terça-feira, 8 de dezembro de 2009

POBREZINHO NASCEU NO BRASIL


Cai-me dos olhos a lágrima esquecida
dos amargos Natais da minha infância
que ficou presa no tempo, mal contida,
mas que hoje se livra da inconstância

Fluindo por meu rosto até o coração
sou mais uma vez o menino sem presente,
aquele a quem tudo faltava, mesmo o pão,
não quero mais desses natais novamente

Mas não pude deixar de entristecer-me
porque hoje, embora eu tenha tudo
e isso nunca mais possa acontecer-me

Dou graças, porém para tantas crianças
esse Papai Noel continua surdo
e o Natal é somente longínqua esperança

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

EU, ARTISTA DA GLOBO - Parte II

Acontecer em nossa vida somente uma vez algo sem dúvida inusitado é coincidência e algo a esquecer, mas quando ocorre duas vezes já é fato para ser refletido e analisado. Uma equipe da Rede Globo, composta de muita gente da produção, diversos técnicos, vários cameras e alguns atores como Xuxa e Cissa Guimarães, além dos cantores Zezé de Camargo e Luciano, entre outros, está gravando em Gramado o especial de Natal para 2009. O aparato, a segurança, os cuidados especiais que fazem o já tão conhecido e badalado padrão global tem transformado a cidade num palco de muita expectativa tanto entre os gramadenses quanto em meio aos turistas que circulam alvoroçados em todas as direções.

Normalmente as gravações desse especial têm sido feitas durante a madrugada, provavelmente para evitar o assédio de fãs e curiosos. Mas no dia 14, quando as atenções se voltavam para a apresentação da "árvore cantante", uma das atrações do Natal Luz de Gramado, sorrateiramente a apresentadora Xuxa, seus guarda-costas, produtores, diretores e aquela parafernália de sempre chegaram ao Palácio dos Festivais, em frente à Rua Coberta onde o povo se aglomerava para assistir à apresentação do espetáculo anunciado, e, rapidamente, entraram e isolaram discretamente a área. Lá diversas tomadas foram feitas sob os silenciosos olhares admirados das moças que trabalhavam na bilheteria central onde são vendidos os ingressos para os shows de natal. Ao fim, ainda com a mesma discrição, se foram sem serem percebidos pelo público ali tão perto.

Mas no dia do Grande Desfile de Natal, terça-feira 17/11, novamente a Globo se misturava ao povão numa área obviamente reservada onde uma grua foi instalada para a filmagem do espetáculo e outras câmeras circulavam fazendo tomadas nos ângulos apropriados. Eu e minha esposa estávamos nas imediações para, como todos, ver e admirar a beleza do desfile, das luzes multicoloridas, dos fogos de artifício e das fantasias usadas pelos participantes do fantástico evento. Lá pelas tantas, o show em andamento, as pessoas aplaudindo emocionadas, as crianças felizes e entusiasmadas com tanta alegria e diversão, uma senhora atrás de mim me olhava acintosamente desprezando o desfile. E não parava de me olhar por mais que a multidão explodisse em aplausos e gritinhos de encanto.

Então, sem resistir, toda cheia de ansiedade, a dita senhora me abordou: " você é o Claudionor da novela das sete?" Entreolhamo-nos eu e minha esposa e sorrimos divertidos. "Não, senhora, não sou o Claudionor", respondi. "É, sim, não tente esconder", argüiu ela. "Duas vezes não!", sussurrei para minha esposa que não parava de rir do assédio inesperado. "Tudo bem, senhora, sou eu sim, mas não diga prá ninguém, certo?", eu disse por fim. "Eu quero tirar uma foto com você", surpreendeu-me ela. E, sem esperar anuência, abraçou-me enquanto o marido dela clicava. Depois, estirando-me caneta e papel, pediu um autógrafo, que eu, atônito, dei. Na foto, perplexo, fiquei sorrindo constrangido enquanto a senhora e o marido me garantiam, já indo embora antes do fim do desfile, que não diriam a ninguém da presença de "Claudionor", da novela das sete, no meio da multidão.

Como da vez anterior, quando o jovem afirmou extasiado que eu era um artista e a quem quase fui obrigado a dar autógrafo, vi-me sem jeito e rindo com minha esposa diante daquela situação realmente inusitada. Eu, ator global da novela das sete? rsrsrsrs

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

TROVAS SENSUAIS

Vejam só, essas minhas trovas abaixo foram CENSURADAS por um site de poesia e de lá deletadas, deixando-me surpreso e perplexo. Gostaria de saber a opinião de vocês sobre o que eu considero simplesmente uma obra de arte poética, decerto mais lírica e singela do que muitas cenas de sexo explícito em tantas novelas das seis, das sete e das oito. Por favor, leiam e opinem.


