domingo, 15 de maio de 2011

NO CORAÇÃO DE PARIS








É cedo e está frio em Paris, temperatura em torno de sete graus, mas ela não se importa com isso, faz parte do seu viver o sofrimento cotidiano. Não tem atenção para a ostentação que se apresenta nas vitrines da Louis Vitton, tampouco da Chanel ou Rolex do outro lado da avenida. Nem ao menos dirige o olhar para as pessoas, não se acha à altura, surge no amanhecer e desaparece cabisbaixa quando o dia termina. Faz o que todos os dias habitou-se fazer, prostra-se completamente, sem cerimônia, sobre uma calçada da Avenue Champs Elysees, nas proximidades do Arco do Triunfo, em frente a uma luxuosa loja de artigos diversos, humilhada e arrebatada pela infâmia da vergonha. Sim, apesar de tudo o constrangimento enchia-lhe a alma envergonhada. Todos a olham atravessado(ela é empecilho no caminho), alguns enojados(será que tem mau cheiro?), outros penalizados(mas não dão esmola). Numa das ruas mais famosas de Paris e onde estão localizadas algumas das grifes mais caras da Europa. O luxo desafiando o contraste da pobreza mais contundente. Não é possível divisar o rosto dela, todo enterrado no chão da calçada. O medo da vergonha. E no entanto a mulher maltrapilha necessita desesperadamente assumir quão miserável e irrevogavelmente pobre é. Não somente para si, seu próprio auto reconhecimento, mas no intuito de mostrar aos que vão e vem essa condição que faz dela uma pária faminta e sem nada, sempre a pedir por extrema e inapelável precisão. Além do mais tudo nela e perceptível pauperrismo, pois a miséria está nos molambos que veste, na sua face melancólica escondida na dureza da terra vestida de pedras e cimento, na tristeza dos seus olhos, nas enrugadas mãos calosas e sujas, no seu olhar desamparado. Todo seu eu se encontra impregnado da imundície da pobreza. A coitada é uma insignificante mendiga deitada de bruços não numa avenida qualquer de um país do Terceiro Mundo, mas ali, bem no coração da Avenida Campos Elísios, em Paris.


A silenciosa posição adquirida pela mendiga é estranha. Ela não fala para pedir esmolas, nem vê os pés dos transeuntes, os olhos estão fechados. Permanece nessa imobilidade por horas. A mão esquerda está enfiada dabaixo do corpo, a direita esticada segurando um copo velho à espera que gestos caridosos joguem lá dentro moedas ou cédulas de euros. Pergunto-me como a indigitada mulher consegue controlar as necessidades fisiológicas, sede, fome, dores musculares, nas juntas, na coluna, no pescoço, nas pernas? Contudo, conjeturo a respeito dos pensamentos perambulando em sua mente e imagino mil coisas diferentes que naquele inusitado instante estariam lhe conturbando, mil desencontros de reflexões, uma tonelada de preocupações, montanhas de amarguras atormentando-lhe os neurônios. Ela é apenas ninguém que quase ninguém enxerga em sua passagem pela calçada onde deitou, indo ou vindo. Um ser humano vivo com todas as implicações que essa assertiva representa e implica. Voltará para seu casebre - ou viverá abrigada sob o piso de uma ou outra ponte alhures, bem longe da luxuosa avenida? - em algum lugar da mais longínqua periferia de Paris levando uns tantos trocados para tentar resolver o mais mínimo dos seus inúmeros problemas? Em qual grau de intensidade a sede e a fome corroem-lhe o debilitado organismo?

Transito apressado pelo local durante a manhã e a mendiga desconhecida já lá se encontra despojada no chão como um saco velho cheio de trastes esquecido por algum descuidado. Por óbvio, choca-me a cena e mexe com minha emoção. Inusitado ver aquilo no ponto mais nobre da capital francesa. À tarde, abismado, vejo-a tal qual estava antes, inalterada na sua inércia burlesca, parecendo um corpo adormecido numa posição imperturbável; à noite ela continua do mesmo jeito, sob a feérica iluminação da Avenue Champs Elysees e o ruge-ruge da multidão barulhenta. Embrulha-se-me o estômago, revolta-se-me o espírito, e algo dentro de mim chora inconsolável. Ninguém se importa, nem parece haver um ser humano de bruços numa calçada por onde centenas de homens e mulheres passam indiferentes. Não, eu não esperava isso em Paris. Pelo menos não dessa maneira tão palpável, visível e chocante. A cidade Luz não esconde a sombra negra da pobreza bem no cerne de seu coração, enorme chaga viva que pensa, fala, tem fome e sede e pede esmolas.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

FÉ E MENTIRA - Martelo agalopado

Aquela força do juiz Sansão
claro que não vinha do cabelo
mas de toda sua fé e desvelo
e isso vem direto do coração
é certo que nunca da musculação
de Deus procedia diretamente 
e se para Ele o homem não mente
se vê capaz de mover montanhas
então força e fé vem das entranhas
de quem na vida se mostra decente

Para o Pai não vale o exterior
é a beleza interna que retrata
de quem aquele homem se trata
expressão do rosto não diz amor
muitas vezes é a própria razão da dor
mentira que esconde ironia
porque de mentir alguns tem mania
como raposas dissimuladas
cobras de mordidas envenenadas
uns santos de barro em agonia

Um homem nazireu consagrado
não veria navalha sua cabeça 
desde criança até que cresça
para sempre ser abençoado
mas por Dalila foi enganado
e perdeu-se na sua sedução
por uma mulher danou o coração
perdeu a força pobre coitado
porque teve o cabelo cortado
isso é verdade divina, não ficção

Gilbamar de Oliveira Bezerra

domingo, 8 de maio de 2011

DIA DAS MÃES


FELIZ DIA DAS MÃES!




