quarta-feira, 24 de junho de 2009

VELHOS LIVROS NA ESTANTE

Em surrados livros revi
flores ressequidas, esquecidas,
lábios que beijaram páginas
em relevos já esmaecidos

Recordei tantos momentos idos
ao deparar com textos sublinhados
nas diversas cores do arco-íris
e palavras soltas escritas a mão

Lá estavam, apagadas, folhas secas
outrora regadas por sorrisos
afagadas em tardes que se foram
deixadas ali como a expressão de algo

Velhos e guardados livros de ontem
que se aconchegaram a seios
virginais cobertos e escondidos
mas permitindo que o arquejo fluisse

Nas páginas puídas e amassadas
impressões digitais femininas
ali deixando marcas de sua passagem
carinhosa por vezes, irritada outras

Hoje são livros olvidados na estante
mas transbordantes de estórias
de lágrimas, de olhares, de amor sutil
de ingenuidade e êxtase juvenil

Compêndios de minha adolescência
testemunhas das muitas dores e risos
do brotar da primeira paixão
do duro amadurecimento do meu coração

8 comentários:

Giane disse...

Amigo Gilbamar;

Está provado porque Livros, fascinam, inspiram e viciam.

Beijos mil!!!

Mai disse...

E nossa memória percorre tantos lugares, toca tantos objetos, lembranças guardadas... Flores ressequidas de amores desidradatos ou desamores esquecidos nas páginas dos livros...
.
Velhos livros nas estantes...
Velhos livros...
Velhos...

Belo texto e, ainda bem que não guardaste na gaveta ou na estante.
Abraços, Gil.

Sônia Brandão disse...

Os velhos livros jamais deveriam ficar esquecidos. Quanta lembrança boa eles nos trazem. Deveríamos cuidar deles como se cuida de um amor.
Um abraço.

Gabiprog disse...

OOOOOHH!!

Nuestro tema es muy parecido querido amigo!!!

:D

Anne Lieri disse...

Gil,que beleza esses livros repletos de recordações!Linda demais sua poesia!Abraços,

Ggel disse...

Realmente, tem livros que ficam em nossas memórias pra sempre, não é? Me lembro do primeiro livro que li quando era pequena, chamava-se Quimquim Labareda. Recente tive a chance de achá-lo numa livraria e claro que comprei e reli, tão bom, me fez voltar anos atrás.
:)

Meg disse...

Cito este pensamento, a propósito do magnífico poema sobre os livros, acho que a "alma" da poesia está lá:
"Penso que em toda a biblioteca há espíritos. Esses são os espíritos dos mortos que só despertam quando o leitor os busca. Assim, o acto estético não corresponde a um livro."

Jorge Luís Borges,in jornal O Estado de São Paulo

Úrsula Avner disse...

Um mimo de poesia que nos faz rememorar a importância do livro mesmo quando velho e esquecido. Um abraço.