segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O GATO NO OMBRO



Continuando nosso passeio por lugares de Buenos Aires ainda não visitados, em nossa segunda viagem à Argentina, no sábado, dia 13 de setembro de 2009, eu e Ana havíamos combinado ir às compras nos outlets localizados na Av. Córdoba, um imenso espaço comercial destinado ao irresistível prazer das compras e onde os portenhos se misturam alvoroçados aos não menos agitados turistas do mundo todo. Diariamente o local é transformado numa verdadeira loucura coletiva, com pessoas indo e vindo, entrando e saindo das lojas carregando pacotes e falando em diversos idiomas, mas no sábado a avenida se torna palco de uma verdadeira festa, e tudo isso em meio aos carros disputando espaço com os pedestres que atravessam de um lado para o outro sem parar.

Os principais atores da cena nesse teatro real são as grandes grifes internacionais e seus preços bem abaixo dos normalmente praticados nas butiques caras dos grandes centros, e melhor ainda por serem praticados em pesos argentinos, moeda muito desvalorizada em relação ao nosso real brasileiro. É possível, então, imaginar a quantidade de tupiniquins entre a multidão que lá acorre para adquirir produtos de marca pagando bem menos do que pagaríamos normalmente.

Em meio a tanta diversidade de seres humanos de várias nacionalidades, já é fácil imaginar, podemos entrever a qualquer momento fatos pitorescos, gente diferente e estranha ou algo deveras sui gêneris que nos faz virar a cabeça, sorrir ou mesmo dar uma gostosa gargalhada. Como o homem de meia idade, careca, apressado, que vimos carregando no ombro esquerdo um imenso e gordo gato angorá preso numa coleira de prata. Ele passou por nós quando saíamos da Yves saint Laurent e nos dirigíamos para o outlet da Levi's, obviamente chamando nossa atenção e surpreendendo todos os circunstantes em derredor. O gato, talvez incomodado pelo pequeno espaço que lhe cabia para movimentar-se, virava de um lado para o outro, punha as patas dianteiras na cabeça do sujeito, no seu rosto, no pescoço e emitia sutis miados como a dizer de sua angústia diante daquela situação constrangedora. Mas o cara não estava nem aí, tranquilão seguindo seu caminho fumando um cigarrito venenoso, continuou em frente como se fosse a coisa mais normal do mundo andar com um gato no ombro à guisa de um papagaio ou um periquito ensinados. Quando ele já se distanciava a quase não poder ser alcançado pela máquina fotográfica, lembrei-me de gravar aquele instante em foto e, imediatamente, saquei do equipamento e saí quase a correr para chegar perto dele, deixando Ana estatelada na calçada, sozinha a esperar-me. Carregando o gato no ombro, ele andava tão rápido que me foi impossível aproximar-me dele o suficiente para uma foto decente. A duras penas - o cara parecia correr andando - consegui fotografá-lo de costas. E não podia deixar de registrar em crônica esse caso picante que nos despertou muitas risadas quando chegamos ao hotel ao anoitecer, cansados de tanto andar e levar para lá e para cá um sem número de pacotes resultantes do passeio pelos outlets da Av. Córdoba.

4 comentários:

Isa disse...

Parabéns,Amigo.Fantástica a sua crónica.
Está tão bem escrita q.nem precisava de foto...
Uma delícia.
Beijo.
isa.

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Sarava!


Que bom viajar pelas letras e dançar um tango ao seu som!


beijinhos

Adrisol disse...

estuviste por aquí cerca!!!

lástima que no avisaste.......

bueno, para otra vez!!
un abrazo

Cleo disse...

Pobre da Ana estatelada na calçada por causa de uma foto. Gilbamar isso não se faz. mas valeu a foto não é?....rsrsrs beleza de viagem.
A música que toca aqui hoje está divina.
Beijos e bom fim de semana prá vocês.
Cleo