Ah mãezinha querida
que já o tempo envelheceu
quanta tristeza contida
mas seu amor nunca morreu

Nunca pediste presentes
só um pouco de atenção
inda que todos contentes
dessem sempre de coração

Tu só querias abraços
de teus filhos já crescidos
todos lá no teu regaço
sorrindo agradecidos

Por teu tempo e dedicação
pela dor de nos conceber
pelos calos de tua mão
tão feliz por nos ver nascer

Sei, nunca vou compreender
a sublime maternidade
sou homem, não sei entender
um grande amor de verdade

Pois de mãe sublime é o amor
além da realidade
além dos limites da dor
além da eternidade

@Gilbamarpoeta no twitter


sexta-feira, 6 de maio de 2011

V O C Ê

Quem disse que não preciso 
de alguém que me complete? 
Você é a prova maior 
dessa inverdade.
Sou apenas metade 
que se completa com você, 
inteiro apenas o amor 
que sinto e preciso dividir 
com minha outra metade: 
você.

Gilbamar de Oliveira Bezerra

segunda-feira, 2 de maio de 2011

P A I X Ã O

A paixão passa tão depressa quanto o vento
que modifica e modela as montanhas,
é só tênue sussurro da brisa que o tempo
faz esmaecer nas próprias entranhas

Nada mais que sublime chama e ternura
enlaçadas para depressa perecer,
assim, à guisa de repentina doçura,
toda paixão está destinada a morrer 

Porque é fogo alimentado com palhas
ao início forte, mas a brisa espalha
e transforma em breves partículas de pó

Depois que tudo passa vem a desilusão
amargurando as perdas do coração
então ambos sofrem a tristeza de ser só

Gilbamar de Oliveira Bezerra

terça-feira, 19 de abril de 2011

A PARIS QUE EU VI

Realmente, a vida  é por demais curta para quem, tendo ótima saúde tanto física quanto mental, condições financeiras e sonhos que ultrapassem os meros limites de fronteiras de somenos importância, de pequenina expressão por assim dizer, não pretenda nem se aventure a visitar e descortinar, ao menos uma vez ao longo de sua existência terrena, a exuberância e o fascínio de Paris, a metrópoles que todos, sem qualquer sombra de dúvida, gostariam de conhecer. Porque é bem certo que o esplendor dessa cidade exerce sobre nossos devaneios um fascínio inexplicável, um quê de fantasia e deslumbre que somente as perspectivas mais imponderáveis podem definir. Alguém duvida disso? 

Paris é mesmo uma interminável festa, como tão bem definiu o escritor Ernest Hemingway, um diuturno baile onde os pares deslizam flutuando feito borboletas sobre as flores nos jardins. É alegria se espalhando em derredor, aqui, ali e alhures.   De modo que qualquer expectativa humana, por mais  estonteante e inesperada que seja, se desfaz em milhões de surpresas repentinas diante da realidade exposta aos olhos de quem debuta pelas ruas, avenidas e ruelas da sempre maravilhosa e misteriosa Cidade Luz. 

Estar em Paris é concretizar o mais estupendo dos desejos que não se espera realizar, é perambular sem rumo por entre os difusos e inúmeros meandros dos sonhos mais apaixonantes e tresloucados, no melhor sentido que essa afirmação especial possa transmitir, é sentir-se levitando sobre o imponderável e o inexequível, é transcender qualquer súbita explosão de feliz loucura  do coração endoidecido, é sentir um rompante de paixão que já estava latente na alma e no espírito de quantos obtém a benção de abraçá-la antes de lá por os pés. Em vontades semeadas por anos, em anseios cultivados dia após dia. É inegável que ninguém, mas realmente ninguém mesmo, escapa à aura e ao brilho que se fazem perceptíveis no estilo, no mistério, na beleza e no esplendor de Paris.

À guisa de quase parâmetro definitivo é factível afirmar que tudo em Paris, essa verdadeira capital do mundo, por obra de algo acima de nossa vã interpretação e de alguma forma incompreensível ao nosso perecível compreender, mas singularmente impressionante, encanta, surpreende e cativa o visitante neófito que ali aporta e sem perceber vai se extasiando com tudo que vislumbra. A começar por seu próprio universo meio mítico e o que esse fantástica cidade representa para o planeta como um todo e a Europa em particular. Então, assim é, porque Paris se destaca em cada minucioso espaço de seus contornos, em cada ponto de suas paragens, em cada referência, esquina, bairro, monumentos, em todos os milhões de fragmento de seu ser. E essa afirmação  está muito bem caracterizada na essência de seu povo, de atitudes e gestos peculiares e, por vezes, inusitados, porém de igual forma transmitindo, às vezes por instantes, e a seguir, como por magia, outros momentos de  contagiante simpatia traduzida no idioma considerado o mais romântico de todas as linguagens universais.

Contudo, muito além disso Paris é eclética e exibe aos visitantes o esplendor de seu conhecimento de alto nível  por intermédio de sua reconhecida cultura universal, tão vasta em todos os sentidos cognitivos, onde se destacam e brilham luminares da estirpe de Voltaire, na filosofia, Monet, na pintura, e Émile Zola, na literatura, entre outras tantas figuras ímpares do saber francês. A História da Humanidade sempre bebeu do conhecimento francês e dele se alimentou e se alimenta ao longo das eras.

