segunda-feira, 7 de setembro de 2009

ANGÚSTIA


Começa devagar na base do estômago, paulatino, quase como uma insinuação imperceptível, e avança pelo externo até alcançar os arredores do coração onde se instala e inicia sua devastação emocional. Então tudo se mostra reconhecível e palpável, por assim dizer, é o principio da angústia se instalando e dominando o corpo inteiro a partir daí, sem qualquer possibilidade de saída, a vítima fica indefesa, e ela vai-se tornando extremamente forte em pouco, tomando totalmente de conta de suas emoções. Desse momento em diante, a expressão facial do angustiado decai e surge explícito aquele olhar distante e melancólico, perdido, tão característico, um jeito abertamente triste de mostrar sua dor de maneira a ser visível para todos. A angústia é como um lento torniquete estrangulador.

A vontade irremediável, desse ponto em diante, e isso está evidente nos olhos murchos do angustiado, que se vê como perdido nalgum lugar vazio e solitário do deserto emotivo, é chorar copiosamente, cabisbaixo, mãos na cabeça, olhos fechados, por qualquer razão, plausível ou não, deixando as lágrimas afogar esse instante que corrói a alma e provoca irremediáveis contornos de depressão. Uma palavra amiga repentina agora, tão bem vinda como uma tábua de salvação no mar revolto e de ondas violentas, certamente vai contribuir para o incremento do choro, fazendo-o convulso como são os decorrentes das grandes amarguras capazes de atormentar profusamente. Se ao murmurar dessa voz confortadora seguir a suavidade da mão gentil sobre o ombro ou um abraço animador precedido do sorriso estimulante, seguramente haverá soluços intermitentes à guisa de desabafo profundo. Porque nenhum ser humano tem condições de sufocar a torrente de lágrimas quando alguém se aproxima para, com seu carinhoso jeito de ternura e amizade, amenizar o ímpeto frenético da angústia instalada.

O arroubo de chorar acalma as batidas aceleradas do coração, diminui o tamanho do bolo que incha o estômago, que logo vai perdendo seu furor, os olhos voltam a apresentar a pouco e pouco o brilho desaparecido e já se vê alguns traços de sorriso avultando no rosto, que recupera resquícios do rubor anteriormente escondido no recôndito da melancolia. E assim como, com suas garras titânicas à guisa de tenazes, a angústia se assenhorou de alguém por razões diversas, o desabafo aliado à doce palavra amiga e mais o abraço reconfortante, ela por vezes se vai e o alívio retorna triunfante. A angústia magoa, fere, dói. Mas depois que escoa bordas do coração afora e tudo volta a funcionar a contento, a alegria se reinstala e logo, imponente lidera e tranquiliza.

11 comentários:

Romicas disse...

Gilbamar, esta descrição do que é o estado de espírito de angústia está perfeito e, embora não o sinta muitas vezes (felizmente), reconheço os sintomas. Na vida "nem tudo são rosas", não é verdade?
Um grande beijo também para a Ana
Romicas

Isa disse...

Cheguei ontem. Mas...
De todo o coração venho dar os meus
Parabéns pela Independência do Brasil e desejar que essa Pátria vença e seja coberta de Graças.
Beijo.
isa.

Ana Maria disse...

A angústia massacra, e a tranquilidade reina na paz.
Beijinhos!

Meg disse...

Belíssima descrição!
Parece que a estou a sentir, à medida que leio os seus efeitos.
beijinho
Meg

Josselene Marques disse...

Gilbamar:

Belo texto. Felizmente quase tudo pode ser revertido. Só não sei se vale a pena sentir angústia para valorizar os sentimentos bons que afloram ou são recuperados quando ela se vai.
Ótima viagem.
Abraço fraterno.

Vinícius Aguiar disse...

Uma das coisas mais difíceis que eu acho é "poetizar" sentimentos ruins, porque eles não nos estimulam... e vc faz isso muito bem. Não sei se se sente angustiado, mas fala como um perfeito deprimido, e coloca o sentimento nas palavras de uma forma inigualável!

Parabéns!

Ana Maria disse...

Como disse Romicas:
'nem tudo são rosas', encontramos barreiras.
Beijos!

Ilaine disse...

Gilbamar!

Que texto lindo!A descrição perfeita de algo que sentimos. É preciso descartar a angústia, pois ela nos toma e nos esmaga. Raras vezes me sinto angustiada, mas sei do que falas.

Beijo no coração

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Ana Martins disse...

Perfeita esta descrição de angústia poeta!

Beijinhos,
Ana Martins

Raquel El-Bachá disse...

Oi Gilbamar. Que descrição perfeita do sentimento de angústia. Já me senti tantas vezes dessa forma.´
Beijos.