sábado, 25 de fevereiro de 2012



Que ninguém sofra em meu lugar 
nem em lugar de ninguém mais, 
desejo muito é que todos 
vivamos nesse oceano 
de imensa da felicidade, 
juntos nos embebedando 
desse oásis maravilhoso 
que é ser feliz.
Hoje não, por favor, chega 
de andar curvado 
sob o peso da tristeza! 
Esse fardo não carrego mais, 
só quero saber de alegria 
e lacrimejar sorrisos, 
vários e lindos sorrisos.
Vim espalhar poesia 
como quem espalha 
as sementes do amor 
nos corações. 
A partir de agora, 
chorar somente de alegria!


Gilbamar de Oliveira Bezerra

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A VIDA É UM SHOW DE ROCK

Hoje quero balbuciar abraços, sussurrar beijos, assobiar poesias, tartamudear minhas mais salientes emoções, fingir que sou feliz, cantar baixinho para mim mesmo as músicas mais românticas, dizer de meus desejos loucos que não podem ser expressos senão em ocasiões inoportunas. Tenho necessidade, hoje, de rasgar minhas mágoas, espantar para bem longe a melancolia, derramar rios de lágrimas, falar à toa coisas sem qualquer sentido, jogar pedras na lua, apagar o sol ao entardecer quando ele estiver se pondo e desenhar estrelas a noite inteira. Anseio riscar o céu e deixá-lo cinzento de nuvens carregados com chuva tempestuosas de desabafos amorosos, escarnecer dos orgulhosos, pintar o maior sete do mundo nos horizontes mais serenos.


Vou atabalhoadamente desenhar sorrisos nos rostos sisudos para que suavizem, distribuir doçura por todas as esquinas tristes, compartilhar meus melhores bemquereres, desiludir a tristeza e imediatamente jogá-la no caudaloso rio da amargura, vê-la desaparecendo nas profundezas do esquecimento me fará enorme bem, decidadamente. Que passem longe de mim os insensíveis e se fundam em estátuas silenciosas, para mim as ruas devem estar cheias de indivíduos transtornados de tanta alegria, de desvairados pelas transformações mágicas dos risos esplendorosos. Abracem-me quantos não me conhecem, demos ao mundo soturno o exemplo de deslumbrante solidariedade repentina, vamos todos sorrir juntos, em uníssono, a vida não pode nunca, jamais, passar em branco, não haverá de findar sem um último êxtase.


Abramos as janelas de nossas almas acabrunhadas e brinquemos de esconde-esconde com a felicidade, joguemos futebol de poeira ao lado da fraternidade deixando-a fazer todos os gols, milhões deles, para intensamente garantir a vitória da vida, esse estonteante momento que tanto pode ser um baile de amor quanto uma ardorosa festa de rock. Fora com as saudades que só deixam mágoas, longe de nós as inúmeras lembranças tristes capazes de apagar nossos sorrisos. Nosso quinhão de alegria está ali, bem ali nas praças engalanadas pelos gemidos dos enamorados ao cair da noite, nas nuvens formando desenhos que embelezam o firmamento, nas folhas farfalhando barulhentas nas copas das árvores frutíferas, nos jardins beijados por beija-flores, na chuva caindo de mansinho e engravidando a terra.

                           Gilbamar de Oliveira Bezerra

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SABEDORIA


A sabedoria não escolhe a cor da pele, nem pobreza nem riqueza e nem a região onde alguém nasceu para iluminar seu cérebro e torná-lo sábio. Ela não é idiota como o são todos os preconceituosos. De mansinho como lhe convém, desponta quase de súbito e se mostra nas palavras daqueles cuja simplicidade aflora na maneira de falar. Porque ser sábio é perceber quão frágil e insignificante é o viver humano, quão pobre de espírito é o que, imaginando saber algo e por isso se tornando petulante, não passa de um reles ignorante.

Conhecer para aprender, pesquisar para compreender, ler para saber são pilares da inteligência, um sábio não se forma nunca, está sempre e diariamente alcançando novos saberes, é um eterno aprendiz e consciencioso estudante dedicado à curiosidade a respeito do conhecimento. Da mesma forma que um diamante, cuja composição é por demais comum, vai sendo aprimorado ao longo dos anos até que, mesmo que ele mesmo jamais reconheça isso, se torne a pedra mais preciosa de todos os minerais. O sábio é assim mesmo, tem atitudes eivadas de humildade, repudia o egocentrismo, esconde-se dos holofotes e cultiva por onde passa as pérolas de sua sapiência.