Por outro lado, e são tantos para ver, captar e viver, acende e altera a emoção de qualquer vivente sua vibração incomum e constante, também capaz de agitar em alto grau até o mais circunspecto dos turistas, levando-o a transpor barreiras de timidez que de outra maneira seria impossível ultrapassar. Por sua diuturna vivacidade e entusiasmo refletida nos sorrisos e  trejeitos de milhões de corações dominados pela força poderosa do romantismo; pelo impacto a nos deixar sem fôlego de suas formidáveis luzes feéricas, intensidade que lhe valeu o merecido título de Cidade Luz,  fazendo a noite parecer dia ensolarado e iluminando a abóbada celestial que lhe é teto infinito; por seu rio famoso, o Sena, de tantas histórias e dezenas de pontes, cada uma com seus próprios acontecimentos registrados nos anaisparisienses; por seus inúmeros, cultos, enormes, vetustos e inconfundíveis museus, mormente o monumental Louvre com seus dezesseis quilômetros de galerias, tão garboso na arte de sua arquitetura quanto nas milhares de peças de inestimável valor de seu acervo, entre tantos outros museus, centros históricos e o Pantheon, lugares onde adentramos com reverência e sede de conhecimento; pela elegante, charmosa, bela e de metro quadrado deveras caríssimo, Avenue des Champs Elysees e tudo de extraordinário que ela representa para os parisienses e o mundo; por seus jardins exuberantes, de rara beleza, onde impera uma espécie de ar em que a paz e o romantismo parecem saltar aos olhos e abraçar as pessoas; pela Catedral de Notre Dame, a Sacré Coeur, a Torre Eiffel que se metamorfoseou na alma de Paris, o Arco do Triunfo, outro marco inconfundível da França; e ainda também por sua famosa gastronomia de sabores, temperos e toques pessoais inigualáveis; por tudo enfim que somente em Paris há possibilidade de encontrar, ver, sentir e viver.

Contudo, sendo habitada por uma grande variedade étnica, mistura de raças que transforma a metrópolis parisiense num imenso caldeirão de idiomas, hábitos e costumes diversos, muitos deles certamente inusitados, praticamente é possível testemunhar em Paris cenas as mais absurdas no cotidiano desse multifacetado recanto da terra. Como as mendigas debruçadas sobre as calçadas em posição humilhante, ao rés do chão literalmente, suplicando esmolas; os cantores anônimos tocando instrumentos musicais e soltando a voz esgoelados, os dançarinos saltitando, dançando, sapateando ou rebolando ao som de potentes músicas que se escutam à distância; os mágicos e prestidigitadores, as estátuas vivas em meio ao povo que fotografa ou fica indiferente, todos de tudo fazendo com esforço inumano  para ganhar uns trocados. 

Nesse semilouco emaranhado incongruente nos deparamos também com os porra-loucas estatelados aqui e ali a conversar consigo mesmos, com seus fantasmas e até com garrafas às quais chamam de filhas; vemos os muito doidões drogados distribuindo sorrisos a troco de nada enquanto seus cães igualmente chapados permanecem numa mesma posição, deitados, sentados ou consoante seus donos os movem de um jeito ou de outro, durante horas; e, assustados, nos afastamos dos marginais golpistas que perambulam de um canto a outro, mormente pelas aglomerações de turistas, tentando aplicar golpes já bastante manjados, mas infelizmente eficazes por vezes, tipo o golpe do anel(o meliante surge na rapidez do vento ao lado do incauto, joga o objeto no chão, diz que o achou afirmando ter caído do bolso da vítima e de tudo faz para provar isso e receber recompensa), e o da jaqueta(o bandido está sempre num carro, chama o turista e, disfarçando a voz com rasgos de tristeza ensaiada, assegura estar em Paris participando de um evento de moda, naquele momento estando perdido e sem dinheiro por alguma razão mentirosa e deseja vender a jaqueta de "marca" para conseguir voltar ao seu país ou cidade). 

Além desses há os travestidos de doentes, curvados, rostos angustiados, sempre acompanhados de uma cúmplice segurando-o com um braço e portando um papel sujo rabiscado com algum texto fajuto sobre a "enfermidade" do larápio. Ambos são vistos, depois, nas proximidades, rindo dos infelizes que os ajudaram e andando normalmente com a maior cara de pau. Os mais perigosos, no entanto, são os de Montmartre, nas proximidades da Igreja Sacré Coeur, que agem assim: geralmente são quatro malandrões, um já bastante maduro com ar de velhinho simpático, bonzinho e boa praça, mas que na verdade é uma serpente venenosa, cujo papel é o principal na quadrilha por manipular três peças sobre uma mesinha debaixo das quais esconde algo aos olhos dos passantes, tira, torna a esconder num e outro, embaralhando e trocando tudo de lugar rapidamente para atordoar e enganar quem for idiota bastante para deles se aproximar; dois são enormes guarda-roupas, os seguranças do malfadado "bom velhinho" com seu "jogo inocente"; e o quarto geralmente é uma mulher com notas de cinquenta e cem euros que simula estar jogando e ganhando um dinheirão por descobrir onde o "bom velhinho" escondeu o objeto entre os três por ele manuseados. Quem fizer a bobagem de se achar esperto e, ganancioso, achegar-se para jogar porque acha que sabe onde o velho serpente venenosa escondeu a coisa por ele manipulada, vai ser roubado até o último centavo. 

Presenciei por três vezes turistas indianos e americanos e seus familiares gritando irados contra os malfeitores, por terem perdido seu dinheiro, e sendo brutalmente agarrados e empurrados pelos grandalhões da quadrilha. A mulher de um deles se esgoelava dizendo que o marido havia sido enganado e roubado, exigindo seus euros de volta, mas tanto ela quanto o marido e a filha eram grosseiramente empurrados e xingados pelos brutamontes. Na confusão, não sei como nem porque milagre, as vítimas conseguiram reaver duas cédulas de cem euros, dando a impressão de que haviam perdido muitas delas. Isso tudo sob as vistas da multidão e dos comerciantes dos dois lados da estreita rua. Perguntei a um deles por que a polícia não intervinha, e ele respondeu com um sorriso malicioso e indiferente. Portanto, todo cuidado é pouco para não cair nas malhas desses bandidos em Paris.

