terça-feira, 11 de agosto de 2009

VIDAS QUE NÃO SÃO


Há vidas que não são, meros retalhos rasgados
como fluidas de ventres jamais abençoados

O vento as leva em forma de poeira, desaparecem,
como que translúcidas, folhas mortas que nascem

Embrião seco, pálpebra deveras enrugada,
folha de um outono cinzento, linha apagada

Recolhem-se à insignificância sabendo-se ninguém
temem levantar os olhos, esperam, mas a paz não vem

São traços que não se vêem, reflexos da impotência
apenas e tão-só fragmentos vãos da indiferença

Porque vidas assim sofrem o forte látego do desprezo
nunca são notadas, marulham, bola murcha, sem peso

Chegam à existência como a brisa vem, calados,
e desaparecem sem deixar rastro, sós, magoados

9 comentários:

Ava disse...

Gilbamar, sabe que a medida que fui lendo setexto, foi me dando um medo de ser uma vida assim... uma vida que não é...

Mas ao final já sabia que não...

Porque sinto a vida... E chego não como brisa, mas como um tufão...rs

Se me sinto assim, então minha vida é...

Muito bom o texto... E tristes dessas vidas... que já nascem alquebradas...


Beijos avassaladores... De uma vida que É....rs

Giane disse...

Ah, seres indigentes.
Seres que vivem por viver, esperando apenas chegar a hora de morrer, quando há muito jazem em Vida...

Beijos mil, Amigo Gilbamar!!!

Vinícius Aguiar disse...

Há vidas, e vidas... vidas sem sentido, sem razão de ser, vidas aparentemente felizes, e vida verdadeiramente felizes! Mas tudo sempre tem um motivo, tudo se justifica, porque a vida é um dos dons mais lindos que nos foi dado, e tenha ela sentido ou não, devemos sempre regá-la!

Parabéns!

Multiolhares disse...

Cada vez mais nos deparamos com vidas assim, uns porque não lhes dão a mão outros porque mesmo vivos já se deixaram morrer há muito
beijo

Taninha Nascimento disse...

Gostei muito do blog!

•.¸¸.ஐBruneLLa França disse...

Triste ter uma vida que não é...

Beijos e borboleteios

Josselene Marques disse...

Amigo:
Amei a sua reflexão. Há mais "vidas que não são" do que se possa imaginar.
Como sempre, a sua sensibilidade à flor da pele nos brinda com lindas pérolas.
Parabéns!
Ótima semana!

Úrsula Avner disse...

caro Gilbamar, poema bonito e expressivo ! Um abraço.

Ilaine disse...

Gilbamar!

Vidas que não são - que lindo poema. Adorei as imagens que nele deixaste: retalhos rasgados, folhas mortas, embrião seco, linha apagada, pálpebra enrugada... Caracterização intensa e exata de uma vida triste, "que não deixa rastros".

Poeta amigo, está bonito demais.
Beijo