quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

EXCITAM-ME



beijos ardentes
corpos complacentes
amores carentes
requebros indecentes
desejos pungentes
sorrisos latentes
carícias maledicentes 
olhares inocentes
afagos incoerentes
pernas atraentes
cafunés indolentes
conquistas recentes
gozo em torrentes
sexos ferventes
verdades patentes
momentos competentes
meneios malemolentes
abraços deveras quentes
instantes contentes
mulheres valentes

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

FLORES NAS RUAS DE BUENOS AIRES


As flores se multiplicam pelos quatro cantos de Buenos Aires, estão por toda parte, nas calçadas, nas cigarreiras, aqui e ali, vendidas em profusão diariamente por suas ruas e avenidas. São várias as espécies, principalmente tulipas vermelhas, copos de leite, jasmins, violetas e um sem número delas provocando encanto e atraindo a atenção de homens e mulheres, muitos dos quais param e escolhem as que mais lhes agradam para levar para alguém decerto muito especial. Vem em pequenos jarros, por unidades, em buquês ou ramalhetes, e já amanhecem cedinho em seus pontos de venda por toda a capital portenha como se fora produto de primeira necessidade e de uso diário. Amontoam-se as pessoas para comprá-las ou simplesmente para vê-las, examiná-las, admirá-las e sentir-lhes o perfume, mas geralmente todos saem sobraçando-as como se levassem consigo um tesouro de inestimável valor.






A beleza inigualável dessas maravilhosas flores enfeita a capital da Argentina os sete dias da semana, vendidas que são diariamente de segunda a segunda. Os argentinos tem grande fascinação pelo frescor que irradiam, pela atração que por óbvio exercem e pelo perfume suavemente delicado e gostoso que se espraia e vai longe por onde estão não apenas para conquistar, atrair e apaixonar, mas também para tornar mais sublime os dias e as horas dos transeuntes tanto turistas quanto, especialmente, os moradores locais. Os diversos vendedores de flores conhecem bem esse fetiche, sabem há muito como elas já caíram no gosto e na ternura dos clientes. Sendo produto perecível, aqueles mesmos compradores de ontem tornarão a adquiri-las hoje e amanhã. Porque flores são alegria inefável para coração, flores são como alimento para a alma, tanto feminina quanto masculina, porque elas não tem gênero, mas ternura.



A oferta de flores pelos muitos vendedores nas ruas e nas calçadas de Buenos Aires, pelo que pude perceber, não é maior do que a demanda dos clientes habituais, geralmente quando anoitece a quantidade vendida equivale quase sempre às incontáveis dúzias trazidas pelos comerciantes ao amanhecer. Todos compram, homens, mulheres, os jovens e os mais maduros, ricos e pobres, é como se as flores já tivessem se tornado parte essencial da existência deles, como se passar um dia sem levar para casa ou para o escritório flores recém-colhidas e exibindo todo seu frescor natural fosse um verdadeiro sacrilégio. Como se sem a presença delas em suas vidas tudo se turvasse, o sol apagasse, o céu deixasse de ser azul, o sorriso fugisse dos seus rostos.




Encantam-me sobremaneira ver esse amor do povo argentino pelas flores, algo não muito comum pelo menos na região do Brasil onde resido. Eu as tenho comprado, a exemplo deles, dia após dia, ofertando-as a minha amada como brinde especial de carinho e amor adicional a nosso passeio em Buenos Aires. Em nossas semanas aqui elas nos tem proporcionado mais ternura, mais encanto, mais alegria contagiante e contribui nesses dias para novas perspectivas, quimeras e reflexões enternecentes, novos horizontes só possíveis se elas estiverem presentes com seu perfume e com sua doçura. Passamos a gostar mais de flores a partir do momento em que, em nossas primeiras andanças pela capital portenha, as vislumbramos enchendo não apenas nossos olhos e coração, mas também dos demais transeuntes que desfrutam o privilégio de encontrá-las pelas ruas e avenidas à disposição dos românticos e sensíveis.




quinta-feira, 3 de novembro de 2011

AS CAFETERIAS DE BUENOS AIRES

Buenos Aires, como muita gente sabe, e isso é  realmente incontestável, é o paraíso das cafeterias, aquele espaço agradável que proporciona momentos de descontração e sorrisos tanto entre amigos que para lá vão se distrair enquanto tomam um delicioso café expresso, quanto em meio a casais cujo tempo dedicado ao romantismo pode ser passado ali sem interrupções ou perturbações.  







As cafeterias de Buenos Aires tem quase o mesmo charme  parisiense, acredito até que provavelmente não fiquem a dever muito às de Paris, se posso assim afirmar, e geralmente são frequentadas por senhoras e senhores maduros, pessoas da classe  média e também das classes acima desse padrão que chegam a todo instante e tomam assento, abrem o jornal, um livro, ou então conversam se estão em grupo e deixam o tempo passar, esquecem a correria. 