...cont.

domingo, 17 de abril de 2011

MINHA VIAGEM A PARIS

 Descortinando o céu de Paris em frente ao Arco do Triunfo


 Vista de Paris do alto do Arco do Triunfo

Com minha amada na avenida mais charmosa de Paris, a Avenue des Champs-Elysees


Descobrindo a beleza do Jardim de Versailles

terça-feira, 5 de abril de 2011

XERETANDO

Eu desenho arco-íris
em qualquer céu azulado
tudo multicolorido
no espaço encantado
repinto anjos dançando
alguns arcanjos bailando
nesse cenário nublado

As palavras são meu mundo
com elas faço magia
torcendo o rabo da porca
pra curá-la da azia
desafiando a contra-mão
vou direto ao coração
ao lado da confraria

Como domador de leão
vou dominando poemas
tentando poesias lindas
enquanto procuro temas
querendo um mundo melhor
do universo tendo dó
cultuo os melhores lemas

Tenho abraço sincero
o sorriso é multiplicado
eu amo toda beleza
meu sentimento é dobrado
leio romances contrito
creio sim no Deus bendito
amo e também sou amado

As cores me acompanham
aonde quer que eu sigo
quando mostro meus desenhos
nunca minto quando digo
se pinto sol encantado
jamais perc'o rebolado
'inda mais se estou contigo

Muitos anjos engraçados
povoam meu universo
digo com sinceridade
pra gente ruim eu não rezo
sendo ele criminoso
assaltante hororroso
tem meu desprezo,confesso

Meu cordel é esculhambado
não tem pé nem tem cabeça
parece sol apagado
na segunda ou na terça
mas se quiser fazer melhor
eu lhe digo não tenha dó
você cresça e apareça

Sou assim bem humorado
um cara que faz poesia
procurando a qualidade
nos moldes da alegria
fico longo da tristeza
me aconchego na beleza
para ter vida sadia

Escrevi por brincadeira
cordel dá esse caminho
tal qual pássaro voando
doido pra chegar ao ninho
então por favor não queira
achar rastro de poeira
onde coloquei carinho

Gilbamar de Oliveira Bezerra

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SE EU DESENHASSE

Se eu desenhasse oceanos 
a profusão de tua beleza 
seria o primeiro espaço 
que ocuparia meus olhares.
Se eu desenhasse arco-íris 
olharia primeiro que tudo 
a beleza de teus passos
na jornada da existência.
Se eu desenhasse luares, 
ah se isso me fora dado,
não me furtaria de roubar 
o céu de teus olhares.
Se eu desenhasse sóis,
feliz e enamorado,
teria teus sorrisos como 
meus modelos mais sublimes

Gilbamar de Oliveira Bezerra

sábado, 26 de março de 2011

AMOR INCERTO

Não vale sofrer por um amor incerto
que se faz coberto de indiferença,
é como, sedento, caminhar no deserto
e da própria morte assinar a sentença

Semear amor platônico é inútil
pois em chão estéril as sementes morrem
enquanto o viver se faz pecado fútil
seguindo o rolar das águas que correm

Alguns sentimentos não correspondidos
extrapolam os sofreres mais rasgados
de inúmeros homens arrependidos

Porque amar não é brincadeira infantil
nem algo de meninos desconcertados
mas manancial que completa o doce rio

sábado, 12 de março de 2011

TEU SORRISO FELIZ

Teus olhos são duas brasas
queimando meu coração,
tuas mãos são como asas
fugindo da solidão

Esvoaça teu cabelo 
ao leve toque do vento,
em mim se quebra o gelo
no fogo do pensamento

Gargalhada agonia
que tanta tristeza causou
sem saber você sorria
zombando do meu amor

Estavas linda sorrindo,
mas eu, entregue à tristeza,
continuava fingindo
vivendo na incerteza

Triste, ali ao teu lado,
eu bem quisera explodir
por tudo tão desolado,
mas tu toda feliz a sorrir

Todos ali sorriam,
era alegria geral,
mas meus olhos mentiam
só lembravam um funeral

quarta-feira, 9 de março de 2011

SE NÃO POSSO FALAR, ESCREVO

Já que não posso falar, escrevo. E descrevo através da ponta dos dedos o jorro do manancial de emoções desencontradas que me transborda na alma. Teclando, chorando, pensando, sonhando melancólico. Não vejo as letras sobre as quais a sensibilidade de minhas mãos escorrega, guiadas estas decerto pelo instinto literário de ir soletrando e formando frases doidivanas e apaixonadas sem qualquer controle.  Eu não as direciono, elas me conduzem para um rumo desconhecido, provavelmente para muito além do imaginado por meu coração.

E se escrevo porque não me é permitido expressar em viva voz os conturbados sentimentos desnorteadores que me angustiam, vou dedilhando as teclas onde as dezenas de letras do alfabeto se contorcem desencontradas numa simetria só compreensível aos familiarizados com essa incoerência. Nem sei como os contornos do contexto se delinearão ao final, se provocarei um dilúvio de disparidades desconexas ou um amontoado de paráfrases sem sentido capaz de dar nó no cérebro do mais competente dos filósofos. Entendo tão-somente ser premente essa minha incontrolával vontade de despejar na folha em branco ou na tela do computador o fluxo verborrágico latente dentro do meu mais profundo recôndito.

