domingo, 16 de janeiro de 2011

APOCALIPSE

Quando o escritor elabora um romance, especialmente em se tratando de science fiction, já muito antes ele empreendeu algumas pesquisas para torná-la bem mais atraente com as informações concernentes ao contexto pretendido. Metódico e paciente, ele vai inserindo o fruto de seu conhecimento em meio à trama urdida na mente prolífera e transforma sua obra num cabedal de informações estonteantes.

Poder-se-ia dizer essa assertiva com absoluta segurança a respeito da volumosa e épica obra A BATALHA DO APOCALIPSE, do escritor carioca Eduardo Spohr. Escrever sobre os fins do tempo misturando dogmas e demais aspectos religiosos com elementos nitidamente fictícios envolve um risco deveras instigante e até mesmo assustador. Contudo, Spohr vai muito além dessa premissa literária. Criando cenários espetaculares, os quais descreve com minúcias de detalhes como se aquilo realmente existisse, além de criaturas apologéticas nascidas de sua fértil imaginação, ele prende o leitor pela ânsia de deparar com as novas e fantásticas descobertas que vão se sobrepondo em cada página.

É um estória de anjos, arcanjos e demônios se digladiando pela supremacia do universo celestial, e no meio desse caos a um só tempo angelical e infernal se veem os seres humanos, pobres e mortais figurantes de uma guerra cujo desfecho os levará à total destruição. Afinal de contas, as poderosas entidades estão litigando violentamente sobretudo em razão desses mesmos seres criados à imagem e semelhança do Deus criador. Uns em virtude da inveja que essa regalia divina despertou, outros porque, ao contrário, desejam que a humanidade prossiga sua saga no próprio plano astral em uníssono com as hostes angelicais. A partir desse prisma surge o Juízo Final, nessa poderosa ficção causada justamente pelo embate entre as forças de Miguel, o Príncipe dos Anjos, e seu Irmão, o Arcanjo Gabriel. O primeiro desejando destruir e se impor, o outro, querendo evitar uma tragédia maior.

Embora rico em personagens estranhas e inesperadas, duas se destacam no palco desse soberbo relato: O Anjo Renegado Ablon, ator principal da trama, e a feiticeira humana Shamira, companheira de lutas que atravessam os séculos, de súbitos desejos inconfessáveis reprimidos e sentimentos recalcados por razões que nem mesmo o mais frio coração compreende. Ambos formam um quase par romântico capaz de aliviar, ainda que por instantes, o fragor dos embates e das mortes.

Com sua criatividade ímpar aliada às pesquisas sobre fatos históricos e bíblicos, Spohr nos conduz a acontecimentos do passado bastante remoto e antediluviano e os recria de forma extraordinária unindo ficção e realidade com um talento somente inerente aos grandes autores cuja capacidade de escrever supera o usual. A literatura nacional ganha uma obra fora do comum e um novo escritor com amplas condições de voos internacionais, e certamente em pouco tempo o cinema se apaixonará por esse livro transpondo-o para a telona. Quem ainda não leu corra até a livraria mais próxima e adquira o seu.


A BATALHA DO APOCALIPSE
Autor: Eduardo Spohr
Editora Verus
5a. edição

2 comentários:

maria olimpia alves de melo disse...

Pois lhe digo: sua resenha tornou o livro muito atraente.

Caperucita disse...

Amigo Gilbamar, vengo a desearte un estupendo 2011.
Voy con un poco de retraso lo sé, espero no me lo tengas en cuenta.
Besos.