É quase impossível reconhecer um sábio, a menos que o ouça falando ou agindo no seu cotidiano. Em meio ao povo ele se mistura e aprende, observa o vai e vem, o ruge-ruge, o suspirar e o sorriso dos circunstantes, entra nas livrarias e sorri apaixonado pelo ambiente onde a cultura impera, compra livros, visita as bibliotecas e se deleita em descobrir e imaginar, sonhar, viajar através do universo silencioso e quieto do aprendizado ali tão propício, tão amplo, tão conveniente. E quanto mais o sábio conhece, aprende e lê ainda mais percebe que realmente não sabe nada, não sabe tanto, precisa de muito mais sabedoria pois tudo é deveras dinâmico e as informações se mostram como correntezas de rios transbordantes seguindo apressadas rumo aos oceanos. Cabe a ele aproveitar a passagem dessas correntezas e dar o máximo de si para lograr absorver o que lhe for possível desse manancial.

Quer tornar-se um sábio? Então provavelmente você não é um deles, porque o sábio já vem à luz do mundo predisposto a essa condição assim como o ouro encontrado nas montanhas e nos rios, brota tal qual acontece com as flores repentinamente surgidas no asfalto quente, nasce à guisa de orquídea onde somente tulipas são semeadas, surpreende, provoca surpresa, deixa todos atônitos. O sábio não procura nem almeja ser um, já que isso realmente não tem querer, ele simplesmente já é e está em franco desenvolvimento com o passar dos anos, mas em hipótese nenhuma se reconhecerá como sábio, nunca se declarará como detentor desse título arrogante na voz de quem se autoproclama, porém aveludado e sutil no comportamento dos que se revelam por meio de seus gestos.

O sábio assobia e chupa cana ao mesmo tempo, ele sim guarda o segredo há milhões de anos perseguido de dar nó em pingo d'água, ordenha as pedras de onde flui leite, cutuca a onça até sem vara, coloca o guizo no gato, arruma as estrelas no céu deixando-as simétricas, desenha a trilha do infinito, mensura o incomensurável, acende o sol ao amanhecer apagando-o no crepúsculo para, em seguida, clicar no botão da lua para iluminar o firmamento com a beleza dum lindo luar. Tudo isso com uma mão só, a outra amarrada às costas, um olho fechado e o outro semicerrado.
       
                                              Gilbamar de Oliveira Bezerra

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

SERVIÇO PÚBLICO ESTADUAL


Todos sabemos da lerdeza e da indiferença de alguns serviços públicos em nosso País e o quanto o mau atendimento aos contribuintes irrita, desconforta e nos aborrece. Uma coisa, contudo, é estar a par disso por ouvir dizer ou por mera teoria, outra é sentir realmente na pele os traumas decorrentes do estresse causado por esse péssimo atendimento na prática em nossa vida. Eu passei por isso ontem e hoje - e ainda preciso voltar na próxima terça-feira para completar um serviço que necessitei, mas não foi completado, simplesmente renovar minha Carteira de Habilitação.


De pronto, ao chegar ao local já encontrei uma verdadeira multidão se acotovelando na pequena salinha onde alguns mal-humorados atendentes nos olhavam como se quisessem lançar dardos venenosos dos seus olhos estressados. Assustei-me, é lógico, pois não esperava ver tanta gente necessitando de algum documento no âmbito do Detran, nem tão poucos funcionários emburrados se achando. Porque quase sempre é assim no serviço público, os serventuários acreditam piamente que estão nos prestando um inestimável favor quando nos atendem, fazem muxoxos, levantam, conversam entre si, atendem às chamadas dos celulares e nos deixam esperando plantados em pé ou nas poucas cadeiras como se fôssemos estátuas às quais ficassem indiferentes. E a morosidade? O tempo passa devagar, o atendimento é precário, as pessoas reclamam e tudo segue sem qualquer mudança no correr dos anos.


Não sei quantas horas esperei, quantas pessoas vi se lamentando, gente chegando, idosos, mulheres grávidas e/ou carregando crianças nos braços, doentes prioritários, suores, odores, sede, fome, necessidades fisiológicas. Diversas vezes vi e escutei um dos funcionários se levantar subitamente e gritar em alto e bom som: "não vou mais atender, não atendo mais enquanto isso não ficar organizado!" Levantou-se da cadeira e saiu desabalado na direção da porta ao lado, terminando por dizer: "vou chamar a gerente para resolver isso!" E se foi. Ele se aborrecera porque idosos, gestantes e pessoas com crianças reclamavam por não serem atendidos logo.


Foi um dos piores dias de minha vida. Esperei, estressei-me, assisti às reclamações populares, aos olhares desolados dos usuários, aos bocejos, às pessoas que enganavam o tempo fechando os olhos, ao enfado de alguns funcionários, às horas que insistiam em não passar. O número de minha ficha estava a quilômetros dos à minha frente, permanecer ali à espera irritava, incomodava, enervava. Não enxerguei um só sorriso nos rostos dos presentes, somente tristeza, suspiros, balançar de cabeças, olhares sôfregos aos painéis de chamada, o vai e vem dos impacientes - todos nós, aliás. 