Certo, escondo minhas tristezas para mim mesmo, bem lá no porão escuro do meu querer incompreendido, faço isso. Todavia, às escondidas e para não explodir na amargura desse turbilhão fortuito, escrevo. E não precisa que leias, não quero nem pretendo desejar que vejas o despojo das tristes reflexões expostas num texto só destinado aos meus olhos, voltado unicamente para desabafos doravante herméticos. Será meu segredo, quiçá um confessionário onde falarei pelo silêncio das frases que vou anotando desconcertado, sem nem mesmo compreender ou tentar norteá-las nalguma direção.

No meu texto eu grito, lamento, choro, exclamo, abro inteiramente as portas desse coração angustiado, de par em par. Assim não provocarei nenhuma reação de sua parte que certamente me faria sofrer ainda mais. Aqui neste espaço solitário meu clamor não é ouvido senão por mim mesmo e pelo mutismo do céu, o calar do sol, a tranquilidade do instante que segue. A brisa não pode levar meu lamento à tua presença porque nem ela sabe, nem ela ouviu. Bem que as aves diriam a ti, gorjeando, a verdade cá inscrita, mas também elas se calam tamanha a complexidade de meus sentimentos.

Tudo bem, aceito conformado. Se não posso falar, escrevo.

domingo, 6 de março de 2011

DIA DA MULHER - 8 DE MARÇO

São flores da primavera,
mulheres com luz e emoções,
oceanos de ternura,
musas de bonitas canções,
paraíso de fantasia,
fonte dessa alegria
explodindo nos corações

Jamais frágeis, decididas,
embora doces, valentes,
essas mulheres tão belas
garbosas e inteligentes
jóias da humanidade
quando vão deixam saudade,
se vem, nos fazem contentes

São pérolas do nosso mar
pela mão de Deus forjadas,
gotas do bom ouro puro
pelo mundo espalhadas,
sejam lindas, vaidosas,
sorridentes, generosas,
vocês são abençoadas

Aplaudo vocês mulheres
para quem tiro meu chapéu
reverencio com respeito
pepitas descidas do céu
fragmentos de meus poemas
letras dos mais lindos temas
colméia do mais doce mel

Sou tão pobre de palavras,
para as homenagear,
fico buscando elogios
mas não sei onde encontrar,
suas lutas tantas vencem,
seus argumentos convencem;
só se as puser num altar

Avante mulheres, garra!,
femininas, decididas,
belas mães trabalhadoras,
pelos brutos combatidas,
por românticos amadas,
pelos filhos adoradas,
as bençãos de nossas vidas

Esposas, mães, companheiras,
fortes administradoras,
taxistas, executivas,
foi-se o tempo da vassoura,
vocês já são presidentes
e agem de forma decente
como garis ou doutoras

Muito melhor ficou o mundo
ao entregar seus direitos,
a humanidade evoluiu
com a mudança de conceitos,
hoje há mulher vaqueira,
motorista ou banqueira,
já não há mais preconceitos

Uma nova perspectiva
se vislumbra adiante,
as mãos de vocês no leme
é garantia doravante
de que o trajeto humano
seguirá sem desengano
nessa vida viajante

Recebam congratulações
do poeta, com respeito,
comemorando seu dia,
sou tímido, meio sem jeito,
não precisa agradecer,
mas se tem algo pra dizer:
basta sorrir, eu aceito

Gilbamar de Oliveira Bezerra

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

SOMOS VOLÚVEIS

Vemos pessoas na sarjeta e lhes damos as costas! 
Não somos diferentes dos animais?
Muitas vezes deixamos de fazer o bem 
às pessoas quando podemos! 
Quanto somos individualistas


Quantas vezes matamos as pessoas 
com o pensamento! Nem parecemos humanos.
Quantas horas desperdiçamos irados 
com nossos próximos! Nem parecemos cristãos


Sorrimos tão pouco inúmeras vezes, 
nem parecemos simpáticos.
Perdemos tanto tempo precioso com futilidades! 
Nem parecemos racionais.

domingo, 16 de janeiro de 2011

APOCALIPSE

Quando o escritor elabora um romance, especialmente em se tratando de science fiction, já muito antes ele empreendeu algumas pesquisas para torná-la bem mais atraente com as informações concernentes ao contexto pretendido. Metódico e paciente, ele vai inserindo o fruto de seu conhecimento em meio à trama urdida na mente prolífera e transforma sua obra num cabedal de informações estonteantes.

Poder-se-ia dizer essa assertiva com absoluta segurança a respeito da volumosa e épica obra A BATALHA DO APOCALIPSE, do escritor carioca Eduardo Spohr. Escrever sobre os fins do tempo misturando dogmas e demais aspectos religiosos com elementos nitidamente fictícios envolve um risco deveras instigante e até mesmo assustador. Contudo, Spohr vai muito além dessa premissa literária. Criando cenários espetaculares, os quais descreve com minúcias de detalhes como se aquilo realmente existisse, além de criaturas apologéticas nascidas de sua fértil imaginação, ele prende o leitor pela ânsia de deparar com as novas e fantásticas descobertas que vão se sobrepondo em cada página.

É um estória de anjos, arcanjos e demônios se digladiando pela supremacia do universo celestial, e no meio desse caos a um só tempo angelical e infernal se veem os seres humanos, pobres e mortais figurantes de uma guerra cujo desfecho os levará à total destruição. Afinal de contas, as poderosas entidades estão litigando violentamente sobretudo em razão desses mesmos seres criados à imagem e semelhança do Deus criador. Uns em virtude da inveja que essa regalia divina despertou, outros porque, ao contrário, desejam que a humanidade prossiga sua saga no próprio plano astral em uníssono com as hostes angelicais. A partir desse prisma surge o Juízo Final, nessa poderosa ficção causada justamente pelo embate entre as forças de Miguel, o Príncipe dos Anjos, e seu Irmão, o Arcanjo Gabriel. O primeiro desejando destruir e se impor, o outro, querendo evitar uma tragédia maior.