Quando preferem sentar-se às mesas situadas colocadas na calçada das cafeterias, acendem seus indefectíveis cigarritos e vão soltando as terríveis baforadas que transformam Buenos Aires num imenso e malcheiroso cinzeiro a céu aberto.





É quase impossível, por exemplo, seguir por alguma rua de qualquer bairro buenairense sem topar com várias cafeterias nas esquinas, espremidas entre os prédios residenciais, ao lado de padarias, confeitarias e quiosques de frutas. 

São centenas delas distribuídas aleatoriamente pela cidade inteira, quiçá sejam milhares, destinadas a todos os gostos e bolsos, espalhando seus aromas por meio da brisa leve, atraindo os clientes usuais e conquistando muitos outros dia após dia.





As cafeterias, como seria óbvio, já fazem parte, ademais, do cenário dos shoppings centers, sendo fácil e rápido na primeira curva de qualquer um deles topar com um Mac Café, um Brioche Dorée, realmente com centena de outros.



Elas oferecem a tranquilidade tão desejada pela maioria, mormente pelos que buscam um ambiente propício à leitura do jornal ou de um bom livro enquanto o tempo passa, algo impossível de ser vivida no burburinho do cotidiano.


Nesses locais, como de regra ocorre em todas as cafeterias, a frequência é interminável, há sempre um grande número de clientes degustando seu cafezinho expresso puro, latte, machiato, acompanhado de medialunas doces e salgadas, tortas e bolos, deixando no ar o característico e irresistível odor do café que convida olfatos argentinos e estrangeiros para sentar e saborear essa bebida tão conhecida, admirada, procurada, desejada e degustada nas cafeterias do mundo inteiro.




Elas, contudo, se multiplicam como coelhos e vão se estabelecendo onde lhes for possível, porque há espaço e mercado amplo para esse comércio já tão popular na Argentina.




Todos os argentinos amam tomar café, amam adentrar numa cafeteria e fazer a festa dos sabores. 






 E não somente eles, é claro, pois não se pode deixar de lembrar que também os turistas fazem parte dos seus apreciadores mais contumazes.






Inúmeras delas, além de antigas em suas atividades na capital, alcançaram fama muito além-fronteiras, como La Biela, El Gato negro, Starbucks, Segrefedo Café, Café Tortoni, Café Martinez e tantos outros.  



domingo, 30 de outubro de 2011

VELHOS? QUE NADA!



Eu os vejo inesperadamente em todas as ruas por onde transito descontraído, sendo-me impossível não me quedar perplexo e feliz a um só tempo por vê-los, pois os admiro pela coragem e vigor de ultrapassar barreiras e por vê-los como se fossem símbolos da vida, ali sozinhos à mercê do repentino, como que conduzidos por bengalas, claudicando mas ainda assim, destemidos, enfrentando o frio cortante ou o sol ardente, vencendo as dificuldades das manhãs, das tardes e das noites, mais ainda assistindo-os  aos tropeções nas calçadas, os semáforos abrindo e fechando mais depressa do que eles conseguem caminhar, o trânsito enlouquecido buzinando às suas costas para que saiam do caminho, as pessoas enlouquecidas pela correria sacolejando-os para lá e para cá como a sugerir que voltem para o conforto de seus lares e aproveitem os últimos anos. Nada disso, não, nenhum argumento os convence de fugir da movimentação ruidosa das ruas e avenidas, ninguém é capaz de prendê-los ao sofá, às camas e à solidão. Embora idosos, enrugados, talvez até mesmo enfermos, preferem viver da forma mais normal que a capacidade física e cerebral lhes permite. São a população da terceira idade de Buenos Aires.


Eles estão em todos os lugares da cidade, nas cafeterias bebericando cafezinhos ao lados dos amigos jogando conversa fora, lendo jornais ou livros, olhando quem passa e quem entra e sai, nas lojas e nos supermercados fazendo compras, nas livrarias, nas farmácias, atravessando de um lado para o outro das largas ruas, nas padarias, nas confeitarias, nas lavanderias, nas praças. Quem como eu os avista mentalmente os respeita e canta louvores à existência, ri emocionado, pára e os contempla imaginando quanto anos teriam. Aquele curvado pelo tempo, teria mais de oitenta? A aparência não nega; e a senhora toda enfeitada com colares, pulseiras, bolsa de marca, cabelos e lábios pintados, a pele do rosto já completamente maracujada, lá vai ela decidida para algum lugar da capital, decerto uma sorveteria, talvez uma cafeteria para encontrar as amigas e papear o dia todo. Como acho belíssimo esse lado dos idosos de Buenos Aires!



Não, em nenhum momento testemunhei hesitação em seus olhares e gestos. Embora caminhem devagar e algumas vezes cansados, seguem intimoratos, vão para onde realmente desejam ir, não demonstram qualquer temor ao impossível, às próximas esquinas, às multidões, não honram o medo. São mais eles, não se preocupam se alguma ameaça sombria do coração lhes perpassa o instante, o amanhã também é deles como foi o ontem e continua sendo o hoje. Parecem personagens de um passado que ainda não passou, que insistem em permanecer se segurando nas pontas, criaturas de um outrora que ousam lutar com o agora, são provavelmente assim, à guisa de folhas agarradas às árvores, malgrado a força do vento que os sacode, da chuva que os castiga e do sol que os escalda.



