais mesquinhas; busquemos acentuar a meteórica passagem de nossas vidas neste plano existencial com ações capazes de transformar em bons horizontes os rumos da humanidade. Valorosos homens e mulheres fizeram isso outrora, e muitas vezes nem tomamos conhecimento, talvez até ficamos indiferentes a tal perspectiva. Alguém já pensou quantas invenções foram criadas e postas à sua disposição antes mesmo de nascer e já encontrou tudo pronto e delineado? Lembrou dos agricultores que dia após dia capinam, aram a terra, semeiam e colhem o alimento para nunca faltar comida na terra? Quando chegamos ao mundo havia luz elétrica, tecnologia de última geração, internet banda larga e tantas outras realizações humanas para o nosso uso. Será que alguma vez agradecemos tudo isso? Nem sempre, bem sabemos, provavelmente em tempo algum. Muito pelo contrário! Imagine quanto reclamamos por qualquer bobagem quando temos tanto para agradecer.

    Descubra por que você, afinal, está aqui entre os seus bilhões de iguais. Claro, decerto não logrará esse intento, a ninguém é dado esse insight, no entanto tente ao menos ser um tijolo na construção da humanidade e não uma imensa bola de ferro pesada que a destrói. Isso por si só já tornará o mundo um pouco melhor. E poderá, quem sabe, ser o motivo maior de sua presença em meio aos semelhantes.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O TEU SORRIR

Algo de doce ternura no teu sorrir
que não escapa a meu olhar perscrutador,
ressaltando dos teus lábios o entreabrir,
tem o condão de despertar extremo ardor

Contém tanta magia esse sorriso
quase ao sétimo céu me elevando
que de tão encantado eu perco o siso
e já me deixo fluir no ar, levitando

De tamanha magnitude é tal feitiço
num lindo gesto tão próprio do teu querer
de maneira que me prostro a ti, submisso

Então, à guisa de menino dependente
a quem basta um olhar para obedecer
bebo desse sorriso incandescente

Gilbamar de Oliveira Bezerra