Embora rico em personagens estranhas e inesperadas, duas se destacam no palco desse soberbo relato: O Anjo Renegado Ablon, ator principal da trama, e a feiticeira humana Shamira, companheira de lutas que atravessam os séculos, de súbitos desejos inconfessáveis reprimidos e sentimentos recalcados por razões que nem mesmo o mais frio coração compreende. Ambos formam um quase par romântico capaz de aliviar, ainda que por instantes, o fragor dos embates e das mortes.

Com sua criatividade ímpar aliada às pesquisas sobre fatos históricos e bíblicos, Spohr nos conduz a acontecimentos do passado bastante remoto e antediluviano e os recria de forma extraordinária unindo ficção e realidade com um talento somente inerente aos grandes autores cuja capacidade de escrever supera o usual. A literatura nacional ganha uma obra fora do comum e um novo escritor com amplas condições de voos internacionais, e certamente em pouco tempo o cinema se apaixonará por esse livro transpondo-o para a telona. Quem ainda não leu corra até a livraria mais próxima e adquira o seu.


A BATALHA DO APOCALIPSE
Autor: Eduardo Spohr
Editora Verus
5a. edição

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

CÃOZINHO ENCURRALADO NA SELVA DE PEDRAS

Subitamente, em meio à ruidosa apresentação do desfile de Natal na rua paralela à Borges de Medeiros, em Gramado, surgiu um pequenino cachorro desorientado em meio à multidão.

Assustado, visivelmente em pânico, ele olhava de um lado para o outro daquele imenso corredor polonês sem atinar qual direção deveria seguir, prestes a enlouquecer, na iminência de desandar a latir como se perseguido por centenas de predadores. Câmeras da Globo filmando, o povo aplaudindo o show, a música natalina em despudorada altura deixando os tímpanos em polvorosa, o pobre animal certamente entraria em colapso em pouco tempo.


Alguém gritou ao ver o bicho acuado, outros fizeram o mesmo, uma garota jogou nele um pirulito chupado obrigando-o a por o rabo entre as pernas. "Pega ele!", explodiram vozes em algazarra. E quando os fogos de artifício estouraram no céu iluminando a já feérica artéria brilhando de luzes coloridas, o cachorrinho ensaiou correr para a direita, depois, perseguido por pessoas de apoio ao desfile, arrancou no rumo da esquerda, mas aí a multidão aos apupos ensandecidos o desnorteou.


Então, sem nenhuma saída visível, apavorado e convicto de sua situação nada razoável, o bichinho disparou na direção dos camarotes onde se encontravam as autoridades e convidados vips, momento em que, avistado por seguranças trogloditas ameaçadores, espaúdos e gigantescos prontos para, talvez, fazê-lo em picadinho ou dar-lhe qualquer outro destino menos nobre, ele avançou num rumo indeciso à frente do desfile, louco para sair do impasse, desviando-se de todos quantos tentavam agarrá-lo ou conduzí-lo para uma possível saída, completamente deslocado num ambiente hostil.


E lá se foram homens e mulheres vestidos de preto, o referido grupo de apoio aos desfilantes, no seu encalço enquanto o povaréu ora vaiava, ora batia palmas como se diante de um espetáculo diferente, as câmeras Globais gravando a cena toda, o cara da grua atento a cada movimento da correria e tudo acontecendo como se tivesse sido exaustivamente ensaiado para aparecer com perfeição.


Foi nesse momento que algumas jovens participantes do desfile, vestidas de anjo piscando com as dezenas de luzinhas rendilhadas na fantasia toda, incluindo as asas alvas como a neve, passavam em sua apresentação teatral e o animal se esgueirava em meio a elas com uma rapidez incrível, fugindo pelos meios que melhor lhe parecessem, os olhos afogueados, o coração quase a saltar do peito num repente.


Ninguém conseguiu agarrar o cachorrinho intruso, pelo menos até o último momento em que o vi correndo desabalado, à toda mesmo, pelo caminho destinado ao rico e belo desfile de Natal, ainda sob a gritaria e os aplausos em todo seu percurso. Um interessante casal de patos acompanhado de seis patinhos numa coreografia engraçada e emocionante, a mamãe pata usando um chapeuzinho e o papai pato uma boina que lhe dava um ar de seriedade cômico, tomando minha atenção e do público em derredor deu prosseguimento ao espetáculo e não pude mais registrar que fim levou o pobre do cãozinho que estava no lugar errado e na hora evidentemente imprópria. Imagino, por sua destreza e habilidade, que não tenha sido pego por seus perseguidores, e certamente logrou encontrar uma saída em algum lugar para livrar-se da arapuca em que se metera indevidamente.


Esqueci-o completamente ante o cortejo de soldadinhos de chumbo em ritmada marcha cheia de evoluções, fazendo-me voltar por instantes à minha infância sem brinquedos. Soldadinhos de chumbo sempre foram uma parcela dos sonhos lúdicos povoando-me a mente infantil, mas eu só podia brincar com ossos ressecados com os quais criava batalhões. Os de verdade somente povoavam as brincadeiras dos abastados. O cachorrinho encurralado no meio da multidão eufórica me deu pena, os soldadinhos de chumbo, melancolia.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A ARTE DE ESCREVER

Escrever não é tão-somente uma bela arte especial, mas igualmente sensibilidade e viagem à doce e terna aventura de criar, de desbravar, de ser o primeiro a expor premissas nunca antes reveladas no papel ou no universo virtual. O escritor se esmera em tentar produzir o que de melhor o seu coração expressa, aparando arestas, retirando senões e esculpindo seu trabalho com a precisão de um mestre até formatar por completo a sua obra. E para isso ele se entrega por horas ao labor de talhar e lapidar o emaranhado de frases para compor o seu texto, às intempéries consequentes, e novamente recomeça o garimpo das melhores pepitas, das pedras preciosas mais puras extraídas de seu conhecimento literário, para isso pulando fogueiras e transpondo barreiras altas e íngremes.

