terça-feira, 4 de outubro de 2011

MEU CORAÇÃO DESISTE


Não quero ser triste, 
mas a densa melancolia 
tanto e tanto insiste 
que meu coração, 
acanhado, desiste 
e a tristeza persiste

Não se origina de ti
essa amargura
que outrora até foi
manancial de doçura,
mar de enlevo,
tamanho e deslumbrante
oceano de ternura?

Por onde erras alegria
que já não me preenches?
Te escondeste na poesia,
chegaste ao fundo do poço,
fugiste da simpatia,
evaporaste no tempo,
morreste na travessia?

Quanto brotar de amor 
quando eras minha,
quanta explosão de ardor
nos deleitando sob lençóis,
quanto ímpeto de fulgor
nos momentos de carinho,
quanto querer e desejo!

Gilbamar de Oliveira Bezerra

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

CREPÚSCULOS DESENHANDO O CÉU



Onde se esboçam os sorrisos 
num mundo tao circunspecto 
onde a tristeza impera 
e as virtudes se foram?

Que é dos muitos abraços 
outrora dados fraternos, 
sem resquícios de malícia, 
de doce expressão poética?

Onde andam os beijos sinceros 
sem vis rasgos pornográficos, 
a conter somente estigmas 
de poesia, longe da maldade?

Cadê mãos amigas que afagavam 
sem segundas intenções, 
entrelaçadas tão-somente 
com o fito de servir?

Não vejo ombros amigos 
onde possamos deitar
a cabeça sem receio 
de toques de langor, 
onde os deixamos?

Já não descortino olhares 
que outrora desciam 
sobre nós com a pureza 
do amor altruísta, 
que se deu com eles?

Ficaram apenas como 
recordação aqueles olhares 
de romântica paixão 
que ontem trocavam 
os enamorados?

Sinto deveras saudade 
de românticos luares, 
emocionantes entardeceres, 
lindos crepúsculos 
desenhando o céu.

Gilbamar de Oliveira Bezerra


domingo, 18 de setembro de 2011


Que me resta de ti 
senão apenas resquícios 
de beijos fugidios, 
olhares inesperados, 
amplexos delicados, 
sorrisos parcos, tímidos? 
Ah, tão pouco tenho
do mínimo que de ti
alcancei receber
nos súbitos momentos
que para mim foram 
os melhores, eternos.
Desde então, contrito,
meu coração naufragou 
num oceano de saudades 
e deriva nesse mar de
intensa solidão.
Foste em minha tristeza
súbitos impulsos risonhos,
fragmentos de agonia,
manancial de doçura,
mas agora és o ontem,
respingos de saudade, 
poeiras de antigamente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

ABENÇOADOS SORRISOS

Nunca deixe terminar o dia sem esboçar ao menos cem sorrisos, isso certamente fará um enorme bem a você e a todos que estiverem ao seu redor. O sorriso é a forma mais simpática e gentil do ser humano, é gesto de carinho à distância que aproxima as pessoas muito mais do que as palavras. Por onde passar espalhe seu riso como quem vai semeando sementes de gentileza num imenso campo arado, você verá que atrás de si começarão a brotar olhares sublimados em rostos iluminados pela ar agraciado e abençoado oriundo de seus olhos sorridentes.

Muitos tem tanto um sorriso brilhante e iluminado quanto um coração pulsando bençãos, e são justamente esses que transformam multidões, apagam ressentimentos e mágoas, acrescentam algo mais aos lugares e aos semelhantes com quem deparam. São decerto iguais a seres de luz ou anjos disfarçados que tem por guia a santa mão de Deus, podemos até afirmar que são aqueles cujo brotar do contagiante sorrir como que faz soar  um sininho de felicidade, ou ao menos de alegria, nos corações adjacentes. E deles todos querem se aproximar, ser amigos, com eles conversar, talvez num impulso abraçar emocionados.

Se quem tem por cotidiano ser gentil e, súbito, de uma maneira ou de outra se defronta com a tristeza estampada em faces soturnas aqui e ali, embora sem perceber enfrenta-a com o poderoso escudo de olhos sorridentes e fica protegido das saudades, da melancolia, dos toscos e lúgubres traços agônicos acaso conduzidos pela suavidade da brisa.

O sorriso jamais exige motivos para surgir, não precisa de explicações para existir, nunca requer razões específicas para brotar, é força da natureza humana, é poder incomensurável, é dose de otimismo capaz de penetrar por todos os poros de quem se acha despojado da ternura, ao ser vislumbrado por vítimas de tristonhos momentos, ao se derramar pelas circunvizinhanças das multidões.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

SEM VOCÊ, COM VOCÊ

Longe de você
sou montanha gelada,
deserto de solidão,
leito vazio,
céu sem estrelas,
sol apagado,
olhar sem risos,
lua escura,
jardim sem flor,
saudade incontida,
pássaro sem asa,
adormecido iceberg,
folha caída,
galho murcho,
tronco seco,
ninguém na multidão,
zero à esquerda,
barco à deriva,
ponto estéril.

À sua aproximação
transformo-me num vulcão
sou lenha acesa,
fogo no gelo,
chama eterna,
dia ensolarado,
noite enluarada,
céu estrelado,
mar encapelado,
chão em brasa,
arma em riste,
sorriso inteiro,
jardim florido,
seu vibrador,
facão de sua bainha
e me contorço
feito de felicidade.

sábado, 20 de agosto de 2011

VOCÊ ME SORRI

Ao maravilhoso abrir
dos teus doces lábios
oferecidos em beijos,
sou brisa que afaga,
sol ardente,
gozo que se completa.
A um carinhoso gesto teu
sou como o rio em
sua correnteza rumo ao oceano,
impetuoso, impávido,
intimorato, ansioso.
À calidez do teu corpo
sinto o rastilho do fogo
queimando gostosamente
meu carente ser.
Ao esboçar do teu sorriso
é como se o sol, fluindo,
iluminasse minha escuridão
e eu, como gelado tronco
fosse afagado pelo teu calor
Ao afogueado enlaçar
do teu abraço eu não passo
do teu melhor brinquedo.