Tenho-os em conta de titãs destemidos, de guerreiros dispostos a lutar dia após dia a batalha da existência. Por não acreditarem que a velhice é o fim prosseguem, por não aceitarem apoquentar seus dias cuidando de netos insubordinados ou de cães e gatos rebeldes da casa vão em frente, abrem picadas na mata densa, desvirginam veredas e estradas, são vanguarda de uma nova era do viver humano. Parabéns a esses homens e mulheres altivos não subjugados à idade nem às brancas cãs ou à pele engelhada, merecem o reconhecimento geral da sociedade por sua altivez e vontade únicas de continuar semeando a vida, as plantas e a si próprios apesar da ditadura do tempo. Para mim são dóceis e vigorosos exemplos de que não somente os jovens tem direito à liberdade de fazer as próprias rotas, de pisar as próprias trilhas, de sair por aí à toa e sem destino, quem sabe dando uma esticadinha para a próxima cafeteria no intuito de tomar um cafezinho expresso puro ou com leite e ler as últimas notícias do dia porque, afinal de contas, é preciso estar atento aos acontecimentos do mundo tanto para saber mais quanto para se preparar para o porvir. Precisam estar prontos para o futuro, claro.





sábado, 22 de outubro de 2011

ESSES GESTOS VÍVIDOS


Gosto de andar à toa pelas ruas menos movimentadas de Buenos Aires, mormente as localizadas no bairro da Recoleta porque nas grandes avenidas é quase impossível caminhar despreocupado e sem rumo, tamanha é a multidão apressada no vai e vem do cotidiano. Todavia, se bem nas artérias mais estreitas desse bairro ainda possamos passear como se estivéssemos numa praçinha qualquer de algum interior apenas gastando tempo, muita gente também corre por entre elas de um lado para outro, tanto nos dias úteis, na azáfama do trabalho diário, quanto durante os finais de semana. O que não ofusca, por outro lado, a calma com que observo a movimentação das pequenas lojas, dos kioscos, dos mercadinhos, das cafeterias, das casas de chá e muito mais.


Aliás, é justamente esse comércio de pequenas proporções, com seus proprietários hirsutos ou sorridentes à frente, empregados ocupados nas atividades sob o olhar nada complacente dos patrões, fregueses se achegando para comprar ou simplesmente passar o tempo olhando as mercadorias para irem-se em seguida, seus muitos e interessantes gestos e maneirismos, o modo como se expressam e gesticulam, o ar de preocupados ou de boas perspectivas entrevisto em seus olhos, a vida seguindo seu curso na pasmaceira coletiva das pessoas sobrevivendo aos anos.


Por vezes páro sorrindo, pensativo, triste, casmurro, indignado por qualquer razão percebida em meus sentimentos, quase sempre anoto algo, uma atitude, um jeito de ser desse ou daquele homem ou mulher cujo jeito de ser chamou-me a atenção além do normal, tudo para futuras inspirações, para escrever crônicas, contos, redigir pensamentos, mensagens,frases, em outros instantes reflito, faço comparações, imagino como seria tal ou qual grupo de criaturas em determinadas situações e vou prosseguindo meus devaneios enquanto circulo sem pressa, esquecido das horas e dos compromissos.


Cães e gatos, é óbvio, contribuem para avolumar minhas anotações, e certamente os pedintes, os exóticos, os loucos, os apressados, os emburrados, os mal-vestidos. Os animais despertam-me o interesse pela inocência instintiva de seus atos, muitos protagonizando cenas bizarras com seus donos, sejam ambos beijando-se na boca, sejam aqueles inesperadamente defecando nas ruas à medida que estes, indiferentes, não se importam de limpar as calçadas onde os excrementos foram depositados pelos bichos. Já os humanos, entre tantas bizarrices, ainda por cima vão pisando sobre o cocô deixado pelos cachorros em suas passagens. Na verdade, ruas e praças são os melhores locais para inspirar os cronistas do cotidiano. Personagens, acontecimentos, casos engraçados ou surpreendentes, está tudo ai nesses lugares somente esperando para serem registrados pela crônica dos observadores dessa seara hilária e perplexa chamada humanidade.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A ARTE DA POESIA




Não é poesia admirar pássaros 
recortando silenciosamente os céus?
Não é poesia o meigo sorriso 
de uma formidável mulher?
Não é poesia um crepúsculo 
em que o céu se pinta colorido 
e parece arder no infinito?
Pois quando pássaros voam, 
mulheres sorriem e o sol se põe 
pintando a face do céu, 
a poesia aflora da alma do poeta.

Gilbamar de Oliveira