terça-feira, 5 de abril de 2011

XERETANDO

Eu desenho arco-íris
em qualquer céu azulado
tudo multicolorido
no espaço encantado
repinto anjos dançando
alguns arcanjos bailando
nesse cenário nublado

As palavras são meu mundo
com elas faço magia
torcendo o rabo da porca
pra curá-la da azia
desafiando a contra-mão
vou direto ao coração
ao lado da confraria

Como domador de leão
vou dominando poemas
tentando poesias lindas
enquanto procuro temas
querendo um mundo melhor
do universo tendo dó
cultuo os melhores lemas

Tenho abraço sincero
o sorriso é multiplicado
eu amo toda beleza
meu sentimento é dobrado
leio romances contrito
creio sim no Deus bendito
amo e também sou amado

As cores me acompanham
aonde quer que eu sigo
quando mostro meus desenhos
nunca minto quando digo
se pinto sol encantado
jamais perc'o rebolado
'inda mais se estou contigo

Muitos anjos engraçados
povoam meu universo
digo com sinceridade
pra gente ruim eu não rezo
sendo ele criminoso
assaltante hororroso
tem meu desprezo,confesso

Meu cordel é esculhambado
não tem pé nem tem cabeça
parece sol apagado
na segunda ou na terça
mas se quiser fazer melhor
eu lhe digo não tenha dó
você cresça e apareça

Sou assim bem humorado
um cara que faz poesia
procurando a qualidade
nos moldes da alegria
fico longo da tristeza
me aconchego na beleza
para ter vida sadia

Escrevi por brincadeira
cordel dá esse caminho
tal qual pássaro voando
doido pra chegar ao ninho
então por favor não queira
achar rastro de poeira
onde coloquei carinho

Gilbamar de Oliveira Bezerra

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SE EU DESENHASSE

Se eu desenhasse oceanos 
a profusão de tua beleza 
seria o primeiro espaço 
que ocuparia meus olhares.
Se eu desenhasse arco-íris 
olharia primeiro que tudo 
a beleza de teus passos
na jornada da existência.
Se eu desenhasse luares, 
ah se isso me fora dado,
não me furtaria de roubar 
o céu de teus olhares.
Se eu desenhasse sóis,
feliz e enamorado,
teria teus sorrisos como 
meus modelos mais sublimes

Gilbamar de Oliveira Bezerra

sábado, 26 de março de 2011

AMOR INCERTO

Não vale sofrer por um amor incerto
que se faz coberto de indiferença,
é como, sedento, caminhar no deserto
e da própria morte assinar a sentença

Semear amor platônico é inútil
pois em chão estéril as sementes morrem
enquanto o viver se faz pecado fútil
seguindo o rolar das águas que correm

Alguns sentimentos não correspondidos
extrapolam os sofreres mais rasgados
de inúmeros homens arrependidos

Porque amar não é brincadeira infantil
nem algo de meninos desconcertados
mas manancial que completa o doce rio

sábado, 12 de março de 2011

TEU SORRISO FELIZ

Teus olhos são duas brasas
queimando meu coração,
tuas mãos são como asas
fugindo da solidão

Esvoaça teu cabelo 
ao leve toque do vento,
em mim se quebra o gelo
no fogo do pensamento

Gargalhada agonia
que tanta tristeza causou
sem saber você sorria
zombando do meu amor

Estavas linda sorrindo,
mas eu, entregue à tristeza,
continuava fingindo
vivendo na incerteza

Triste, ali ao teu lado,
eu bem quisera explodir
por tudo tão desolado,
mas tu toda feliz a sorrir

Todos ali sorriam,
era alegria geral,
mas meus olhos mentiam
só lembravam um funeral

quarta-feira, 9 de março de 2011

SE NÃO POSSO FALAR, ESCREVO

Já que não posso falar, escrevo. E descrevo através da ponta dos dedos o jorro do manancial de emoções desencontradas que me transborda na alma. Teclando, chorando, pensando, sonhando melancólico. Não vejo as letras sobre as quais a sensibilidade de minhas mãos escorrega, guiadas estas decerto pelo instinto literário de ir soletrando e formando frases doidivanas e apaixonadas sem qualquer controle.  Eu não as direciono, elas me conduzem para um rumo desconhecido, provavelmente para muito além do imaginado por meu coração.