Beijei teus lábios carnudos
num instante envolvente
abraçamo-nos desnudos
com afagos indecentes

Macio como o veludo
teu corpo deitou na cama,
teu olhar lindo e tesudo
recrudesceu a minha chama

Tuas nádegas sensuais
alçaram exuberantes
e reflexões irracionais
excitaram-me vibrantes

Ardia-me de desejos
todo o meu ser te queria
deitei-me, dei-te beijos,
percebi que tu gemias

Malgrado a ansiedade
de possuir-te ligeiro,
em fogo a virilidade,
fui carinhoso primeiro

Quão belo espetáculo
o nu do teu corpo deitado
teu lindo receptáculo
ao meu dispor, excitado

Tuas coxas lindas beijei
virei-te suavemente
teus seios acariciei
dois céus, cálidas sementes

Com a lança toda em riste
e teu alvo úmido e quente
encaixei, e quando sentiste
puxaste-me envolvente

Entre sussurros e gemidos
línguas entrelaçadas
amamo-nos absorvidos
almas gêmeas encantadas

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

EU, ARTISTA DA GLOBO

Olhando extasiado o forte nevoeiro sombreando Gramado, sentado num romântico banco da Rua Coberta, abracei minha linda esposa e nos beijamos. Ali, juntinhos e abraçados vendo o fog espalhar-se sobre a arquitetura estilo europeu, as pessoas agasalhadas indo e vindo aos seus respectivos destinos, deixamos o relógio esquecido no hotel e buscávamos eternizar aquele momento mágico e encantador. Estávamos ali para passear e usufruir daquele ambiente romântico e charmoso típico da Serra Gaúcha. A vida se mostrava bela e nós desfrutávamos da serena magia que parecia estar presente em cada espaço vislumbrado.

Súbito, quando parece que o êxtase nos embriaga e o que acontece em derredor não tem qualquer sentido para quem está feliz, um inesperado sujeito esquisitão, meio que tanto abobalhado, alto, bermuda escura, camiseta sem graça e chinelão amatutado, aproximou-se de nós e, de chofre, me olhando bem nos olhos, indagou sem o menor preâmbulo: "Você é um artista?" Deitei os olhos sobre o sorriso disfarçado de minha esposa e fiquei sem esboçar reação, ausente de palavras por não saber o que dizer ao sujeito. Ainda assim, respondi o óbvio: "Não, não sou artista" . Estranha essa indagação completamente descabida e despropositada. Ainda assim, tentei levar na esportiva para desvencilhar-me depressa do intruso e voltar às delícias do namoro no entardecer de Gramado

Ele pareceu genuinamente surpreso com minha resposta, podem acreditar, e, descontente como se não acreditasse em mim, não se conteve: "Você é um artista da Globo, sim, eu reconheci você, não tente me enganar!" Cara estranho aquele, como podia confundir-me com atores globais? Bom, aquilo já estava indo longe demais, claro. Que loucura, que desplante!

Percebi, então, que o malfadado sujeito era, estava para ser ou tinha pirado completamente e, para não contrariá-lo, afirmei decidido: "Não espalha para ninguém não, por favor, estou incógnito e não quero que a mídia me descubra." Ele se mostrou satisfeito, agora sim ciente de estar à frente de famoso artista contratado pela Globo, algo nada usual para mim porque o equívoco acontecia comigo.

Ele sorriu meio cúmplice exibindo dentes irregulares e exigiu, ainda deixando tranaparecer aquele estranho ar de riso nada normal, e tascou confiante: "Se você me der um autógrafo eu não digo prá ninguém que você é um artista e está aqui em Gramado sentado tranquilo perto da Rua Coberta." E sacou do bolso um caderninho de anotações mais a caneta, passando-me em seguida. Conseguem discernir esse fato? Ele se disse meu fã e queria um autógrafo.

