quarta-feira, 9 de julho de 2008

UM LIVRO MÁGICO

O escritor espanhol Carlos Luis Zafón escreveu um romance de tirar o fôlego dos amantes da literatura. Para quem inicia a leitura do grandioso e fustigante relato pensando em encontrar apenas mais uma estória para passar o tempo numa fila de banco ou na sala de espera do aeroporto é uma verdadeira revelação e um grande impacto. Porque a partir da primeira página ninguém consegue mais parar de ler. Com a maestria de quem tem talento, dom, capacidade e o domínio da arte literária, Zafón vai desenvolvendo seu texto num crescendo, de maneira hábil, como a montar um delirante quebra-cabeças de milhares de pequeninas peças e quase sem deixar pistas do que vai acontecer no capítulo seguinte. É um livro denso, empolgante, daqueles que começamos a ler à noite, os olhos esbugalhados e atentos, a mente concentrada no desenrolar do contexto e só paramos na última página, o dia já claro. O personagem principal do romance chama-se Daniel, mas o realce da trama é dado principalmente ao livro e ao encanto que esse produto da inteligência humana produz em todos nós seus admiradores fanáticos. De tão mágico, misterioso, sobressaltante e, até mesmo, sobrenatural, A Sombra do Vento desperta aquela ânsia natural de chegar à conclusão da estória para compreender as razões e os porquês de todo o emaranhado de acontecimentos que por muito pouco não explodem diante de nossos olhos, tamanha a força do relato. O livro é fascinante, espetacular, empolgante, belo muitas vezes, doentio também em determinados momentos, lírico por instantes, mas essencialmente misterioso, chega a doer na alma cada fragmento de suspense, cada detalhe minuciosamente narrado, então o desejo de saber logo o que vai ocorrer a seguir acelera as batidas do coração e aumenta a adrenalina. O romance é volumoso, mas não há nenhuma frase desnecessária em todo o decorrer de seu conteúdo. As palavras parecem ter sido lapidadas uma a uma para a confecção desse impressionante livro. Carlos Luis Zanón fez um gol de placa ao escrevê-lo. Confesso que o li em dois dias, somente fazendo intervalos quando imprescindíveis e para as atividades inadiáveis do cotidiano. O título, a meu ver, não diz muito nem se mostra muito atraente para quem o vê em alguma estante, todavia basta ler a primeira frase para apaixonar-se. Recomendo sua leitura.

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