Personagens e tramas, situações e perfis psicológicos são confeccionados e idealizados como se reais fossem pelo artesão das palavras com aquele cuidado excepcional de quem monta um quebra-cabeças de intrincadas peças e sabe o lugar adequado para cada uma delas. É árdua porém excitante tarefa a do artesão das letras, essa arte de nobreza indelével e indubitavelmente de grande importância para a cultura dos povos. Sem literatura a inteligência seria atrofiada, amorfa, espécie de cegueira coletiva.


E o escritor é responsável pela revolução mental de seu semelhante. Porque ele, em seu mister, trabalha com os sentimentos de homens e mulheres, retrata a vida, filma com palavras a trajetória humana. Como uma preciosa, dedicada e essencial testemunha da história. As gerações evoluem com os livros e as idéias neles contidas por esses desbravadores criativos e dedicados. Solitários no grandioso instante de criar, esquecidos do tempo enquanto seus dedos, comandados pelo rapidez cerebral, vão digitando as letras e tecendo um conjunto de idéias, a vida segue lá fora à medida que a mensagem proposta por eles vai se configurando linha por linha. E a vida se transforma na literatura, mesclando a dureza da realidade com o lirismo poético ou a ficção fantástica. E milhões de pessoas aprendem, se emocionam e se divertem com eles.


Parecendo, por vezes, um visionário, o escritor até pode fazer inconscientes previsões, como sem dúvida nenhuma foi o caso, entre tantos outros, de Júlio Verne com suas obras A volta ao mundo em oitenta dias, Viagem ao centro da Terra, Vinte mil léguas submarinas e tantas outras. A mente do escritor permanece vinte e quatro horas em constante ebulição. Podemos até afirmar que ele age de maneira compulsiva no ato de escrever, isto é, parece ser impulsionado por uma mola de aço a sentar-se diante do computador e elucubrar os textos que vão fluindo como chuva grossa demorada. Não é de se estranhar sabermos que muitos acordam no meio da noite para continuar a escrever algum texto iniciado ou digitar o gran finale que durante o dia não tinham conseguido elaborar, recebendo o insight enquanto dormiam. Quando isso acontece, o escritor sabe que precisa levantar da cama e escrever o que sua mente lhe dita, sob pena de perder a idéia brotando vívida e frenética naquele exato momento, e que certamente não mais voltará da mesma forma.


Mas o labor da literatura também é um grato prazer para o escritor, porque não poucas vezes ele se envolve na trama que idealiza e tece à guisa de teia pacientemente elaborada e que prossegue paulatina, crescente e explosiva. Em sendo assim, ri e chora com suas mensagens, por força das circunstâncias e do envolvimento emocional deixa-se conduzir por seus personagens, havendo ocasiões em que estes deixam claras as regras a serem seguidas e fazem dele um mero contador de estórias nas quais não pode mais intervir. A não ser que queira mudar todo o curso traçado até aquele instante e transformar radicalmente os rumos de seu trabalho ficcional. A inteligência humana jamais poderá prescindir do escritor. Da cultura timoneiro, das artes mestre, da vida revolucionário, dos sentimentos vanguardista, esse operário das palavras é e continuará sendo o baluarte das batalhas necessárias às mudanças que melhorem o mundo e a qualidade de vida de homens e mulheres.


GILBAMAR DE OLIVEIRA BEZERRA

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

APENAS SONHAR

Se não posso fazer, quero sonhar
pois quimeras me ajudam a viver
e mesmo sem conseguir realizar
encanta-me tão-só embevecer

Apraz-me, ao menos, fantasiar
deixar-me pelos sonhos envolver
se não posso fazer, quero sonhar
pois quimeras me ajudam a viver

Não sendo poeta, só declamar,
longe de ser escritor, escrever,
e nesse faz de conta conjeturar
que maravilha ser sem poder ser,
se não posso fazer, quero sonhar

Gilbamar de Oliveira Bezerra

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

DECIDA POR UMA VIDA MELHOR

O corpo humano foi idealizado para o movimento constante e diário, de modo que a inércia sedentária é fator crucial para causar inúmeros problemas que vão desde a hipertensão até diabetes, entre outros males que tiram o bem estar dos nossos dias. Portanto, é primordial que nos mexamos durante todo o tempo no decorrer do dia mesmo quando sentamos para trabalhar, ler ou conversar.

Basta mudar de posição de vez em quando, movimentar os braços e as mãos discretamente se não estivermos a sós, cruzar e descruzar as pernas, mover os pés para cima e para baixo num ritmo suave e agitar cada músculo. Em suma, ninguém pode nem deve ficar parado de maneira nenhuma se quiser ter vida saudável.


O intestino funciona bem melhor se não formos preguiçosos no dia a dia, o sangue circula fluente ao sabor dos nossos movimentos, as gordurinhas indesejáveis acumuladas tanto nos culotes e bumbuns femininos quanto nos abdomens masculinos são queimadas evitando causar indesejáveis situações de perigo futuro para a saúde. E há mais qualidade de vida se fazemos de nosso corpo um instrumento potente que sobe escadas, anda de bicicleta, joga futebol, dança qualquer tipo de música e salta e corre.