De tão deveras desencantado com tudo aquilo fiquei sem inspiração para escrever a respeito, tudo se perdeu, o desabafo do funcionário foi a única coisa que achei por bem transcrever, a melancolia dos usuários tornou-se o quadro mais recorrente em meu cérebro, a demora em ser atendido transformou-se na ponta de uma agulha perfurando-me o corpo de instante a instante. Quando, por fim, fui chamado, inclusive justamente por aquele serventuário do desabafo, ele ironizou com um sorriso zombeteiro: " você vai ter que voltar amanhã para capturar a foto e fazer o exame de vista. Não sabe o tamanho da fila que o espera."

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

FALSOS SORRISOS?



Anos após anos as luzes coloridas se acendem, as árvores se enfeitam com os mais estranhos complementos, os sorrisos se escancaram nos rostos daqueles que ficaram carrancudos o ano inteiro, as esperanças moribundas rejuvenescem como num passe de magia, todos se abraçam e muitos se tornam solidários oferecendo presentes e/ou cestas básicas a favelados e miseráveis do seu bairro. Todos querem dar e receber presentes, quase como se isso fosse uma obrigação irrefutável da qual ninguém pudesse escapar. Os comerciantes, risonhos de orelha a orelha, não dão importância à singeleza da época, importa-lhes tão-somente vender e vender muito, o máximo possível para lucrar mais do que o ano anterior, anotando dados, coletando estatísticas e apelando para o emocional coletivo. Para eles, é tempo de aumentar intensamente as vendas, pois é apenas esse seu objetivo. E até quem não pode faz o impossível para também integrar esse consumismo desenfreado, de modo a ser parte desse todo que segue os ditames de algo já convencionado e do qual ser membro é regra geral. 


Um espírito, que se diz chamar natalino, se apossa imediatamente dos corações, determina gestos e atitudes e transforma as pessoas. Tudo por instantes, por uns poucos dias, a desaparecer depois como a esmaecente fumaça. Quem ao longo dos meses se mostrou intolerante, malicioso, rude, grosseiro mesmo, subitamente aparenta ser o protótipo do cordeiro, um ser de luz capaz de cometer os atos mais sublimes. Quem não amou nem respeitou, agora se acha um anjo de bondade porque é Natal, pois assim é que deve ser nesse período, mesmo que depois, dia subsequente a 25 de dezembro, volte ao seu normal e exiba sujas garras afiadas e perigosas. A hipocrisia toma conta de inúmeros olhares, de vários recônditos d'alma, de nucleares corações, devidamente disfarçada em sorrisos "natalinos",  escondida em tapinhas nas costas e negros abraços de ursos.


A confraternização é geral e envolvente, os votos de "Feliz Natal" vão se multiplicando entre as pessoas das mais diversas camadas sociais, ninguém se preocupa em ser diferente nessa época. Porque isso seria absurdo, claro, há preceitos não escritos a ser seguidos sem discutir no tocante a esse aspecto. Não se divertir no Natal, não comemorar com exagerada gastronomia e incontáveis garrafas de vinho ou qualquer outra bebida alcoólica seria um "sacrilégio". O comum e usual em dezembro é participar de todos os encontros e festas, dos "amigos secretos", das bebedeiras e dos abraços, ainda que alguns sejam salpicados de falsidade.  


Mas há quem se lembre do sublime aniversariante, de Sua divindade, de Sua entrega total ao sofrimento e à morte em prol de pecadores, de Sua ressurreição gloriosa ao terceiro dia, de que Jesus Cristo é o próprio Deus feito homem, cheio de graça e de verdade? Quantos tem a consciência de agradecer fervorosos por Sua misericórdia, quantos se voltam serena e respeitosamente em Sua direção para, contritos e arrependidos, orar, falar com Ele, ouvi-lO? Parece que Ele é o mais olvidado no momento em que deveria ser mais venerado, deixado de lado quando mais precisaríamos procurar por Ele. Homens e mulheres, embora não todos é bem verdade, só pensam em comprar presentes, os comerciantes, por sua vez, em vender, aguardando com ansiedade a noite de Natal para a grande e farta ceia natalina com os familiares com vistas à inevitável farra de comilança e bebedeira. No aniversário de Jesus, o quase esquecido por causa das diversas coisas oferecidas pelo mundo com seu brilho fantasioso, seus festejos homéricos, suas algazarras, seus motéis ainda mais transbordantes nesses dias de festanças! O aniversariante é o menos lembrado por todos nós que deveríamos, tantas vezes, corar diante dos nossos próprios atos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

EXCITAM-ME



beijos ardentes
corpos complacentes
amores carentes
requebros indecentes
desejos pungentes
sorrisos latentes
carícias maledicentes 
olhares inocentes
afagos incoerentes
pernas atraentes
cafunés indolentes
conquistas recentes
gozo em torrentes
sexos ferventes
verdades patentes
momentos competentes
meneios malemolentes
abraços deveras quentes
instantes contentes
mulheres valentes