quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O TESÃO DO CARA PELO FUSCA - Final

Este olhava o proprietário
Cheio de espanto e rancor
Com o cara ressentido
Por atrapalhar o seu amor
Mas fugia resmungando
Com seu andar engraçado
De quem é leso e pirado
E se ia resfolegando

Eu nunca soube o seu nome
Apelidei-o de Zé Buchada
Provavelmente tenha sido
Por ter fusca como amada
Mas não fazia jus ao apodo
Pois era um fino magrela
Bem delgado e banguela
Parecendo cabo de rodo

Sobre Zé buchada escrevi
Uma crônica hilariante
Um conto bem engraçado
Com título contagiante
Que despertou num jornal
Excelente reportagem
Descrevendo a imagem
De alguém nada normal

Zé Buchada desapareceu
Assim, repentinamente,
E ninguém soube explicar
Se estava morto ou doente
Foi como se alguém soprasse
Numa lamparina acesa
Aboletada numa mesa
E ela, súbito, apagasse

Há versões contraditórias
Do que realmente ocorreu
Com o cara que amava fusca
Se ainda está vivo ou morreu
Uns falam que o mataram
Por causa do que fazia
Pois de fato enraivecia
E talvez o assassinaram

Boa parte deste cordel
Tem um tanto de verdade
Outro tanto eu inventei
Com minha criatividade
Foi só para descontrair
Todo poeta é inventivo
E basta um só motivo
Para sua poesia sorrir

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