Notei o sorriso maroto de minha esposa ao meu lado, procurei conter-me para não rir também e, circunspecto, assinei meu autógrafo cheio de pompa. Entreguei o caderninho assinado e a caneta de volta ao esquisitão, que, todo entusiasmado, piscou-me o olho e, feliz da vida, se foi dizendo à guisa de cumplicidade:"Não se preocupe que ninguém vai saber que um artista da Globo está sentado na Rua Coberta com a esposa, fica somente entre nós"

Segurando a gargalhada, eu e minha esposa viramos o rosto para um sopro brusco de nevoeiro resvalando nossos cabelos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O CÃOZINHO ENCURRALADO

Subitamente, em meio à ruidosa apresentação do desfile de Natal na rua paralela à Borges de Medeiros, em Gramado, surgiu um pequenino cachorro desorientado em meio à multidão. Assustado, visivelmente em pânico, ele olhava de um lado para o outro daquele imenso corredor polonês sem atinar qual direção deveria seguir, prestes a enlouquecer, na iminência de desandar a latir como se perseguido por centenas de predadores. Câmeras da Globo filmando, o povo aplaudindo o show, a música natalina em despudorada altura deixando os tímpanos em polvorosa, o pobre animal certamente entraria em colapso em pouco tempo.

Alguém gritou ao ver o bicho acuado, outros fizeram o mesmo, uma garota jogou nele um pirulito chupado obrigando-o a por o rabo entre as pernas. "Pega ele!", explodiram vozes em algazarra. E quando os fogos de artifício estouraram no céu iluminando a já feérica artéria brilhando de luzes coloridas, o cachorrinho ensaiou correr para a direita, depois, perseguido por pessoas de apoio ao desfile, arrancou no rumo da esquerda, mas aí a multidão aos apupos ensandecidos o desnorteou. Então, sem nenhuma saída visível, apavorado e convicto de sua situação nada razoável, o bichinho disparou na direção dos camarotes onde se encontravam as autoridades e convidados vips, momento em que, avistado por seguranças trogloditas ameaçadores, espaúdos e gigantescos prontos para, talvez, fazê-lo em picadinho ou dar-lhe qualquer outro destino menos nobre, ele avançou num rumo indeciso à frente do desfile, louco para sair do impasse, desviando-se de todos quantos tentavam agarrá-lo ou conduzí-lo para uma possível saída, completamente deslocado num ambiente hostil.

E lá se foram homens e mulheres vestidos de preto, o referido grupo de apoio aos desfilantes, no seu encalço enquanto o povaréu ora vaiava, ora batia palmas como se diante de um espetáculo diferente, as câmeras da Globo gravando a cena toda, o cara da grua atento a cada movimento da correria e tudo acontecendo como se tivesse sido exaustivamente ensaiado para aparecer com perfeição. Foi nesse momento que algumas jovens participantes do desfile, vestidas de anjo piscando com as dezenas de luzinhas rendilhadas na fantasia toda, incluindo as asas alvas como a neve, passavam em sua apresentação teatral e o animal se esgueirava em meio a elas com uma rapidez incrível, fugindo pelos meios que melhor lhe parecessem, os olhos afogueados, o coração quase a saltar do peito num repente.

Ninguém conseguiu agarrar o cachorrinho intruso, pelo menos até o último momento em que o vi correndo desabalado, à toda mesmo, pelo caminho destinado ao rico e belo desfile de Natal, ainda sob a gritaria e os aplausos em todo seu percurso. Um interessante casal de patos acompanhado de seis patinhos numa coreografia engraçada e emocionante, a mamãe pata usando um chapeuzinho e o papai pato uma boina que lhe dava um ar de seriedade cômico, tomando minha atenção e do público em derredor deu prosseguimento ao espetáculo e não pude mais registrar que fim levou o pobre do cãozinho que estava no lugar errado e na hora evidentemente imprópria. Imagino, por sua destreza e habilidade, que não tenha sido pego por seus perseguidores, e certamente logrou encontrar uma saída em algum lugar para livrar-se da arapuca em que se metera indevidamente.

Esqueci-o completamente ante o cortejo de soldadinhos de chumbo em ritmada marcha cheia de evoluções, fazendo-me voltar por instantes à minha infância sem brinquedos. Soldadinhos de chumbo sempre foram uma parcela dos sonhos lúdicos povoando-me a mente infantil, mas eu só podia brincar com ossos ressecados com os quais criava batalhões. Os de verdade somente povoavam as brincadeiras dos abastados. O cachorrinho encurralado no meio da multidão eufórica me deu pena, os soldadinhos de chumbo, melancolia.

domingo, 15 de novembro de 2009

AOS MEUS AMIGOS E AMIGAS

Caríssimos amigos(as) estou em viagem de férias com minha esposa, e atualmente estamos na charmosa cidade de Gramado(RS) assistindo ao Natal Luz e passeando no deleite da beleza da Serra Gaúcha. Por essa razão estou sem postar há dias. Em breve voltaremos, se Deus quiser, e tornarei a postar com a habitualidade de sempre.

Grande e afetuoso abraço poético do amigo Gilbamar.