segunda-feira, 15 de junho de 2009

CORAÇÃO DE GELO



Muitas pessoas, às vezes sem perceber, mas tantas outras por desejar isso ardentemente, de modo a ferir o mais profundo possível, nos fazem chorar e ficar tristes. Suas palavras e frases têm o poder maligno de magoar, e magoar com intensidade. Não raro, ferem de tal maneira que alcançam e perfuram até mesmo o recôndito dos sentimentos, ali provocando lenta e insuportável agonia. Somente um comentário brusco, uma indelicadeza quase despercebida do autor, mas lamentável e intensa para quem a sofre, mesmo aquele olhar de crítica mordaz, qualquer ato da espécie pode arrasar o cotidiano do ser humano sensível. Os autores de tais proposições negativas nem imaginam o mal que fazem ao seu igual, a ansiedade subseqüente do atingido por suas palavras maldosas, a momentânea depressão que vem e é capaz de transformar a alegria em copioso pranto. Que nada! A sensibilidade nem sempre é percebida por quem se compraz em desprezar e ser indiferente à mágoa do semelhante, ou talvez quando este a descobre em seu interlocutor ele se torna ainda mais ferino e contundente. A frieza impensada dessas criaturas guiadas pelo egoísmo do absurdo congela suas próprias almas e os faz capazes de lances e nuances tão frenéticos quanto são os dardos venenosos. Viver, para eles, é a proliferação de uma eterna galhofa e grandes e contínuas chacotas. São diretos, desrespeitosos, incisivos, sarcásticos e, tantas e tantas vezes, pejorativos. Nem parecem ter coração, ou, se o têm, este se transformou num volumoso bloco de gelo. Os outros são, sempre, o alvo de pesadas brincadeiras de mau gosto e de punhaladas em forma de paráfrases e trocadilhos sutis e grosseiros.
O mundo está repleto de gente desse naipe. Gente desumana que vê no seu próximo a imperdível oportunidade de manifestar sua verve irônica e pernóstica. A lata do lixo da vida humana está entupida dessa espécie, já transborda até. De todos nós elas merecem, apenas e simplesmente, compaixão, jamais o rancor, nunca o despeito e o ressentimento. Porque são inseguras, infantis e necessitam de auto-afirmação. Exibir-se, para elas, é sinônimo de status, se acham as tais, desejam ardentemente aparecer. Melhor não lhes dar ouvidos e deixa-las falando sozinhas, mostrando total indiferença à sua existência. Em sendo possível ajudá-las de alguma maneira objetivando transformá-las em mulheres e homens cidadãos de bem e cordatos, amantes da paz e da reconciliação, decerto é-nos prazeroso fazer isso. A convivência entre os seres racionais precisa ser permeada pelo respeito e a civilidade, porque afinal somos todos dignos dessas duas prerrogativas tão humanas. Não é factível imaginar, portanto, que a atitude leviana e mesquinha dos galhofeiros seja encarada como um comportamento inerente às pessoas. Viver não é, evidentemente, uma eterna brincadeira. Todos nós temos nossas responsabilidades conosco mesmos e com os demais, e o limite de nossa liberdade, como já bem sabemos, termina quando começa a dos nossos iguais. Ninguém tem o direito de ultrapassar essa tênue linha imaginária, porém pragmática. Caso o faça vêm os conflitos e, tantas vezes, as desgraças. Só pode haver harmonia quando existe boa vontade e compreensão de ambas as partes. A jornada da vida há que ser uma trajetória feliz e alegre. Por que torná-la sombria e tormentosa quando temos amplas condições de, em uníssono, vivê-la?

13 comentários:

Raquel El-Bachá disse...

Oi Gilbamar. Saudades do seu blog. estava sem tempo por causa do trabalho e estava sem internet em casa para ler o textos.
gostei muito desse texto. Estava falando sobre pessoas assim ontem com uma amiga de minha mãe. Eu, por ser muito "emoção", tenho dificuldades em conviver com gente assim.
Beijos.

Ana Maria disse...

Infelizmente confundem liberdade com libertinagem.Muito triste, o desrespeito a liberdade.
Beijinhos doces!

Pri disse...

Oi, Gilbamar! Vim retribuir a visita, e que bom que cheguei até aqui!
Você conseguiu descrever precisamente uma espécie de ser humano que de humano não tem quase nada.
Aprendi às duras penas não me importar com a opinião desse tipo de gente, mas confesso que é muito difícil, porque essa espécie de escória povoa a face da terra feito erva daninha!

Mas falando de coisas mais agradáveis, você ganhou mais uma seguidora. Adoro textos bem escritos e os seus são excelentes!

Bjs!

Liliana G. disse...

¡Cuánta razón tenés mi querido amigo! ¡Cuánta razón!
Estas personas hacen daño porque son seres resentidos con la vida y no pueden ver las maravillas que ésta encierra.
Son ciegos de espíritu y van tratando de cegar a los demás, pero afortunadamente rebotan contra las almas puras, sencillas y amorosas que los rodean.
Un escrito para reflexionar...
Muchos cariños.

Anne Lieri disse...

Gil,essas pessoas não merecem a nossa atenção porque precisam ferir o outro para estarem bem com elas mesmos!No fundo,sentem-se inferiores diante do talento do outro.Excelente e oportuna sua cronica!Abraços,

ILUSION disse...

Pasando a conocer y a saludar, este blog es muy hermoso!!gracias por la visita, nos estamos leyendo!!!!!
Besitos!!!!!!

Gabiprog disse...

Comunicar
compartir
complicidad
Siempre dos. Siempre iguales!

Un abrazo.

Úrsula Avner disse...

É meu caro Gilbamar, o mal infelizmente é real mas certamente não prevalece sobre aqueles que se ocupam em fazer o bem. Expressiva crônica. Meu carinho.

Café da Madrugada® Lipp & Van. disse...

Gostei do texto! Exprimiu todo sentimento sobre essas pessoas.
Realmente, é triste para elas conviverem pq nao sabem viver e triste para nós... que temos que conviver.

Vivian disse...

...quando alguém se descuida
e vem em minha direção com
uma pedra na mão,
tenho uma receita infalível?
simplesmente me recuso a
recebê-la,
e é claro que o dono da 'pedra'
tem que se virar com ela.

logo,
nada e ngm tem o poder
de nos magoar, aborrecer,
ou entristecer, se assim
não permitirmos...

amei seu texto...

um beijo e obrigada
pela visita sempre
prazerosa.

Menda disse...

Muchísimas gracias por la visita y por el comentario.
Qué blog tan poético!!!

Dirce disse...

Vim agradecer a visita ao Quem me Dirces :)
Mas realmente, existem pessoas que parecem que tem o dom, ou a maldição, de esfriarem qualquer coração. Qualquer palavra fere, machuca mesmo e ai,pra consertar,vai-se um tempo bem grande, né?
Que essas pessoas destilem seu veneno pra lá, não é mesmo?

Véu de Maya disse...

Muito sensível e delicado seu texto...muito difícil estar "para além do bem e do mal"...numa calma estrelar de equilíbrio de instintos...aí talvez já não haja lugar pra essas cenas tristes que empobtrecem quem as faz e magoa quem as recebe...agradeço sua visita.

abraço,

Véu de Maya