Com o passar dos anos a idade vai avançando, a massa muscular definha para quem não faz os exercícios adequados à sua manutenção e/ou aquisição, os ossos enfraquecem e as inúmeras sequelas ditas dos idosos aparecem como formiga no doce abandonado no chão. A consequencia maléfica para os sedentários é dolorosa e desconfortável: pelancas horrorosas penduradas nos braços, fraqueza até para andar ou subir degraus, indisposição, tristeza e possibilidade de quedas a qualquer momento. Principalmente durante o banho.


Se um idoso desprovido da maior parte de sua massa muscular, praticamente só osso e pele devido ao sedentarismo, levar um tombo e quebrar a bacia, é cama ou rede na certa, para sempre. Então vem o sofrimento ainda maior por não ter condições de levantar, e rapidamente ele perece, não sem antes sentir o abandono, o desprezo, o distanciamento tantas vezes. Tudo ao mesmo tempo porque passará a ser um estorvo, a pedra no caminho dos que prosseguem.


Caminhe todos os dias, nem que seja dentro de sua própria casa de um lado para o outro. Vá pela escada até seu apartamento se residir em algum edifício condominial. Ande pela calçada e vença os quarteirões. Deixe o carro em casa e saia mais cedo para o trabalho, a pé, se não for muito longe. Sobretudo, dance e dance muito. Isso tudo se não tiver condições de ir à academia, porque caso possa não deixe para depois.


Tão importante quanto o alimento é o exercício, anaeróbico e aeróbico, ambos de suprema importância para garantir saúde, resistência, músculos ativos e fortes e alegria. Sim, alegria, pois quem está em forma se sente tão bem que sorri à toa. Ter o peso ideal e proporcional à altura é mais que fundamental. É questão de vida com saúde ou morte prematura entre dores e agonia.

domingo, 5 de dezembro de 2010

PENSAR POSITIVO

 
Dormir é atividade tão importante para a completa harmonia do organismo quanto a alimentação saudável e os exercícios físicos. Todo ser vivo necessita do repouso cotidiano para repor as energias e continuar a saga da existência enquanto esta durar. Isso, bem sabemos, é notório. Além de descansar do labor inerente às atividades diárias, de dar ao corpo cansado a oportunidade de refazer suas forças, trata-se evidentemente do apoteótico momento em que o ser humano se encontra consigo mesmo e com os próprios pensamentos, obrigando-se, quase sem perceber e antes que o sono aconteça, a refletir sobre os problemas enfrentados, as alegrias desfrutadas, as tristezas e decepções que o dia de trabalho, a família e estudo proporcionaram. 

É a partir de então, de forma espontânea e paulatina, que se revela aquele instante único de silencioso diálogo travado em sua própria mente, de si para si. Impossível escapar desse inevitável repassar dos fatos na hora de dormir, a menos que tamanha seja a sonolência que o faça deitar e logo cair num sono profundo. Porque em não sendo assim os pensamentos imediatamente vem se atropelando na correria e tomam conta de você e de suas ideias, por muitas vezes angustiando e atrasando o repouso adequado. O corpo se mexe e revira para um lado e outro da cama, os olhos secam e não se acomodam fechados, as insistentes coisas negativas daquele dia, por deixá-lo intranquilo, o impedem de conciliar o sono. Muito tempo depois, fatigado de tanto ruminar as pedras do caminho retidas e amontoadas em sua mente, adormece ranzinza e tem uma tumultuada noite mal dormida. Dia seguinte, acordado pelo barulho irritante do despertador começa a rotina dominado pelo mau humor e arranja novos e desafiantes problemas e muitas razões para outra noite caótica, tornando-se um círculo vicioso.

Para que isso jamais ocorra ou seja algo raro em sua vida, ao dirigir-se à intimidade do leito para repousar pegue leve nas reflexões e, sem hesitar, entre literalmente no clima do axioma popular: "relaxe e goze" caindo em seguida nos agradáveis braços de Morfeu. Não é algo tão difícil assim, tente de todas as maneiras esquecer as amarguras e foque o pensamento somente no que de melhor aconteceu durante o seu dia. Certamente algum incidente feliz se registrou ao longo do nascer do sol e seu ocaso enquanto você exercia as atividades cotidianas, então aproveite e se volte para esse fato e mais outros se houver, deliciando-se em revolvê-lo ininterruptamente até dormir. 

Pensando de modo positivo você atinge de pronto o Nirvana do sono tranquilo sem mais delongas. As boas lembranças são o melhor e mais efetivo sonífero que conheço. O conselho é simples: com a cabeça confortavelmente inclinada sobre o travesseiro, resoluto e convicto de seus anseios em buscar apenas os fluidos benéficos, lembrando sem parar, por todos os ângulos e lados, daquele lindo e inesperado sorriso amoroso que lhe foi direcionado por uma pessoa especial, da ótima notícia sobre um ente querido recuperado de alguma enfermidade, do boletim de seu filho recheado de excelentes notas, do livro que pretende escrever - sonhe, vale a pena! -, da árvore plantada na frente de sua casa, puxa há tanta ternura, beleza, fascínio e alegrias para ruminar enquanto espera o sono, vá em frente, e desse ponto em diante  feche todos os arquivos cheios de adrenalina no consciente, cerre as portas dos cômodos negativos, jogue a chave fora e adormeça no deleite do sorriso que certamente seus lábios esboçarão. Nunca mais você deixará de dormir a sono solto se, ao deitar à noite, encher-se de pensamentos positivos e das recordações agradáveis. Não é fácil? Tem razão, nem tudo é. Mas não custa nada tentar, e, dando certo, todos os dias você só irá dormir imbuído do desejo de ficar mastigando as coisas maravilhosas com que o cotidiano de sua existência lhe presenteou.

                                          
Gilbamar de Oliveiragilbamarbezerra@ig.com.br