E se escrevo porque não me é permitido expressar em viva voz os conturbados sentimentos desnorteadores que me angustiam, vou dedilhando as teclas onde as dezenas de letras do alfabeto se contorcem desencontradas numa simetria só compreensível aos familiarizados com essa incoerência. Nem sei como os contornos do contexto se delinearão ao final, se provocarei um dilúvio de disparidades desconexas ou um amontoado de paráfrases sem sentido capaz de dar nó no cérebro do mais competente dos filósofos. Entendo tão-somente ser premente essa minha incontrolával vontade de despejar na folha em branco ou na tela do computador o fluxo verborrágico latente dentro do meu mais profundo recôndito.

Certo, escondo minhas tristezas para mim mesmo, bem lá no porão escuro do meu querer incompreendido, faço isso. Todavia, às escondidas e para não explodir na amargura desse turbilhão fortuito, escrevo. E não precisa que leias, não quero nem pretendo desejar que vejas o despojo das tristes reflexões expostas num texto só destinado aos meus olhos, voltado unicamente para desabafos doravante herméticos. Será meu segredo, quiçá um confessionário onde falarei pelo silêncio das frases que vou anotando desconcertado, sem nem mesmo compreender ou tentar norteá-las nalguma direção.

No meu texto eu grito, lamento, choro, exclamo, abro inteiramente as portas desse coração angustiado, de par em par. Assim não provocarei nenhuma reação de sua parte que certamente me faria sofrer ainda mais. Aqui neste espaço solitário meu clamor não é ouvido senão por mim mesmo e pelo mutismo do céu, o calar do sol, a tranquilidade do instante que segue. A brisa não pode levar meu lamento à tua presença porque nem ela sabe, nem ela ouviu. Bem que as aves diriam a ti, gorjeando, a verdade cá inscrita, mas também elas se calam tamanha a complexidade de meus sentimentos.

Tudo bem, aceito conformado. Se não posso falar, escrevo.

domingo, 6 de março de 2011

DIA DA MULHER - 8 DE MARÇO

São flores da primavera,
mulheres com luz e emoções,
oceanos de ternura,
musas de bonitas canções,
paraíso de fantasia,
fonte dessa alegria
explodindo nos corações

Jamais frágeis, decididas,
embora doces, valentes,
essas mulheres tão belas
garbosas e inteligentes
jóias da humanidade
quando vão deixam saudade,
se vem, nos fazem contentes

São pérolas do nosso mar
pela mão de Deus forjadas,
gotas do bom ouro puro
pelo mundo espalhadas,
sejam lindas, vaidosas,
sorridentes, generosas,
vocês são abençoadas

Aplaudo vocês mulheres
para quem tiro meu chapéu
reverencio com respeito
pepitas descidas do céu
fragmentos de meus poemas
letras dos mais lindos temas
colméia do mais doce mel

Sou tão pobre de palavras,
para as homenagear,
fico buscando elogios
mas não sei onde encontrar,
suas lutas tantas vencem,
seus argumentos convencem;
só se as puser num altar

Avante mulheres, garra!,
femininas, decididas,
belas mães trabalhadoras,
pelos brutos combatidas,
por românticos amadas,
pelos filhos adoradas,
as bençãos de nossas vidas

Esposas, mães, companheiras,
fortes administradoras,
taxistas, executivas,
foi-se o tempo da vassoura,
vocês já são presidentes
e agem de forma decente
como garis ou doutoras

Muito melhor ficou o mundo
ao entregar seus direitos,
a humanidade evoluiu
com a mudança de conceitos,
hoje há mulher vaqueira,
motorista ou banqueira,
já não há mais preconceitos

Uma nova perspectiva
se vislumbra adiante,
as mãos de vocês no leme
é garantia doravante
de que o trajeto humano
seguirá sem desengano
nessa vida viajante

Recebam congratulações
do poeta, com respeito,
comemorando seu dia,
sou tímido, meio sem jeito,
não precisa agradecer,
mas se tem algo pra dizer:
basta sorrir, eu aceito

Gilbamar de Oliveira Bezerra